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Ago 09
Por Jorge Assunção, às 11:31 | comentar

“Um governo corajoso devia acabar com este no primeiro dia da governação”. Isto, segundo Hugo Costa no Simplex, terá afirmado Pacheco Pereira, em 2001, a propósito do rendimento mínimo garantido (RMG). O que vem muito a propósito do meu texto anterior. O problema foi que o PSD chegou ao governo e, na lógica muito portuguesa do não vou fazer, mas vou fingir que faço, pouco mais fez do que trocar-lhe o nome. A resistência à mudança é grande, mas os governos (exemplo máximo no actual executivo), gostam de ser associados à palavra reforma, por isso, fazem o melhor que sabem: fingem que reformam, sem nada reformar. E isso é possível porque o povo português também queixa-se do que há, mas quando chega à altura concreta, naquilo que conta, de verdadeiramente mudar algo, preferem que tudo fique na mesma.

Hugo Costa, obviamente, acha que Pacheco Pereira revelou insensibilidade social quando fez essa proposta, isto poque o agora rendimento social de inserção, obteve "claros resultados na diminuição das desigualdades sociais, aproximando os 10% mais ricos dos 10% mais pobres" e porque "tem permitido a resolução de problemas de pobreza extrema e capacitação para a emancipação social". Ora, sobre o primeiro ponto, muito havia a referir. Em primeiro lugar porque não é certo que as desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres tenham diminuido por causa do RMG, mesmo porque este serve acima de tudo como um mecanismo que perpetua a pobreza, no sentido em que desincentiva as pessoas que dele usufruem a procurar melhor. Mas, mesmo dando de barato que assim foi,  como qualquer bom socialista, Hugo Costa deverá preferir uma sociedade pobre, mas igualitária, onde todos ganhem por igual, do que uma sociedade rica, onde exista diferenciação de rendimento, mas todos tenham rendimento elevado. É essa a sensabilidade social de Hugo Costa. Quanto ao segundo ponto, admito que o RMG sirva para ajudar algumas pessoas em pobreza extrema, da mesma forma que serve para isto: "90% da população activa residente na Quinta da Fonte beneficia do Rendimento Social de Inserção [...] no entanto, basta passar pelo bairro para ver automóveis e carrinhas novos cujo valor ultrapassa, em vários casos, os 30 mil euros".


«Mas, mesmo dando de barato que assim foi, como qualquer bom socialista, Hugo Costa deverá preferir uma sociedade pobre, mas igualitária, onde todos ganhem por igual, do que uma sociedade rica, onde exista diferenciação de rendimento, mas todos tenham rendimento elevado.»

Duas perguntas:

1. Como sabe quais são as preferências do Hugo Costa? Por telepatia ou por preconceito?

2. Tem mesmo a certeza que o socialismo se define assim? Ou é preconceito outra vez?
José Luiz Sarmento a 10 de Agosto de 2009 às 00:15

1. Dedução lógica por usar isto, "aproximando os 10% mais ricos dos 10% mais pobres", como argumento per se.

2. É experiência.

E, já agora, uma terceira pergunta: o que vê de errado numa sociedade igualitária e próspera (como, por comparação com Portugal, são quase todas as sociedades europeias)?
José Luiz Sarmento a 10 de Agosto de 2009 às 00:18

Não vejo nada de errado numa sociedade próspera.

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