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Set 09
Por Jorge Ferreira, às 09:16 | comentar

As eleições legislativas de 27 de Setembro servem para eleger 230 deputados à Assembleia da República. Mas se perguntarmos a qualquer cidadão na rua para que vai votar nesse dia, com toda a certeza que a resposta mais frequente que ouvirá é que o cidadão vai eleger o Primeiro-Ministro. A isto conduziu a fulanização da política e das eleições. Interessa mais o estilo do que as ideias, o aspecto do que a substância, as palavras do que os programas.

 

Poucos saberão os nomes daqueles cuja vida vai mudar se forem eleitos deputados. Mas todos discutem se Sócrates é melhor que Ferreira Leite ou vice-versa. Por outras palavras: os cidadãos aprestam-se para votar numa eleição que não existe na lei, a de Primeiro-Ministro e não votar na eleição efectivamente prevista na lei, a dos deputados, cujos nomes nem se dão ao trabalho de ler à porta das assembleias de voto, mais que não seja, uns minutinhos antes de entrar na cabina de voto.

 

Esta disfunção mostra bem a desadequação do sistema político português. Ela gera um vazio de representação política parlamentar. Ninguém se pode sentir representado por quem nem sequer conhece. Ninguém se pode sentir representado por quem não pode responsabilizar pelos seus actos. Na verdade, os eleitores que conscientemente votam em deputados, nem sequer estão a escolher. Estão a escolher entre escolhidos. É a ilusão da democracia representativa.

 

Existem duas reformas essenciais a fazer no sistema eleitoral.

 

A primeira é permitir as candidaturas de independentes à Assembleia da República. O campeonato partidário está esgotado, viciado à partida. Precisa de um grande susto. E a democracia precisa de respiração. O monopólio partidário nas eleições legislativas está a corroer a democracia por dentro, porque contribui para o distanciamento dos cidadãos da instituição parlamentar, e contribui para o descrédito do próprio sistema.

 

A segunda é a da criação de círculos uninominais, para que toda a gente tenha efectiva capacidade de decisão eleitoral e saiba quem é o seu deputado. Evidentemente que os partidos têm medo disto, porque o poder das direcções escolherem os seus fiéis para as listas fica comprometido. Mas, não tenhamos dúvidas, estas duas medidas provocariam um novo entusiasmo cívico e político na sociedade portuguesa e dotaria o sistema político de mais saúde e transparência.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro e no Tomar Partido)


-Não poderia estar mais de acordo, obviamente que deixariamos de ouvir falar em histórias que desconheço se serão verdadeiras, como declarações de renúncia assinadas sem data, chantagem sobre os deputados, entre outras tropelias do agrado dos partidos. Dirão alguns que existe o perigo do caciquismo, em primeiro lugar ele já está instalado aqui ou ali, depois uma dúzia de populistas num universo de 230 não terão grande significado. Por fim o poder da A.R. é legislativo e não executivo, é mais apetecível para alguns figurões que conhecemos exercer o poder numa autarquia, onde se pode licenciar ou não determinada obra, alterar PDM ou contratar funcionários do que trabalhar politicamente na A.R.
António de Almeida a 11 de Setembro de 2009 às 09:51

Elegem-se os deputados que melhor serviram o Partido - daí terem sido reconduzidos - em vez dos que melhor serviram o eleitor.

Neste contexto, a eleição é uma farsa. O eleitor não tem poder de escolher os seus deputados e nem tem uma palavra a dizer na escolha dos seus ministros. É tudo cozinhado entre algumas famílias partidárias.

Assim, a próxima eleição não passa de escolher o menu com os temperos mais apelativos: o menu económico, o menu socialmente temperado sem sal, o menu old red time, o menu melancia, o menu assexuadamente modernaço e o menu familiar. Sem esquecer, claro, de se pagar a conta depois do repasto.
jorge a 11 de Setembro de 2009 às 10:55

Apoiado. Parece existir cada vez maior consenso em vários círculos sobre este assunto.
Carlos Novais a 14 de Setembro de 2009 às 11:39

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