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Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 22:34 | comentar | ver comentários (1)

 

(imagem tirada daqui)

 

Salazar continua na boca de todos. E ou muito me engano ou ainda virá à baila o fássismo, feixismo ou lá o que é. Portas compara Louçã a Salazar, Sócrates e João Soares insinuam que Manuela Ferreira Leite será um sucedâneo do ditador. Parece-me é que os políticos muito pouco democráticos que nos têm (des)governado terão um qualquer desejo secreto de governar em condições idênticas às de Salazar, e de ver o seu nome inscrito nos anais da História, à semelhança deste. Deixo aqui apenas aquilo que António Barreto há tempos escrevia:


"Trinta e cinco anos depois de Abril, a democracia continua a viver à custa de Salazar e da sua queda. Parece que o regime democrático e a liberdade nada têm a oferecer ao povo para além do derrube do ditador. Que, aliás, não foi do próprio mas do sucessor. Aqueles partidos e aquela instituição vivem obcecados. Sentir-se-ão culpados? De quê? De não terem sabido governar o país com mais êxito e menos demagogia? De perceberem que a população está cada vez mais cansada da política e indiferente aos políticos? Preocupante é haver alguém que pense que aquelas imagens produzem algum efeito! A política contemporânea é de tal modo medíocre que o derrube do anterior regime é ainda mais importante do que o novo regime democrático. Essa é a mágoa! Trinta e cinco anos depois, a liberdade e tudo quanto se vive não são já mais importantes do que aquele dia de derrube."

 

Se de cada vez que o seu nome fosse invocado Salazar recebesse 1 euro, por esta altura  já seria dono do Céu. Ou do Inferno.

 

(também publicado no Estado Sentido)


Por Ricardo Cataluna, às 22:12 | comentar

Estas declarações de João Soares não só são de uma deselegância evidente, como revelam a sobranceria com que encara as próximas legislativas. Vindo de quem vem, devia ter mais cuidado. Foi essa atitude que lhe custou a derrota com Santana Lopes. Às vezes a história repete-se, mesmo que os protagonistas não sejam os mesmos.

 

Texto também disponível n' O Bom Gigante


Por Cristina Ribeiro, às 20:35 | comentar

Acho, pois, uma idiossincrasia, uma bizarria, que numa democracia que já alguém considerou adulta, a alternância governativa se faça, desde sempre, entre dois partidos de matriz comum - o normal numa democracia autêntica é que ela se faça entre partidos ideologicamente distintos, como, por exemplo na Alemanha, em que a rotatividade tem sido feita com recurso a um partido social-democrata ( SPD ) e a outro que, verdadeiramente, o não é ( CDU / CSU ).

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Por vitorjesus, às 15:31 | comentar

Foi um bom Governo (2), Por André Abrantes Amaral

 

Impostos elevados representam um outro problema além de entregarmos uma parte do nosso salário para o Estado: privam-nos de soluções. (...) Se temos menos dinheiro disponível para irmos aos médicos que queremos e colocarmos os filhos nas escolas que escolhemos, prepararmos a nossa reforma como desejarmos melhor, o Estado também fica sem muita saída.

 

Com impostos altos o Estado fica impossibilitado de receber mais receitas. As escolas públicas ficarão piores, os hospitais não melhoram, as listas de espera para os cuidados médicos aumentam, as pensões de reforma descem e os governos futuros ficam impotentes para agir. Para fazer o que quer que seja.

 
O que é que o optimismo de Sócrates nos traz?

 


Por Jorge Ferreira, às 14:37 | comentar

Domingos Lopes, um militante do PCP saiu do partido porque "O PCP ainda não condenou a invasão da Checoslováquia e elogia a Coreia do Norte e a China", Está tudo numa carta de seis páginas, datada de 7 de Setembro último. Tenho uma dúvida: considerando que um democrata assim de tão longa data entrou para o PCP justamente no momento em que a URSS invadia a Checoslováquia, não teria sido melhor oferecer um relógio ao Comité Central para não se atrasarem mais na condenação da invasão?... Estes casos de miltantes do PCP tão tardiamente dissidentes são verdadeiramente deliciosos do ponto de vista da solidez das convicções e da linearidade da coerencia.

(publicado no Tomar Partido)

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Por jorge, às 13:40 | comentar | ver comentários (3)

A discussão do TGV faz-me lembrar a dos estádios do euro 2004. Antes, como agora, o progresso vinha com a respectiva construção mas o resultado está à vista: continuamos na cepa torta e os estádios lá estão a gastar impostos na sua manutenção.

A parte mais incrível na questão do TGV é mesmo para que serve o eixo Lisboa-Porto, com as paragens nas diversas capelinhas. Ganhar 15 minutos ou mesmo meia hora para tamanho investimento? Sobretudo depois do investimento na modernização da linha do norte, o qual nunca se concluiu? Numa lógica de racionalização dos sempre escassos recursos, mais sentido fará em reutilizar - e concluir - o que já existe.

Da ligação a Madrid, dizem-nos que é a ligação à Europa. Será? Quero ver quantos eurodeputados irão de TGV para Bruxelas. Obviamente, TGV é sinónimo de ligação a Madrid. Ponto final. E como ligação a Madrid há, já neste momento, a ligação aérea. Se o petróleo ficar caro de mais para se usar esta ligação - o que ainda não acontece - em poucos anos se constrói a ligação ferroviária. Para quê então investir agora quando ainda não é pertinente? Além disso, há que não esquecer, muita da electricidade é actualmente gerada a partir do petróleo.

TGV para mercadorias? Brincadeira, claro. Os bens não perecíveis não se estragam por o seu transporte durar mais 3 horas. Quanto aos outros, uma viagem de 3 horas (mais o tempo necessário para carga) não dispensa o uso de câmaras frigoríficas. O que torna indiferente se o transporte demora 3, 5 ou 6 horas.

Então, porquê o TGV? Obviamente porque uma grande obra pública cria uma dinâmica que interessa ao poder político. Olhe-se para os valores que têm sido anunciados para os gastos na campanha eleitoral e logo se perceberá que tanto dinheiro terá que vir de algum lado. Uma parte vem do orçamento de estado, algum virá das contribuições individuais mas o grosso vem de onde? Das contribuições empresariais, obviamente. É público que as grandes construtoras vivem da obra pública e é igualmente público que são grandes contribuidores para o financiamento partidário. O TGV interessa ainda à banca, pelas oportunidades de financiamento que lhe proporcionará. Acenar com obra pública é garantir financiamento partidário e é isto que está em causa no TGV bem como em outras grandes obras. Além disso, é sabido que o período de construção gera uma dinâmica de emprego (directo e indirecto) que ilude a realidade. Mesmo sendo emprego que tem termo certo, basta que o ritmo das obras públicas continue constante - e não tem tido assim tanta flutuação - para que pareça que o desempenho da economia seja outro. Claro que depois aparecem os efeitos colaterais, como o aumento da despesa pública e o endividamento. E neste momento, os respectivos valores atingidos são históricos.

Poder económico e poder político ambos têm a ganhar. O primeiro ganha negócio e aceita pagar por isso, em financiamento partidário, ao segundo. O poder político ganha dinheiro para campanha, que gasta exuberantemente, e permite acenar bandeiras eleitorais de dinâmica. Mas é isto o desenvolvimento ou apenas a sua sombra?

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Por António de Almeida, às 09:45 | comentar | ver comentários (9)

   -Desesperados com o cepticismo dos portugueses face ao TGV, que lhes poderá custar votos e até a eleição no próximo dia 27, os socialistas acenam com o perigo de Portugal ficar sem acesso aos fundos comunitários, o número impressiona, são mais de 300 mil milhões de Euros que o país perde se decidir recuar no faraónico projecto da dupla Sócrates & Lino. Convenientemente omitem, o que não surpreende, a mentira faz parte do ADN deste governo, que os fundos comunitários representam cerca de 1/5 do orçamento previsto, os restantes 4/5 saem do bolso do contribuinte, acrescido dos custos com derrapagens, juros e imprevistos, que sempre acontecem nas obras públicas em Portugal.

 

Adenda: Onde se lê 300 mil milhões deve ser lido 300 milhões de Euros.


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