25
Set 09
Por Carlos Novais, às 12:05 | comentar

Genericamente existem efeitos que podemos esperar à partida de um sistema de decisão colectivo com voto universal num orçamento que inclui a capacidade de:

 

- cobrar receitas a uns

- pagar a outros (salários, obras públicas, despesa geral, etc)

- decidir criar serviços (que requerem trabalhadores e gestores)

 

Podemos assim identificar como:

 

  1. Os beneficiários líquidos: pensionistas, receptores de subsídios vários, funcionários públicos e equiparados, a classe política, negócios privados especialmente dependentes de forma directa e indirecta de despesa pública ou ainda de incentivos vários como juros bonificados ou apoios especiais ao investimento (e não se trata aqui de fazer um ataque à dignidade e direitos de quem por exemplo produz trabalho público de que todos nós beneficiamos, é uma mera constatação de facto, o pagamento de impostos por funcionários públicos e outros é uma ilusão contabilística, dado que todo o rendimento tem origem em impostos).

 

  1. Os pagantes líquidos: trabalhadores privados, empresários, empresas, que pouco utilizam benefícios estabelecidos e assim são a origem da receita.

 

Nota: não esquecer que o sistema de pagamento de reformas baseia-se em cobrar impostos à população activa para os transferir de imediato para a população reformada, assegurando assim que os jovens pagam impostos numa altura em que precisam de investir (casa, carro, filhos, etc.) para transferir para aqueles que deveriam ter poupança acumulada e capacidade para ajudar esses jovens. Podemos chamar a isto a completa deturpação do que seria natural, fazendo decair os laços de dependência (e até respeito hierárquico) intra-familiar e comunitária para ganho e domínio total do estatismo sobre todos.

 

Esses efeitos a esperar a priori são:

 

  1. Sempre que um benefício é estabelecido, tende a incentivar procura adicional por esse benefício (exemplo: qualquer sistema de rendimento mínimo tende a desincentivar a procura de trabalho nos rendimentos ligeiramente superiores, criando uma zona onde os quase-que-beneficiam desistam de produzir ou então de reivindicar que os passe a abranger também, iniciando-se assim uma nova ronda de subida de benefícios).
  2. Sempre que um beneficiário líquido é adicionado, o conjunto de pagadores líquidos diminui em termos relativos e a carga fiscal tem de aumentar em valor total a ser distribuído por um número menor.

 

Agora podemos adicionar o jogo político que se especializará naturalmente a prometer benefícios a uns, cobrando a outros, e podendo ao mesmo tempo aumentar o número de trabalhadores gestores do sistema.

 

Junte-se o voto universal e sabemos que a política tratará mesmo que inconscientemente de apelar crescentemente aos beneficiários, apontando o dedo a um cada vez menor número de pagantes líquidos (por exemplo, apesar de aproximadamente 20% dos contribuintes pagar 80% de toda a colecta de IRS nunca deixarão aqueles de ser objecto de todas as atenções).

 

Basicamente existe um óbvio conflito de interesses onde:

 

- o montante de benefícios (indicador: “despesa pública/ PIB” que em todos os Estados incluindo nos EUA nunca parou de subir) e número de beneficiários tende sempre a aumentar (ex: funcionários públicos e equiparados, pensionistas e equiparados, trabalhadores privados dependentes da despesa e investimento público como as obras públicas ou indústria de defesa)

- os beneficiários têm capacidade de votar o orçamento seguindo o seu interesse próprio, individual e como classe.

 

Para além (e quem sabe até ainda mais relevante) do puro raciocínio monetário-contabilístico é necessário pensar na crescente rede de influência de qualquer decisor público, do sistema partidário, dos reguladores, do sistema de justiça em todo e qualquer aspecto da sociedade civil, até que a partir de certa altura um e outro confundem-se sendo impossível a sua separação clara (incluindo separar claramente beneficiários e pagantes líquidos), não existindo actividade alguma que se possa designar como espontânea, como moralmente praticada por pura decisão individual ou comunitária (a actividade de ajuda aos outros reflecte bem isso, o estado social é um processo colectivo que “asfixia” as formas espontâneas e por isso mesmo moralmente superiores de ajuda, pelo contrário passa-se a delegar e responsabilizar [desresponsabilizando-se individualmente e conscientemente de o fazer] o sistema).

 

No fundo, poderá existir mesmo uma inevitabilidade histórica para a morte por asfixia.

 

PS: se juntarmos o sistema de socialismo monetário (e a parceria público privada que é o sistema bancário e os bancos centrais) à equação, assegurando este bolhas e crises crónicas crescentes, que ajudam a criar um clima de incerteza e ainda maior sensação de dependência do estatismo, ficamos com o cenário perfeito. O estatismo cria os males que se propõe curar (por isso todas as grandes emergências quer económicas, quer conflitos e guerras, quer mesmo o discurso alarmante de pandemias e aquecimento globais, etc, ajudam ao argumento).


Setembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9





pesquisar blog
 
Links
A arte da fuga
A barbearia do senhor luís
A cagarra
A casa de sarto
A casa dos comuns
A caveira vesga
A caverna obscura
A civilização do espectáculo
A destreza das dúvidas
A educação do meu umbigo
A grande alface
A janela do ocaso
A natureza do mal
A origem das espécies
A outra varinha mágica
A revolta das palavras
a ritinha
A terceira noite
A textura do texto
A voz do povo
A voz nacional
A voz portalegrense
As escolhas do beijokense
As penas do flamingo
Abrigo de pastora
Abrupto
Às duas por três
Activismo de sofá
Admirável mundo novo
Adufe
Água leve
Água lisa
Alcabrozes
Alianças
Aliança nacional
Alinhavos
Almocreve das petas
Apdeites v2
Arcadia
Arde lua
Arrastão
Aspirina b
Atuleirus
Avatares de um desejo

Bar do moe, nº 133
Blasfémias
Bem haja
Berra-boi
Bic laranja
Bicho carpinteiro
Binoculista
Bissapa
Blogo social português
Blogotinha
Blogs e política
Blogue de direita
Blogue da sedes
Blue lounge
Boca de incêndio
Boina frígia
Braga blog
Branco no branco
Busturenga

Cabalas
Caixa de petri
Caixa de pregos
Câmara corporativa
Campos da várzea
Canhoto
Cão com pulgas
Carreira da í­ndia
Causa liberal
Causa nossa
Centenário da república
Centurião
Certas divergencias
Chá preto
Charquinho
Cibertúlia
cinco dias
Classe polí­tica
Clube das repúblicas mortas
Clube dos pensadores
Cobrador da persia
Combustões
Confidências
Congeminações
Contingências
Controversa maresia
Corta-fitas
Criativemo-nos
Crónicas d'escárnio e mal dizer

Da condição humana
Da literatura
Da rússia
Dar à tramela
Dass
De vexa atentamente
Der terrorist
Delito de opinião
Desconcertante
Desesperada esperança
Do portugal profundo
Dois dedos de prosa e poesia
Dolo eventual
Duas cidades
Duas ou três coisas
2 rosas

Eclético
É curioso
e-konoklasta
Em 2711
Elba everywhere
Em directo
Encapuzado extrovertido
Entre as brumas da memória
Enzima
Ephemera
Esmaltes e jóias
Esquissos
Estrago da nação
Estudos sobre o comunismo
Espumadamente
Eternas saudades do futuro

Faccioso
Falta de tempo
Filtragens
Fôguetabraze
Foram-se os anéis
Fumaças

Gajo dos abraços
Galo verde
Gazeta da restavração
Geometria do abismo
Geração de 80
Geração de 60
Geração rasca
Gonio
Governo sombra

Há normal?!
Herdeiro de aécio?!
Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
Homem ao mar

In concreto
Ideal social
Ideias soltas
Ilha da madeira
Ilusão
Império lusitano
Impressões de um boticário de província
Insinuações
Inspector x
Intimista

Jacarandá
Janelar
Jantar das quartas
Jornal dos media
José antónio barreiros
José maria martins
Jose vacondeus
Judaic kehillah of portugal - or ahayim
Jugular
Julgamento público

Kontrastes

La force des choses
Ladrões de bicicletas
Largo da memória
Latitude 40
Liblog
Lisbon photos
Lobi do chá
Loja de ideias
Lusitana antiga liberdade
Lusofin

Ma-schamba
Macroscópio
Mais actual
Maquiavel & j.b.
Margem esquerda
Margens de erro
Mar salgado
Mas certamente que sim!
Mau tempo no canil
Memória virtual
Memórias para o futuro
Metafísica do esquecimento
Meu rumo
Miguel teixeira
Miniscente
Minoria ruidosa
Minudencias
Miss pearls
Moengas
Movimento douro litoral
Mundo disparatado
Mundus cultus
My guide to your galaxy

Não há pachorra
Não não e não
Nem tanto ao mar
Nocturno
Nortadas
Notícias da aldeia
Nova floresta
Nova frente
Num lugar à direita
Nunca mais

O afilhado
O amor nos tempos da blogosfera
O andarilho
O anónimo
O bico de gás
O cachimbo de magritte
O condomínio privado
O contradito
O diplomata
O duro das lamentações
O escafandro
O espelho mágico
O estado do tempo
O eu politico
O insubmisso
O insurgente
O islamismo na europa
O jansenista
O jumento
O observador
O país do burro
O país relativo
O pasquim da reacção
O pequeno mundo
O pravda ilhéu
O principe
O privilégio dos caminhos
O profano
O reaccionário
O saudosista
O severo
O sexo dos anjos
O sinaleiro da areaosa
O tempo das cerejas
O universo é uma casca de noz
Os convencidos da vida
Os veencidos da vida
Obrigado sá pinto
Oceano das palavras
Oeiras Local
Office lounging
Outubro

Palavra aberta
Palavrussaurus rex
Pangeia
Papa myzena
Paris
patriotas.info
Pau para toda a obra
Pensamentos
Pedro_nunes_no_mundo
Pedro rolo duarte
Pedro santana lopes
Pena e espada
Perguntar não ofende
Planetas politik
Planí­cie heróica
Playbekx
Pleitos, apostilhas e comentários
Politeia
Política pura e dura
Polí­tica xix
Polí­tica de choque
Politicazinha
Politikae
Polvorosa
Porcausasemodivelas
Porto das pipas
Portugal contemporâneo
Portugal dos pequeninos
Por tu graal
Povo de bahá
Praça da república em beja
Publicista

Quarta república
Quem dera que assim fosse

Registo civil
Relações internacionais
Retalhos de edith
Retórica
Retorno
Reverentia
Ricardo.pt
Rio sem regresso
Risco contínuo
Road book
Rua da judiaria

Salvaterra é fixe
Sem filtro
Sempre a produzir
Sentidos da vida
Serra mãe
Sete vidas como os gatos
Sobre o tempo que passa
Sociedade aberta
Sociologando
Sorumbático
Sou contra a corrente
Super flumina

Táxi
Tempo político
Teorias da cidade
Terras do carmo
Tese & antítese
Tesourinhos deprimentes
Tirem-me daqui
Tralapraki
Transcendente
Tribuna
31 da armada
Tristeza sob investigação
Triunfo da razão
Trova do vento que passa
Tubarão

Último reduto
Um por todos todos por um

Vale a pena lutar
Vasco campilho
Velocidade de cruzeiro
Viagens no meu sofá
Vida das coisas
25 centímetros de neve
Vento sueste
Voz do deserto

Welcome to elsinore

Xatoo

Zarp blog

 

Twingly BlogRank

blogs SAPO