05
Set 09
Por Jorge Ferreira, às 23:59 | comentar

O alegado debate de hoje entre os dois Sousas das esquerdas mostrou uma coisa muito simples: o Sousa do PCP é muito atrevido nas ruas, nas manif's, mas quando se apanha com o Sousa do PS à frente é mais manso que um congressista de Espinho do PS. Cá para mim hoje vai haver mosquitos por cordas nos centros de trabalho...

 

(publicado no Tomar Partido)


Por Jorge Ferreira, às 18:27 | comentar

José Sócrates deixou de falar a Pina Moura porque este, enquanto esteve a representar os espanhóis na administração da Media Capital não acabou com o Jornal de opinião privativo de Manuela Moura Guedes, como Sócrates desejava enquanto era tempo. Pina Moura vingou-se da desfeita, declarando-se "focado", isto é, próximo e concordante com o programa eleitoral do PSD e não do PS, partido pelo qual foi deputado da Nação em acumulação com a representação de interesses de empresas espanholas em Portugal. O grupo Prisa, dantes amigo do PSOE e de Jose Luis Zapatero, por sua vez muito amigo de José Sócrates, zangou-se entretanto com os ditos PSOE e Zapatero, porque estes deram um volumoso negócio de comunicação em Espanha a outro grupo de comunicação que não a Prisa. Vai daí toca de começar a escrever artigos contra o PSOE e Zapatero nos orgãos do grupo. Sabendo do momento delicado, judiciário e eleitoral, que o amigo lusitano de Zapatero vive em Portugal, toca de correr com Moura Guedes da pantalla, sabendo de antemão que o poderosíssimo ónus político do saneamento recairia sobre Sócrates, o especial amigo de Zapatero, ora ódio de estimação do grupo. Cavaco Silva, tomado de esperada amnésia, declarou esperar que o saneamento de Moura Guedes não tenha nada a ver com ameaças à liberdade de informação, esquecido que está do que fez o seu Governo com a RTP e o então elemento de ligação a Moniz, marido da ora saneada da TVI, quando este era Director de Informação da RTP, o ministro Marques Mendes (esse mesmo...) que, ao que consta, famas injustas certamente, tinha uma especial predilecção pela análise antecipada dos alinhamentos do telejornal.

 

Isto é uma história de pura ficção e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. E tenho mais ficções para escrever.

(publicado no Tomar Partido)


Por Cristina Ribeiro, às 13:15 | comentar

No Portugal Contemporâneo, Rui. A. assina um texto com o qual não poderia estar mais de acordo:

esperar sentado

" O Professor Aníbal Cavaco Silva declarou à comunicação social  que " espera " que o episódio Moura Guedes não tenha posto em causa os “princípios da liberdade de informação e de expressão”. Acontece que o Professor Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República em exercício, e que a Constituição que lhe determina as funções e competências estabelece, no artigo 120º, que ele deve zelar pelo “regular funcionamento das instituições democráticas”. Entre elas, naturalmente, a liberdade de expressão. Por isso, o Presidente da República não deve manifestar anseios a propósito de matérias estruturantes do Estado de Direito Democrático. Ele tem a obrigação constitucional de acautelar e preservar as instituições e os princípios que as conformam, e de agir na eventualidade deles estarem em causa. Não sei se é o caso. Ao que parece, o Presidente da República também não ".

 

Defensora de que o Chefe de Estado deve ter um papel mais interventivo na política, incomoda-me que não faça uso sequer  dos poderes que a actual Constituição lhe reconhece.

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Por Elisabete Joaquim, às 12:27 | comentar | ver comentários (8)

Pedro Mexia pretende aqui pintar o libertarianismo como uma corrente estético-antropológica (optimismo), pela qual se pode ou não ter simpatia, mas que não pode ser levada a sério, e isso por motivos estético-antropológicos (pessimismo).

 

Saltando o problema da ausência de argumentação e do facto da adesão a ideias por sentimentos e simpatias, por visões do mundo optimistas ou pessimistas, serem em rigor equivalentes para o observador que não vê a política como uma subcategoria da Estética, há sobretudo no texto de Mexia o problema da ignorância acerca do que é o libertarianismo.

 

O libertarianismo é uma ideologia, e não um sistema político. Libertarianismo não “é” anarquia, como Mexia parece pensar, mas sim uma filosofia política da qual decorre na prática a necessidade de uma constante atenção e crítica ao poder, e isso, novamente contra a intuição de Mexia, precisamente porque os homens não são anjos. Daí a necessidade de controlo interno dos governos: if angels were to govern men, neither external nor internal controls on government would be necessary. Traduzido numa sistema político, o libertarianismo é compatível com um governo de funções minimalistas, uma minarquia, não advogando necessariamente a anarquia, desde que o Estado cumpra estritamente as suas funções e «deixe as pessoas em paz».

 

«Regras, códigos, restrições, procedimentos» não são apanágio exclusivo do «pessimista», daquele que está vergado pelo peso da realidade, qual anjo olhando com empatia para Sísifo, e olhando com condescendência o pateta alegre libertário incapaz de ver o cume da montanha. O libertário encara pelo contrário as «regras, códigos, restrições, procedimentos» como atributos inegáveis da realidade política e social humana, solidificando-os sem pudor no conceito de Lei e de Direito. O que o libertário não admite é a arbitrariedade dessas regras sociais politicamente estabelecidas, e muito menos umas regras contingentes que sejam na prática incompatíveis com regras e leis que este considera fundamentais.

 

Não querendo levar o texto de Pedro Mexia demasiado a sério, dado que é patente que é a estética e não a argumentação que comanda o ímpeto da escrita, uma coisa séria imana do mesmo: o «pessimismo» é deduzido a partir da premissa da necessidade de existência do Estado como se no contrato que se faz com esse prestador de serviço estivesse uma cláusula de cedência total dos poderes e deveres dos cidadãos na gestão das suas vidas privadas, e como se fosse impossível (fatalidade!) ter Estado e ter liberdade privada simultaneamente. Claro que comprometer-se com a atitude libertária de constante crítica ao poder político dá trabalho, e claro que ficar confortável na sua nuvem fatalista enquanto se vai observando resignado o teatro das vidas humanas como se dele não se fizesse parte é menos cansativo (e sempre se converte em material estético). «Mas fácil é a vida dos anjos.»

 


Por António de Almeida, às 11:13 | comentar

   -O João Miranda pergunta "confia neste homem" ? Na primeira metade da década de 90, Vicente Jorge Silva num editorial, classificou os estudantes que protestavam contra Manuela Ferreira Leite, como "geração rasca". Prestes a terminar a primeira década do século XXI, em rigor Portugal está a ser governado por um político rasca. Apenas um tolo poderá confiar em alguém que apresenta uma versão do Classmate como o primeiro computador português, um estudo encomendado como relatório tipo OCDE ou bombas de calor como painéis solares, para me focalizar apenas em episódios recentes.

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Por António de Almeida, às 11:07 | comentar

 


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