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Ago 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 18:33 | comentar

  

A regimental prussiana    O ersatz adoptado pelo Conde de Lippe

 

A presença do Conde de Lippe em Portugal, parece ainda influenciar algumas mentes exaltadas e quiçá temerosas dos acontecimentos ocorridos há apenas algumas horas. A questão da bandeira municipal de Lisboa, torna-se numa falsa questão, já que todos sabem que o pendão provem dos tempos da Monarquia. Em reforço da incómoda posição republicana, ainda podemos acrescentar tratar-se de um símbolo sobrevivente do regime anterior ao Vintismo, com tudo o que isso possa significar. Embora existam algumas suposições acerca de uma ancestralidade representativa que remonta aos tempos da Fundação, a verdade parece ser bem mais próxima: Marechal-de Campo e comandante do Exército Português, o Conde de Lippe inspirou-se nas bandeiras dos regimentos da sua pátria prussiana e Lisboa é assim, a derradeira localidade europeia que arvora as cores e o símbolo daquele desaparecido Estado da Alemanha.

 

Ficamos agora a saber da feroz existência de uma corrente de bem instalados comensais do regime, que aproveitou logo para se tornar "mais papista que o Papa".  Alguns blogues ditos moderadosdemocratas e até liberais (!) - como se a Bandeira ontem hasteada não o tivesse sido - , clamam por "severa punição e exemplar castigo" dos meliantes. É o velho tique da mãozita papuda sempre pronta a empunhar a chibatinha, enquanto a outra revolve ansiosamente os bolsos da vítima, à busca da carteira onde guarda as moedas e o cartão multibanco.  Enfim, reminiscências do Santo Ofício e das sucedâneas Formiga Branca e PIDE.

 

Quanto ao atabalhoado comunicado gizado no Largo do Pelourinho, não deixa de ser absurda a alegação de ilegalidade, por parte de uma Câmara Municipal que ao longo das últimas décadas se especializou em contornar as suas próprias normas: suspende o Plano Director Municipal a seu bel-prazer - Ribeiro Telles dixit -, retira edifícios do famoso Inventário Municipal (para impunemente os poder demolir), procede a obras de vulto sem concurso público (Terreiro do Paço), intervem  hoteleiramente em zonas históricas (Belém), satisfaz a cupidez de entidades privadas em detrimento do interesse dos munícipes (terminal de contentores de Alcântara), deixa-se envolver em sórdidos casos de aboletamento em propriedade municipal (as casas de renda baixa para "pobres" abastados e amigados), etc, etc. Mas afinal, o que quer a Câmara Municipal fazer, numa cidade onde os principais edifícios  de interesse ostentam as armas reais portuguesas? Demoli-los ou  ao "estilo costista" de 1910, simplesmente usar o camartelo? Para a lista de monumentos construídos pela monarquia não ser muito exaustiva, apenas citaremos os Jerónimos, a Torre de Belém, o Arco da Rua Augusta, o Teatro D. Maria II e o S. Carlos, praticamente todas as Igrejas da capital, o obelisco dos Restauradores, a estátua de D. Pedro IV, os chafarizes, os edifícios pombalinos da zona da Alfândega, o Museu Militar e uma infinidade de outras construções  - como o Aqueduto - que tornam Lisboa numa cidade digna de visita. Se querem barretes frígios e estrelas carbonárias nas fachadas, coloquem-nas nas grandes obras que simbolizam bem o actual estado de coisas: os centros comerciais. Ainda estão a tempo.

 

Conheci o dr. António Costa em 1983 e com ele convivi durante um mês, num curso de verão patrocinado pela NATO, em França. É um homem inteligente, teimoso, coriáceo e ambicioso. Se ainda se trata do então tolerante rapaz com quem passei horas a conversar, julgo que aprecia a audácia. No fundo, esta ousadia do 31 da Armada deve  agradar-lhe. Assim sendo, aceite a proposta do Rodrigo Moita de Deus e receba de volta o monárquico e prussiano pendão da C.M.L., em troca da Bandeira do Reino.


Excelente lição de História.

Vae victis.
zedeportugal a 11 de Agosto de 2009 às 20:50

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