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Ago 09
Por Ricardo Cataluna, às 23:55 | comentar

Alguém acha, muito honestamente, que a RTP cumpre a sua missão de serviço público? Programas como o Preço Certo em Euros ou a Febre da Dança, para não ir mais longe, são exemplos que a estação deve seguir? O que faz a RTP para se diferenciar dos seus parceiros privados? O que é que a RTP oferece que não tenhamos acesso em canais por cabo? Que sentido faz mantê-la sobre a alçada do Estado?

Este é um dos muitos aspectos em que PS e PSD são iguaizinhos: na oposição agitam bandeiras contra a governamentalização da estação pública; no poder, usam e abusam do seu poder de influência.  

Não é correcto que se continuem a injectar milhões de euros a fundo perdido para alimentar uma máquina que acrescenta muito pouco do ponto de vista cultural (veja-se este exemplo), e que mais não é do que a propaganda elevada ao espectáculo televisivo? Contudo, honra seja feita à Rádio pública que, apesar de tudo, consegue fazer melhor.

Não tenhamos ilusões: entre todos os partidos vão chover propostas para reformar a RTP, mas a vontade de aplicá-las será nula. Para quê? Ganhar inimigos em jornalistas, directores e agentes culturais que vivem da teta estadual? O Estado português é tão paternalista que até sabe o que é que gostamos de ver na televisão. Pensa ele que sabe...

 

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Para que precisamos da RTP na posse do Estado? Admitindo que será necessário prestar um serviço público, ainda não percebi o que isso é, o mesmo poderia ser contratualizado com as televisões privadas. O mesmo com a RDP, a Antena 1 não apresenta nada de novo em relação à TSF ou RCP, a Antena 3 idem, se compararmos com outras estações que passam música, se entendermos, o que é no mínimo questionável, que terá de existir uma oferta pública de música clássica, pode ser contratada por concurso com qualquer emissora interessada.
António de Almeida a 7 de Agosto de 2009 às 00:03

«mesmo com a RDP, a Antena 1 não apresenta nada de novo em relação à TSF ou RCP,»

Neste aspecto não concordo. A Antena 1 é, pelos excelentes programas, uma mais valia (e que há vários que as outras duas não fazem). Podia ser feito/é feito pelas outras emissoras? É possível. Podia ser feito sem financiamento? Não faço ideia pois não sei se haveria público. Ficaríamos a perder se os programas não fossem feitos? Quem os ouve ficaria a perder.
jorge a 7 de Agosto de 2009 às 00:13

Costumo ouvir a Antena 1 e TSF, não encontro grandes diferenças, à parte um ou outro programa, até o emblemático Fórum tem a antena aberta, mas admito que algum seja original...

Lembro-me, assim de repente, do 5 minutos de jazz, das grandes músicas, do contraditório, do alma nostra e do portugalex :-)
jorge a 7 de Agosto de 2009 às 00:21

Ouço o contraditório, portugalex e grandes músicas, mas não vejo que possam ser considerados serviço público, poderiam bem estar na TSF, RCP ou RR.

Sim, António, podiam estar noutras estações. O meu ponto era apenas quanto à Antena 1 ter ou não programas originais :)
jorge a 7 de Agosto de 2009 às 00:30

"O que faz a RTP de diferente para se diferenciar dos seus parceiros privados?"

Dá prejuízo ano após ano. :)
Jorge Assunção a 7 de Agosto de 2009 às 00:07

Bem visto:)

A RTP, especialmente o canal 1 e o site da RTP, é um exemplo triste. Gosto de várias programas da 2. As consideração que faço são as mesmas que fiz, mais a cima, sobre a Antena 1.
jorge a 7 de Agosto de 2009 às 00:15

Gosto de várias programas da 2

-Provavelmente os tais que poderiam ser contratualizados com estaçoes privadas, sem precisar de manter uma televisão pública deficitária.

Sem dúvida.
jorge a 7 de Agosto de 2009 às 00:23

Os meus parabés aos autores deste novo blog, em particular para o António de Almeida, Jorge Assunção, Jorge Ferreira e o Ricardo Cataluna.

Votos de exito!
Bruno - Planetas a 7 de Agosto de 2009 às 01:03

Obrigado, caro Bruno.

Em meu nome e em nome dos meus companheiros de blog, muito obrigado, caro Bruno!

A ideia parola de que privado é bom, só rivaliza com o seu oposto, de que só o público é bom.

Se olharmos para a programação infantil e cultural percebemos que a RTP impôs uma melhoria de qualidade nos privados. Esta capacidade de influenciar os privados, forçando-os a melhorar a sua qualidade é uma das componentes do serviço público.

Uma RTP privada seria como a história do 5º canal... uma bela ideia mas sem mercado publicitário para permitir a sobrevivência de todos. Não esquecer que a RTP tem uma canga sobre o que pode passar de publicidade.
manuel gouveia a 7 de Agosto de 2009 às 14:15

Caro Manuel, sou completamente contra a manutenção por parte do Estado de órgãos de comunicação. Não faz qualquer sentido e até entendo que é prejudicial para a saúde da Democracia. A RTP não faz, salvo raríssimas excepções, Serviço Público. Para quê manter este estado de coisas? Para quê alimentar um monstro que dá prejuízos enormes, à custa do erário público, e cuja função de Serviço Público tem ficado muito aquém das expectativas?

Na europa a decisão foi pela manutenção do serviço público de televisão. De todos os países apenas a RTVE levou uma nota negativa

O papel do serviço público foi considerado fundamental para o pluralismo e reforço da democracia, acesso das minorias e o preservar da identidade cultural de cada país. Mão é por acaso que os Bascos e os Catalães apostaram forte no seu serviço público de rádio e televisão.

O que os outros vêem como uma oportunidade deixa-nos a nós desesperados e depois acreditamos que pela via do desemprego e ordenados baixos se faz o novo rumo deste país...
Aqui em Portugal é a mesquinhez que impera...

"A ideia parola de que privado é bom, só rivaliza com o seu oposto, de que só o público é bom."

A ideia, neste caso, nem passará tanto por saber se um é bom e o outro é mau, a ideia passa por saber que a RTP é gerida com o dinheiro do contribuinte e os canais privados com dinheiro próprio.

"Uma RTP privada seria como a história do 5º canal... uma bela ideia mas sem mercado publicitário para permitir a sobrevivência de todos."

Curioso, então como é que surgiram propostas privadas para um 5º canal?

Os privados são geridos pelo dinheiro que o grupo RTP não vai buscar ao mercado publicitário. A RTP está limitada no tempo que pode dedicar à publicidade e a RDP pura e simplesmente não passa publicidade.

Ou seja, indirectamente os privados são financiados pelo dinheiro público. Se o grupo RTP fosse privatizado, por exemplo, nos Açores muitas pequenas rádios fechavam e a SIC, a TVI, grupo RR e Comercial teriam a vida bem mais dificultada...

Manuel,

basicamente o teu argumento é: se o contribuinte não meter dinheiro no sistema, o mercado publicitário não é capaz de suportar três canais generalistas. O meu argumento é: se não é capaz de suportar, um dos canais fecha. Tão simples quanto isso. Qual é o problema?

Mas confesso, de facto, será difícil um mercado publicitário para suportar apresentadores a ganhar na casa dos 20 mil euros/mês, como acontece na RTP.

É claro que existem outro valores que não sendo financeiros a ti não te dizem nada... Deus é uma moeda cunhada em euros. A felicidade seria transformar Portugal numa imensa Somália...

Agosto 2009
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