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Ago 09
Por Jorge Assunção, às 19:37 | comentar

Os posts de Hugo Mendes, no Simplex, são um bom exemplo da esquerda que nos tem governado nos últimos anos. Alguns exemplos:

 

Porque é que muitas empresas preferem não exportar? Ora, porque exportar é mais exigente do que apostar no mercado doméstico.

 

Desta nossa fraca orientação para o exterior

 

A prioridade não é obrigar os grandes (e não tão grandes) grupos portugueses a mostrar o que valem lá fora.

 

Hugo Mendes acha que as empresas não exportam por preferência e por uma fraca orientação para o exterior? É isso? E nada melhor que o Estado para alterar as preferências e orientar, ou deverei dizer antes obrigar, as empresas a exportar? De facto, numa coisa concordo com Hugo Mendes, o Estado é a chave para resolver o problema, mas parece que Hugo Mendes não coloca a hipótese de que existem empresas que adorariam exportar e alargar o seu mercado lá fora, mas que quando tentam, falham. E falham porque não são competitivas - no fundo, o que discutimos quando nos referimos ao problema das exportações nacionais é esse mesmo, o da nossa baixa competitividade. Mas  as empresas exportadoras nacionais não são competitivas por factores exógenos às próprias, nomeadamente por questões relacionadas com o mercado de trabalho e as leis fiscais do seu país de origem. Hugo Mendes, em vez de pretender alterar o mercado de trabalho e a fiscalidade, parece considerar que tal resolve-se com subsidios. É, afinal, a solução socialista para tudo: subsidiar, subsidiar, subsidiar. Claro que isso tem um preço: impostos, impostos, impostos. Se o objectivo é atolar-no na lama, meus amigos, caminho aberto: votem PS.

 

Já agora, e só porque os posts do Hugo Mendes são demasiado bons para não os aproveitar, quando este diz:

 

Se não houver um incentivo, um mecanismo propulsor, um trampolim, um apoio, o que lhe quiser chamar, as empresas continuarão, com toda a probabilidade, a prosseguir o mesmo comportamento confortável do passado.

 

Fica a pergunta: porque será que o mercado dos bens não transaccionáveis tem tido tanto sucesso no nosso país e as nossas empresas têm-se dado bem com ele?  Porquê que a aposta neste sector tem sido confortável para as nossas empresas? Ora adivinhem? Porque os sucessivos governos, especialmente os do partido socialista, têm protegido o sector e gerado incentivos para as empresas adoptarem esse comportamento. Mas não se preocupem que o PS tem agora a solução do problema.


Caro Jorge,

Alguns pontos:

1. Ninguém defendeu que as empresas devem ser obrigadas a exportar. Saberá seguramente a diferença entre "obrigar" e "incentivar".

2. As nossas empresas têm muitos problemas de competitividade, exógenos e sobretudo endógenos, em particular a mão de obra e as competencias em gestão. Já agora, compare a rigidez do nosso mercado de trabalho com outros paises exportadores: com a quantidade de recibos verdes que existem, acha que o nosso problema é de excessiva rigidez ou excessiva precariedade?

3. Mas alguém falou em mais impostos? Já ouviu falar em incentivos fiscais?

4. Escreveu: «Porque os sucessivos governos, especialmente os do partido socialista, têm protegido o sector e gerado incentivos para as empresas adoptarem esse comportamento«.
Gostava de ver um estudo comparativo entre as "benesses" dos vários governos. Dito isto, se houve coisas menos bem feitas no passado não é alibi para que não se façam coisas diferentes e melhores no futuro. Já agora, com o incentivo à privatização dos serviços públicos, quem é o partido que concorre a estas eleições com uma proposta para abrir mercados fáceis e não concorrenciais aos privados?

cumpimentos
Hugo Mendes
Hugo Mendes a 21 de Agosto de 2009 às 00:21

Caro Hugo,

1. Leio no post em questão: "A grande prioridade do PSD, já se vê, é abrir os serviços públicos ao sector privado. A prioridade não é obrigar os grandes (e não tão grandes) grupos portugueses a mostrar o que valem lá fora.". Presumi que para si, a prioridade do PSD devia ser "obrigar" os grandes grupos portugueses a mostrar o que valem lá fora, noto que me enganei.

2. Rigidez. Qualquer estudo sobre o mercado de trabalho português indica isso. Os recibos verdes, sendo um mecanismo para aliviar esse problema, vieram criar outro mais grave: os trabalhadores de primeira e os de segunda. Os de primeira, instalados, beneficiam da rigidez, os restantes, de segunda, são prejudicados pela rigidez.

3. Pensei que estivesse contra a diminuição dos impostos sugerida pelo André Abrantes Amaral. Agora vem-me falar de incentivos fiscais. E como paga incentivos fiscais a determinadas empresas se não diminuir despesa ou aumentar impostos noutro lado do orçamento?

4. "Gostava de ver um estudo comparativo entre as "benesses" dos vários governos.". Não é preciso estudo nenhum, digo especialmente do partido socialista porque este esteve 11 dos últimos 14 anos no poder. Mas repare que as "benesses" que falo não são necessariamente sob a forma de subsídios. O facto de termos um mercado de trabalho rígido, por exemplo, é um óptimo incentivo para um empresário preferir o sector dos não transaccionáveis sobre o dos transaccionáveis. No caso do primeiro sector, pode repercutir os custos do mercado de trabalho no preço final do bem, passando o custo para o consumidor final, no caso do segundo sector as empresas são obrigadas a aceitar o preço estabelecido no mercado externo. Exportar é muito "mais exigente" porque os sucessivos governos assim têm garantido que seja.

"Já agora, com o incentivo à privatização dos serviços públicos, quem é o partido que concorre a estas eleições com uma proposta para abrir mercados fáceis e não concorrenciais aos privados?"

Esta questão acho curiosa vinda de alguém que apoia um partido que defende as grandes obras públicas. O que acha que são as grandes obras públicas, caro Hugo? Não vê a quantidade de empresários portugueses desejosos que lhe seja dada essa "benesse"?

Cumprimentos.

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