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Set 09
Por Carlos Novais, às 23:33 | comentar

João Rodrigues na i aproveita a época para ressuscitar a taxa tobin em "O espectro de Tobin":

 

"James Tobin, que haveria de ganhar o prémio Nobel, propôs que se aplicasse um imposto modesto sobre as transacções nos mercados internacionais de divisas com o objectivo de reduzir a instabilidade cambial."

 

Começa logo aqui o problema, onde é que existe alguma evidência empírica clara que aplicar uma taxa de transacções diminui a volatilidade das cotações? Para não falar que de forma lógica podemos esperar efeitos imediatos como:

 

- um aumento do "spread" entre a cotação de compra e venda, dado o maior custo.

- a diminuição de liquidez nos mercados, o que fará com que exista um maior impacto no preço quando um agente da economia real necessita comprar ou vender a mesma quantidade de divisas 

 

Depois piora:

 

"Afinal de contas, o número de crises financeiras - cambiais e bancárias - mais do que triplicou desde os anos setenta, quando comparado com o período dos "trinta gloriosos anos" do pós-guerra marcado pelo maior peso da banca publica ou pela existência de controlos generalizados à circulação de capitais.

 

De facto nos anos 70 passou-se algo estrutural: o fim (na verdade um default) do padrão-ouro para o dólar, moeda de reserva que era até aí quantitativamente disciplinada pela obrigação em redimir dólares por ouro.

 

A partir daí os Bancos Centrais passaram a poder criar moeda e expandir o crédito (sem que seja necessária poupança prévia) com toda a "liberdade".

 

É esse o processo que provoca bolhas e crises dado que a fixação burocrática das taxas de juro e da quantidade de dinheiro, induz uma expansão do investimento em determinados sectores financiada por taxas artificialmente baixas e sem que para isso fosse necessária poupança prévia - tivesse esse investimento que competir por poupança existente e a taxa de juro seria maior, o que asseguraria a sustentabilidade de um menor número de projectos (aplica-se também ao crédito imobiliário, com a agravante que uma casa pode ser considerada não um investimento mas um consumo de longo duração).

 

A bolha rebenta quando o ritmo de crescimento de novas quantidades de dinheiro e crédito é restringido ou simplesmente desacelera, o que tem de ter lugar para a inflação não acelerar, colocando depois os bancos em situação precária que leva a corridas aos depósitos (e por muitas boas razões).  

 

"No campo económico, à liberdade de uns corresponde sempre a vulnerabilidade de outros: os benefícios da finança são privados, mas os custos dos seus desmandos, dada a natureza deste sector, são sempre socializados. "

 

Tem piada, os primeiros a defender as mais variadas ajudas são os primeiros a sacar da acusação de socialização de prejuízos. Gostaria sim de o ver a dizer algo como disse Henry Ford na Grande (grande, note-se, porque o intervencionismo de Hoover e Roosevelt a tornou grande) Depressão: em 1934:  

 

"Let them fail; let everybody fail! I made my fortune when I had nothing to start with, by myself and my own ideas. Let other people do the same thing. If I lose everything in the collapse of our financial structure, I will start in at the beginning and build it up again."  

 

Conclusão:   O economista como cobrador de impostos tem a criativa tarefa de arranjar os mais variados e imaginativos argumentos para taxar tudo o que mexa. Mas não se assume.

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Boa Análise.
Filipe Faria a 9 de Setembro de 2009 às 01:41

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