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Ago 09
Por zedeportugal, às 11:14 | comentar

Se Rui A. é (como eu penso) Rui Albuquerque, que eu tenho lido muitas vezes com gosto no Insurgente, então estou mesmo muito surpreendido com este texto que publicou no Portugal Contemporâneo. Tão surpreendido que nem sei muito bem por onde começar a refutar.


Numa apreciação critica muito rápida, posso (ultra)sintetizar a minha impressão na seguinte afirmação: penso que o actual primeiro-ministro estaria completamente de acordo com aquilo que escreveu.

 

Muito sucintamente, sobre o conceito de ética:
Os liberais acham muitas vezes ser seu dever acreditar que a ética política deve ser diferente da ética pessoal. Muitos definem a ética política como ética da responsabilidade, acreditando que essa ética é uma forma mitigada do clássico princípio republicano de Maquiavel de que os fins justificam os meios.
Outro erro comum do pensamento liberal é aceitar que o político é muitas vezes obrigado a tomar decisões que envolvem meios não muito aceitáveis para alcançar objectivos de interesse ou bem público.
Nada pode ser mais falso. Os fins nunca, mas mesmo nunca, justificam os meios. Se alguém é confrontado com uma decisão contrária aos seus princípios de ética pessoal, não deve tomar essa decisão. Não existe mal menor: só existe o mal.
Mas eu digo de outra maneira, para liberal perceber: Não existe um bem maior, colectivo, que deve supostamente sobrepor-se ao bem individual: só existe o bem.

 

Sei que o que afirmo contradiz o pensamento político (intelectualmente correcto) dito do republicanismo democrático, com origem em Maquiavel e com ideais expressos por autores como Tocqueville ou Arendt.
Enquanto cristão e defensor da democracia (semi)directa, acredito que é perfeitamente possível fazer política de outro modo, que não este da conquista do poder pelo poder, da ansia de domínio de alguns homens sobre todos os outros que conduz, impreterivelmente, à servidão individual e ao conflito colectivo.

 

Nota: Comecei este texto como comentário na caixa do referido post do Rui A. no Portugal ContemporÂneo, mas à medida que fui escrevendo comecei a pensar que seria importante tornar visível a mais gente esta resposta.

 


Caro Zé de Portugal,

Veja lá se este texto que em tempos escrevi em resposta a um outro do Henrique Raposo, ajuda a esclarecer o que pretendi dizer:

http://arquivoblasfemias10.wordp...o-que-se-casou/

Saudações,

RA
rui a. a 28 de Agosto de 2009 às 18:15

Não me parece que o 2º texto, para o qual me remete, esclareça a sua argumentação sobre ética, a que me oponho, no seu 1º texto onde faz a defesa de Paulo Rangel; não obstante concordar com muito do que ali escreve.

A minha oposição é apenas relativa às suas afirmações sobre ética na política. Não concordo de maneira nenhuma que a ética seja apenas "uma disciplina eminentemente individual" como afirma, mas ao contrário considero que é uma disciplina eminentemente social (usando a sua formulação), pois está ou deve estar subjacente a todas as normas da sociedade.

Estou equivocado ao pensar que os liberais defendem que "o que é bom para o indivíduo, é bom para a sociedade"?
zedeportugal a 28 de Agosto de 2009 às 23:30

perfeitamente de acordo... eu só acrescentaria ue é por este motivo que é um disparate votar no "mal menor"... queira-se ou não é sempre votar num mal...
caodeguarda a 29 de Agosto de 2009 às 09:09

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