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Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:17 | comentar

José Pacheco Pereira escreveu um texto sem tretas, leia-se sem argumentos políticos, preferindo um texto com realismo, leia-se com argumentos partidários.

 

No estilo vender a alma ao diabo para comprar um mal menor, José Pacheco Pereira constata que na campanha de Ferreira Leite «há erros, mesmo erros graves? Certamente que há. Tem que se engolir alguns sapos, para usar a terminologia culinário-diabólica que por aí anda? E depois?» E depois nada, não há argumentos que possam destruir o tom conformista-pessimista de JPP, aliás os militantes do PSD que têm levantado problemas só o têm feito, não por terem razões de fundo, mas sim porque «não estão cá os nossos amigos, não está cá a nossa tribo, estão cá alguns inimigos figadais?».

 

Reduzindo assim a actividade do seu partido a birras entre amigos e inimigos, JPP dirige-se directamente ao interior do partido, mostrando indirectamente ao exterior que até aos militantes do PSD é preciso convencer em votar em Manuela Ferreira Leite, e isso não pelas qualidades da mesma (às quais certos membros do PSD são aparentemente impermeáveis), mas sim por um raciocínio de mal menor: «Não gostam de  Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?».

 

Os estranhos às querelas do PSD não podem evitar de tirar a conclusão lógica de que não há razões em si para ter esperança em Manuela Ferreira Leite, mas apenas a certeza de que continuar com Sócrates seria pior.

 

No fundo não há diferença com o texto que Sócrates escreveu há dias dizendo que enfraquecer o PS era querer que a direita ganhasse. Num certo momento temos a sensação que PS e PSD discutem apenas entre si o poder, motivando internamente as tropas, e, neste caso, assumindo sem tretas que nesse combate «não há razões máximas, gloriosas, teoricamente atractivas».

música: tiro no pé

Pacheco Pereira bem pode tentar emendar a borrada que fez. Ele é o cérebro que a Manuela não tem e mais ninguém tem na direcção do PSD. Com os tiques que trouxe do PCP-ML, é-lhe natural fazer aquilo que foi feito e, depois, usar do argumento do mal menor. Que feitio, meu Deus!

O pior é que todos os argumentos que usou, os devia ter usado em devido tempo para evitar que tivesse sido feito o que foi feito.

Inteligente como é, já percebeu que os votos estão a fugir. Os de fora, que não vêem renovação nas listas do PSD; os de dentro que vêem 1/3 do PSD ostracisado da maneira mais estalista. Parece memso um grupúsculo político do tipo PCP-ML.

Ah Pacheco Pereira! Não te livras das tuas origens políticas.
commonsense a 15 de Agosto de 2009 às 20:42

O artigo de Pacheco Pereira é mais uma desilusão. Para quem foi tão crítico dos consulados de Lopes e Menezes, para quem colocou a bandeira do Partido ao contrário, para quem lançou um livro sobre o partido num momento crítico do PSD, compactuar com a pobreza destas listas é algo que não se compreende. Não pode valer tudo para chegar ao poder.
Ricardo Cataluna a 15 de Agosto de 2009 às 21:50


Os estranhos às querelas do PSD não podem evitar de tirar a conclusão lógica de que não há razões em si para ter esperança em Manuela Ferreira Leite, mas apenas a certeza de que continuar com Sócrates seria pior. - Elisabete Joaquim

Há boas razões para votar em Manuela Ferreira Leite:

1) Foi uma das primeiras pessoas a identificar o problema do endividamento como um das questões mais sérias da política portuguesa para os próximos dez anos.

2) Em conformidade, opôs-se ao programa de obras públicas do governo, que a ser executado, asfixiará o orçamento para as próximas décadas.

3) Propôs, ao invés, medidas de desagravamento fiscal para as PME´s, as quais, ao contrário das medidas do governo, abrangem efectivamente todoas as empresas e não apenas as seleccionadas pelo governo e que potenciarão o combate ao desemprego, também ele um dos principais problemas do país.

4) Fixou o discurso sobre a educação na exigência relativamente aos alunos em contraponto com o facilitismo que tem imperado nos últimos anos. Propôs também nesse domínio alterações nos domínios mais afectados pela actuação da equipa de educação: o estatuto do aluno, no sentido de maior exigência e disciplina, o estatuto da carreira docente, no sentido de acabar com a divisão da classe a meio, e a burocracia, no sentido de a diminuir em larga escala.

Pese embora a falta de jeito em termos de comunicação, MFL tem ideias certas. Não percebo, por isso que se diga que MFL está a esbanjar o capital adquirido por Rangel: é que este falava bem, mas apresentava propostas - se é que lhes podemos dar esse nome - erradas ou, pelo menos, duvidosas para a Europa, tendo, mesmo assim, ganho eleições.

MFL fala mal, mas o diagnóstico do país e as medidas avançadas estão correctas. Pessoalmente, tenho menos dúvidas em votar em MFL.

Quanto ao resto, a mercearia dos lugares interessa ao partido, mas não certamente aos eleitores, pelo que não partilho minimamente da análise deste post e da posição de Pacheco Pereira, a ser aquela que a Elisabete Joaquim pensa que é.
José Barros a 16 de Agosto de 2009 às 00:14

Percebi pelo texto que não concorda que não haja razões em si para se votar em MFL, mas não percebi o que quer dizer com isto:

«não partilho minimamente da análise deste post e da posição de Pacheco Pereira, a ser aquela que a Elisabete Joaquim pensa que é.»

Não concorda com a leitura que fiz do texto de JPP? Ou não concorda (comigo) sobre não haver razões para se votar em MFL?

Se for esta última esclareço que na análise que fiz, em nenhum momento dou a minha opinião sobre haver ou não coisas boas em MFL, digo que o texto de JPP é um tiro no pé pois passa a mensagem que não há razões em si para votar em MFL, não digo que concordo.

Se, por exemplo, o JPP tivesse mostrado, como o José Barros fez, razões em si que justifiquem o voto em MFL o artigo teria tido um impacto muito mais positivo nos leitores não-militantes.


Desde 1985, a primeira vez que pude exercer o meu dever cívico, terei votado PSD em cerca de 90% dos actos eleitorais, contudo desta vez não o farei, afirmei antes das listas que não votaria no partido caso Pedro Passos Coelho ou Miguel Relvas fossem excluídos, para mais o meu índice de pachecopereirismo sempre foi baixo, contemplar a passagem do tempo por um banco no jardim de Sto Amaro deve provocar alucinações ou distúrbios do foro mental, talvez até um delírio galopante...
António de Almeida a 16 de Agosto de 2009 às 00:54

Não concorda com a leitura que fiz do texto de JPP? Ou não concorda (comigo) sobre não haver razões para se votar em MFL? - Elisabete Joaquim

Não concordo com a leitura que faz da posição de JPP.

Quem aterre em Portugal e não conheça JPP faria uma interpretação do artigo do homem como a que Elisabete fez, porque, de facto, o texto em causa não oferece um argumento de índole positiva para se votar em MFL. Mas sabemos também todos que esse leitor estaria errado. JPP escreve mutos textos e fala "n" vezes na televisão. Pelo que é seguro dizer-se que conhecemos a sua posição sobre MFL e sobre estas eleições em particular. E o que não tem faltado nesses textos e intervenções televisivas de JPP são argumentos de índole positiva para se votar no PSD. Aliás, todos aqueles que elenquei já foram referidos nas intervenções de JPP no Público e na Quadratura do Círculo.
É por isso que não considero justo que se pegue num texto de JPP e se queira fazer crer que o homem não apresenta argumentos, dia sim, dia não, para que as pessoas votem no PSD e em MFL.

Cumprimentos,
José Barros a 17 de Agosto de 2009 às 02:47

Ah, ok. Eu conheço JPP e sei do seu apoio a MFL. O que foquei no texto foi o facto de ele achar que muitos militantes do PSD eram impermeáveis às boas qualidades de MFL, e de reduzir a questão a amigismos e gostos. Estando JPP a dirigir-se a pessoas do seu próprio partido, parece-me que haveriam argumentos positivos de sobra para convencê-los sobre a necessidade de voto em MFL, e que assumir publicamente que tais razões não existem (para convencer os impermeáveis) é um ponto fortemente negativo para a opinião exterior ao partido.

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