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Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:22 | comentar

Houve um roubo na empresa. Os empregados estão nervosos porque o chefe ficará furioso e temem que um deles seja despedido. Procuram o responsável para o obrigar a sair da empresa voluntariamente e desconfiam de uma pessoa que já no passado levantara suspeita sobre si. Você não sabe se essa pessoa está culpada desta vez.

 

Propõe/não se opõe a que obriguem a pessoa a sair para apaziguar os ânimos da empresa e não propiciar possíveis animosidades do chefe?

 

Nota: a empresa em questão trabalha em consultoria ética.


Nesse caso pede-se à empresa de segurança que substitua o securitas da portaria... é a abordagem ética mais recomendável.
manuel gouveia a 13 de Agosto de 2009 às 13:31

E se os clientes da empresa em questão, souberem que existiu um roubo e suspeitam que quem o cometeu foi a pessoa x. O contrato da pessoa x chega ao fim e cabe ao chefe decidir se o renova ou não. Se eu fosse o chefe sabia perfeitamente o que fazer. Sendo cliente, ainda mais sabia. Se não confiar naqueles que devem prestar-me um serviço...
Jorge Assunção a 13 de Agosto de 2009 às 13:52

Elisabete, será "Propõe/não se opõe" ou antes "Propõe/opõe-se"?

É propõe/não se opõe para dar conta de uma defesa activa ou passiva do proposto. É a diferença entre propôr o interesse colectivo como prioritário, ou ceder ao interesse colectivo. Eticamente não há diferença, mas há um intervalo moral entre um e outro.

Ok, percebi. Mas não são essas as únicas opções.

Dada a pressão feita pelos empregados só há duas hipóteses: aceitar/ceder a proposta, ou rejeitá-la, como defendeu abaixo o António Costa Amaral.

Oponho-me. Mas duvido, muito, que esse exercício tenha qualquer relevância para perceber o comportamento dos partidos ou para analisar os casos mais recentes sobre pessoas suspeitas de práticas menos próprias no exercício de funções políticas.

MFL foi criticada por ter escolhido uma abordagem ética sobre o assunto, dizendo, e bem, que não seria correcto da sua parte ceder à pressão de condenação popular do candidato, expulsando-o da lista.

Que justificações poderia ter apresentado para o retirar da lista? Dizer que uma suspeita equivale a uma condenação não me parece razoável. A única pessoa com poder justificado de exclusão da lista neste momento é o próprio António Preto.

MFL deu prova de coragem ao escolher a saída mais difícil (e correcta) que implicava submeter-se a todo o falatório que está à vista. Outros não tiveram a mesma coragem e despacharam prontamente ministros em prol da sua boa imagem.

"MFL foi criticada por ter escolhido uma abordagem ética sobre o assunto"

Assumindo que foi essa a abordagem. Eu não assumo. Para mim foi uma abordagem amiguista, uma vez que António Preto ajudou MFL noutras circunstancias, nomeadamente durante a sua presidência da distrital de Lisboa (tal como, coincidência, Helena Lopes da Costa). Parece-me, aliás, incoerente justificar a escolha de MFL como uma abordagem ética, quando no caso de Lopes da Mota esta demonstrou abordagem diferente. A não ser que estejamos aqui no campo da incoerência da candidata (aliás, a incoerência é evidente, uma vez que poucos dias antes de serem conhecidas as listas, afirmou como um bom principio a exclusão de candidaturas de políticos com casos na justiça).

"Dizer que uma suspeita equivale a uma condenação não me parece razoável."

A suspeita não equivale à condenação, mas na política não deve existir presunção de inocência.

Acho que, no caso em questão, vamos ter de concordar em discordar. :)

«para mim foi uma abordagem amiguista»

Dado que não tenho acesso às intençoes ocultas de MFL, tratei o caso apenas com os dados disponíveis: actos e declarações. A esse nível, a acção é correcta. Julgar MFL atribuindo-lhe intenções é o mesmo que condenar alguém com base em suspeitas: podemos estar a cometer injustiça.

“…não seria correcto da sua parte ceder à pressão de condenação popular do candidato, expulsando-o da lista.” (Elisabete Joaquim)

Se o não tivesse incluído na lista não haveria lugar a qualquer expulsão.
Esta inclusão foi um erro absolutamente lamentável que infelizmente, estou em crer, irá prejudicar significativamente PSD. A mensagem de verdade - integridade, seriedade, … - estava a responder eficazmente àquela que talvez seja já a única expectativa das ruas; uma promessa de integridade por parte daqueles que se propõem a eleição.
A ruidosa pandemia de comentários tem toda a ver com aquilo que a inclusão representa para essa promessa.
Confesso-me sinceramente perplexo com tanta inabilidade política.

Não se tratava de despejar um garrafão de lixívia sobre “o homenzinho do bigode”, à boa maneira do gang de Macau e do clã Soares. Havia outras soluções.
Mais elegantes e mais próprias de gente séria - como MFL é, não tenho a menor dúvida.

Comentando agora o “dilema ético” da magnífica metáfora : é um dilema sem solução capaz; uma coisa destas não pode e não deve acontecer numa empresa de “consultoria ética” quando, à partida, os “clientes” dessa “empresa” são instados a contratar os serviços do suspeito de ladroagem.
dutilleul a 14 de Agosto de 2009 às 03:44

Não deve acontecer mas é perfeitamente possível,idizer o contrário não resolve o dilema.

Quando à MFL, António Preto já estava na lista de PSD desde 2005. A questão não era incluí-lo mas sim retirá-lo.

Estava realmente convencido que as listas tinham sido elaboradas por estes dias e que, à semelhança do que aconteceu para o PE, elas não tinham nada a ver (necessariamente) com listas de 2005…
Se a lista agora apresentada é a lista de 2005, então sim, estaríamos a lidar com a hipótese de o excluir…

Desculpe-me, não me ajudou a compreender a maneira como o PSD lidou com este assunto; a “solução” adoptada ameaça significativamente o capital político de MFL.
dutilleul a 14 de Agosto de 2009 às 13:19

«E se os clientes da empresa em questão souberem que existiu um roubo e» souberem que os empregados acordaram entre si sacrificar uma pessoa sobre quem apenas recaiam suspeitas, de modo a assegurar os seus próprios empregos? Parece-me que os empregados deixam de estar qualificados para dar pareceres éticos.


Não discordo.

«E se os clientes da empresa em questão souberem que existiu um roubo e» souberem que os empregados acordaram entre si sacrificar uma pessoa sobre quem apenas recaiam suspeitas, de modo a assegurar os seus próprios empregos? Parece-me que os empregados deixam de estar qualificados para dar pareceres éticos.

Eu preferia trababalhar com/para uma empresa de cultura ética embora falível -- há ovelhas negras em todo o lado --, do que numa em que uns e outros fazem purgas para salvar a pele...

Dito isto, é errado participar em jogos palacianos, tal como é pensar que é com bodes expiatórios que se resolvem as situações.

Este problemas devem ser corrigido às claras, com testemunho dos valores defendidos por empregados e equipa de gestão, e exemplarmente.
AntonioCostaAmaral (AA) a 13 de Agosto de 2009 às 14:40

"Eu preferia trababalhar com/para uma empresa de cultura ética embora falível -- há ovelhas negras em todo o lado --, do que numa em que uns e outros fazem purgas para salvar a pele..."

Mas o António não aceitaria, certamente, ser cliente de alguém sobre quem suspeita, ou aceitaria?

O que digo é que como cliente, na presença de um problema que até pode não me afectar, prefiro saber que o 'consultor ético' pratica o que prega, do que vir a saber que lá dentro aquilo funciona à base da lavagem de roupa suja...

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