14
Set 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 16:47 | comentar | ver comentários (1)

 

 

 A campanha eleitoral teve o seu verdadeiro início no debate de Sábado à noite e deste, apenas retivemos a tirada de Manuela Ferreira Leite, referindo-se ao TGV. Soou a desabafo que avisa os portugueses para um estado de coisas que os últimos anos apenas têm agravado. Em alguns segundos fez o pleno de uma certeza de séculos, hoje habilidosamente escondida  por detrás do biombo da integração europeia. Contestada na  Irlanda, França, Dinamarca e Holanda, a "integração" pressupõe aquilo que muitos - a maioria - dos Estados não querem ceder, ou seja, a soberania, por mais residual que esta se tenha tornado.Os sectores de distribuição, largas extensões de terra alentejana, o imobiliário e agora de forma mais visível os media, têm sido "integrados" ao sabor das conveniências económicas e políticas de um vizinho cuja própria unidade se encontra numa fase de evolução e incógnita. Ferreira Leite fez bem e a prova disso mesmo, consistiu na imediata reacção do governo de Madrid e na mal disfarçada estupefacção do nosso primeiro-ministro. O TGV não é uma prioridade que todos sintam como inexcusável e muito pelo contrário, coloca questões às quais ainda não houve uma resposta que tranquilize a parte portuguesa do negócio:

1. Qual o verdadeiro preço do empreendimento e a utilidade de uma linha de Lisboa ao Porto, na qual se pouparão escassos minutos de viagem? Qual os preços das mesmas? Poderão concorrer satisfatoriamente com os actuais vôos low-cost?

2. Que consequências essa súbita proximidade entre Lisboa e Madrid não provocará o êxodo de empresas e até de representações diplomáticas, concentradas na capital espanhola por evidente racionalização de gastos e gestão de serviços?

3. Se a linha para Madrid servirá sobretudo para argumentar politicamente com o almejado contacto com a Europa além-Pirinéus, qual a real utilidade de linhas internas portuguesas que ao contrário de países como o Japão, não irão servir para o transporte de pessoal aos centros de trabalho e pelo contrário, terão infalivelmente de ser subsidiadas pelo Estado?

4. Liquidada - com a indiferença do governo - a empresa Bombardier que podia ter contribuído poderosamente para a construção de material ferroviário para esse "TGV", que interesse representará tal empreendimento para a nossa cada vez mais reduzida indústria?

 

Este seria um tema que os principais contendores deveriam exaustivamente abordar durante a campanha, para uma cabal avaliação popular daquilo que o interesse nacional deverá ditar às urnas. Até hoje, permanece no ar a desconfiança popular por um empreendimento que aparenta consistir numa promessa de benefícios evidentes para certos sectores que fazem a "navegação triangular" entre a banca, betão e política. O regime que prove o contrário!

 

O segundo caso, este praticamente despercebido após a fragorosa derrota louçanista no debate com o primeiro-ministro, consiste na acusação feita "à direita", de estar a promover uma "campanha de ódio" contra o Bloco de Esquerda. Curiosa lamúria, quando provém precisamente do partido que se especializou na pior forma de populismo que tão maus resultados teve na Europa do século XX. Há já uma década, o BE iniciou um ininterrupto programa de acicate ao ódio, inveja, suspeição e acusação de todo o tipo de iniquidades aos seus imaginados inimigos que grosso modo, correspondem a todas as outras forças políticas concorrentes. Ainda estão bem presentes as imagens do dia do Regicídio em 2008, quando no Terreiro do Paço um bando de energúmenos que fazem as vezes de tropas de choque bloquista - as SA de Louçã -, tentaram sem sucesso, perturbar a cerimónia de reparação nacional à memória das vítimas do 1º de Fevereiro. Seguiu-se o caso "Verde Eufémia", com oviolento ataque à propriedade privada de um pequeno empresário, não se perdendo a oportunidade para a agressão física a quem corajosamente defendeu o seu trabalho. Seria curioso proceder ao visionamento dos videos disponíveis, para concluir até que ponto os "anarquistas do Bloco" e os "verde-eufemistas" coincidem na identidade. Já este ano, no 1º de Maio, assistiu-se ao deplorável e vergonhoso espectáculo do ataque a Vital Moreira, procurando um bem identificado membro da "juventude do BE", fazer cair o odioso da agressão sobre os sectores do PC presentes na manifestação da Intersindical. Caída a máscara - denunciada no 5 Dias e noutros blogues da esquerda -, regressou o silêncio comprometedor da imprensa colaboracionista, geralmente pertencente aos famigerados "grandes interesses" que Louçã tanto gosta de "denunciar".

 

O sr. Francisco A. Louçã diz-se vítima de ódio, procurando religiosamente alçar-se à categoria de mártir, talvez à semelhança dos seus compreensíveis "aliados tácticos e tácitos" do Médio Oriente. De facto, a última semana demonstrou que o Conducatordo BE não tem relevância para suscitar mortal antipatia, descoberto que foi o seu calcanhar de Aquiles. No debate com Sócrates, o país ficou finalmente ciente de um programa caquético de cem anos e que pressupõe a acelerada passagem de Portugal para um fatal regime de atraso, bestialidade legislativa e repressão de todas as liberdades. Nada de novo, nada que não soubéssemos desde sempre. Mas a máscara caiu e mais vale tarde que nunca. O ódio de que Louçã fala, de facto existe: não contra este ou aquele menino de ouro,  privilegiado das sinecuras que o BE julga sempiternamente suas, mas um ódio visceral, profundo e invencível a tudo aquilo que um "regime BE" possa significar. Nisto Louçã tem carradas de razão. Ainda bem.

 

Sr. Louçã, chegou a hora de Portugal inteiro lhe gritar um cosmopolita STOP HATE HERE!


09
Set 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 19:24 | comentar

 

 

O facto de alguém não ter qualquer intenção de votar num dos partidos do sistema, oferece-lhe a oportunidade única de proceder a uma análise imparcial dos debates para as legislativas.

 

Ontem à noite, o primeiro-ministro foi de longe, o vencedor num frente-a-frente que todos adivinhavam difícil, senão massacrante para o mesmo. Sócrates deve ter visionado outros debates nos quais o sempre aguerrido e provocador Louçã acabava por vencer, mercê da habitual catadupa de alegações, escândalos isolados - uns verdadeiros e outros imaginados, mas que fazem o todo - e apelo à básica inveja, sentimento de impotência e recalcamento que minam uma boa parte de uma sociedade cada vez mais empobrecida. Como dizíamos aqui e aqui, o BE é hoje uma emulação aparentemente contrária do Front National de Jean-Marie Le Pen, mas copiando-lhe a táctica e a estratégia tendente à conquista de posições. Seguindo a velha cartilha dos totalitarismos dos anos 20 e 30, o populista Conducator Francisco Anacleto Louçã tem o verbo fácil e aquela ousadia que o Dr. Goebbels tornou universalmente conhecida, ao repetir até à exaustão, suposições que se tornam indesmentíveis verdades num mundo que bastas vezes é apenas ficção criada pelo chefe extremista.

 

O primeiro-ministro parece ter compreendido aquilo que apenas a actual falta de cultura política dos nossos dirigentes deixava passar por timidez, ou pior ainda, devido a uma enraizada cobardia ditada pela coacção moral, arcaica de quarenta anos. Sócrates leu o programa do BE que no essencial, não será diferente daquele que os progenitores desta coligação - a UDP e a LCI (PSR) - propunham desde 1975. Na verdade, Louçã é um dos dirigentes mais vulneráveis à derrota em qualquer frente a frente com todos os outros chefes partidários, à excepção do simpático, prudente e rígido Jerónimo de Sousa, aliás incapaz - justiça lhe seja feita - da acintosa grosseria do seu detestado e rival companheiro de leninismo.

 

O chefe socialista apercebeu-se do essencial, ou seja, do sempre procurado objectivo de esmagamento da classe média - a famigerada burguesia -, passo primeiro para a conquista do poder total. No entanto, fica no ar a sensação de tal luz ter surgido da leitura das compilações contabilísticas e não do conhecimento da história e dos fundamentos ideológicos do universo comunizante. Sócrates não conseguiu ir mais além do que um apontar o dedo à "esquerda radical" e permitiu que Louçã tivesse ousado denominar-se como "um socialista". O Conducator do BE é um comunista dito trotsquista, a facção do PCUS derrotada pelo matreiro José Estaline e que para a história ficou como uma desvanecida possibilidade de uma diferente URSS. No essencial, a vitória do sr. Leon Trotsky pouco ou nada alteraria na construção totalitária do poder do Partido Comunista e apenas a patine intelectual emprestada pelo cosmopolita Bronstein faria a diferença. Uma marginal questão de imagem, habilmente orquestrada e branqueada num Ocidente bastante hipnotizado pela propaganda coactora da razão. Se a Louçã questionarem frontalmente se é um comunista e qual a sua opinião acerca da revolução soviética, não existirá a mais remota hipótese de fuga. O tergiversar apenas confirmará a verdade que no fundo, todos conhecem.

 

A obsessão que Louçã professa pelo aniquilar do sector bancário, obedece ao respeito canónico pelo pensamento de Lenine.  Na lógica da economia de mercado - o capitalismo a abolir -, o crédito deverá ser controlado pelo poder central, ou melhor dizendo, por aquilo que em sentido lato se designa por Partido. A táctica quase mitológica da conquista do poder por etapas - impossibilitada a "revolução" por um hoje bastante imaginário "proletariado" -, prevê o condicionamento estrangulador de todos os sectores da economia, através do simples recurso á secagem do manancial financiador da iniciativa. No nosso país, tal aconteceu logo após o 11 de março de 1975, quando a banca nacionalizada, possibilitou a  sucção dos seguros, da indústria e de boa parte do sector agrícola. Concentracionariamente controlados pelo Estado que se concebia como a face oficial do partido "do povo", os sectores de actividade viam-se despojados dos empresários, financiadores capitalistas e daquela essencial camada intermédia que organizava a produção e viabilizava o crescimento. Liquidada pela ruína, a economia capitalista passava então para a fase de adequação à quimera do Plano, essencial à padronização "por baixo" de toda a sociedade, agora refém de um ultra-minoritário sector de privilegiados "condutores das massas em direcção ao socialismo". 

 

O que se torna espantoso é o facto de nenhum dirigente - o culto e informado Paulo Portas incluído no rol - ter jamais confrontado o sr. Francisco Anacleto Louçã com o seu passado sempre tão orgulhosamente presente. O programa do BE é simples, linear e tão previsível como as fases da Lua. Uns arremedos de liberalismo da moda - as questões fracturantes que posteriormente se aniquilariam na fase de consolidação do poder e em nome da moral proletária,  tal como aconteceu na URSS, satélites do Leste, China -, servem perfeitamente para abstrair o eleitorado do núcleo duro do verdadeiro e disfarçado programa: a economia e finanças.  Louçã já imagina um país submetido ao ditame da concessão do crédito em troca da obediência e o actual estado de coisas na China aponta uma remota, mas possível via para o sucesso. De nada servirão as realidades teimosamente ditadas pelo diminuto poder de autonomia que um Portugal económica e territorialmente definhado hoje apresenta. Sonhando com a autarcia que se torna na derradeira possibilidade para um absolutismo que ainda parece ter algumas hipóteses de vigência noutras paragens de atraso social e económico  - Cuba, Coreia, Venezuela, etc - , os dirigentes do BE adoptam a pose burguesa que provisoriamente tranquiliza os da "sua classe" e elimina a inevitável suspeita que afasta o eleitorado. 

 

Pode ser  muito fácil derrotar Louçã, se houver a vontade de obter uma vitória clara, obrigando-o a dizer o que realmente pensa, quer e está escrito em páginas que testemunham uma caminhada ao longo de mais de trinta anos e impossível de esconder.  A incógnita consiste afinal, na preparação que cada dirigente terá do conhecimento da história - aquela famigerada factual serve perfeitamente -, a essencial e impenetrável armadura que garante um êxito que de tão fácil, remeterá o agressivo aspirante a ditador para o sótão das arrumações.

 


Por zedeportugal, às 12:45 | comentar | ver comentários (5)

Há que dizê-lo claramente: - Não me parece que tenham razão os meus colegas comentadores Vitor Jesus, Samuel Paiva Pires e António de Almeida, quando escrevem ali mais abaixo que Sócrates ganhou o debate.

 

Depois de ver com atenção a gravação do debate - yesterday, late at night - a minha opinião é que Louçã esteve o tempo todo a pôr-se a jeito para uma coligação com o PS. Transparece ali um Louçã cheio de ambição para chegar ao poder e a ver esta como uma oportunidade única.

 

Penso que estas afirmações de Louçã, quase no final, fazem prova da minha apreciação:

"Eu percebo que o engenheiro Sócrates apele à maioria absoluta: não sabe governar sem maioria absoluta. Mas a maioria absoluta foi o problema em Portugal. E eu dirijo-me - engenheiro Sócrates - aos eleitores socialistas, que lhe deram a maioria absoluta e que sabem que a guerra foi feita pelo governo contra eles."


06
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 22:51 | comentar | ver comentários (2)

Para quem não seguiu hoje a Convenção Nacional do Partido Socialista, aqui fica a sinopse:

(Sócrates combatendo o monstro do retrocesso, usando tecnologia moderna e inovadora para o efeito)
Director: José Sócrates
Writer: Igreja Nacional do Reino de Sócrates

Genre: Fantasia, Drama, Comédia

Tagline: Avançar Portugal!

Plot: The Dark Side, também conhecido por PSD, ameaça envolver Portugal na triste penumbra de uma Era pré-Magalhães, levando o país numa «via verde para o retrocesso». Sócrates, o Salvador Vindo do Futuro, é o único com o poder da Esperança que pode fazer Avançar Portugal.

Fun Stuff

Trivia:
Era o dia de anos de Sócrates e todos cantaram os parabéns.
Goofs:
Em voz-off, Almeida Santos referiu-se ao Magalhães como «as modernidades inventadas aqui pelo primeiro-ministro».
Quotes:

Jaime Gama: «O PS tem a consciência de ter feito o país Avançar. Avançar sobre o presente e Avançar sobre o Futuro».

 

Teixeira dos Santos: «O PSD quer matar a esperança!».

 

Luís Amado: «O PS nunca teve medo do mundo, o PS reabriu o país ao mundo com o coração que bate e que transforma o Universo».

tags: ,
música: «When I Ruled the World»

04
Set 09
Por Ricardo Cataluna, às 16:29 | comentar

1. Não aprecio o estilo de Moura Guedes, nem os notíciários que apresenta. Uma das maravilhas do mercado é a concorrência: quando não gosto do que vejo na TV, mudo de canal. De resto, o Jornal de Sexta foi, muito provavelmente, mais benéfico para José Sócrtaes do que se pensa: permitiu a vitimização permanente do PM durante meses, até porque Moura Guedes goza de muitas inimizades na política e nos Media ( já agora, Santa Hipocrisia a de alguns jornalistas). A Campanha Negra foi o principal tema de muita da política de Sócrates, especialmente na segunda metade do seu (longo e penoso) mandato. Basta recordar o beija-mão permanente e uma certa histeria anti-imprensa (desde que criticasse o PS) que dominou o último Congresso de Espinho.

Esta decisão de cancelar o Jornal Nacional, ainda com muitas informações desencontradas e por esclarecer, é péssima para Sócrates e para o PS. Mesmo que ele não tenha nada a ver com o assunto, o que não acredito, até pelo que já se escreveu por aqui.

Sócrates tem tanto jeito a lidar com a imprensa crítica do seu trabalho como o Nuno Gomes tem na hora de acertar na baliza. E agora caem-lhe todas as suspeitas em cima, por culpa do próprio PM. É a vida.

 

2. Talvez fosse uma boa altura para discutir a linha editorial dos Media portugueses. Pessoalmente, preferia que se assumissem e declarassem, claramente, quem apoiam ou não apoiam, como acontece com os principais jornais espanhóis. Sempre era preferível do que assistir a lições de pseudo-independência e pseudo-jornalismo dadas por aqueles que não têm legitimidade para as dar.

 

Texto também disponível n' O Bom Gigante


01
Set 09
Por Ricardo Cataluna, às 23:55 | comentar

A entrevista desta noite à RTP1 correu muito bem a Sócrates. O PM tem uma habilidade para transformar qualquer conversa num monólogo decorado ao limite. A imagem e a mensagem passam sem grandes problemas.

O problema é que Sócrates fala como se não tivesse sido Primeiro-Ministro: parece que não diabolizou os professores, que o desemprego não aumentou, e que nem sequer estamos mais pobres do que há 4 anos. A culpa é sempre dos outros, as virtudes são todas dele.

Um Primeiro-Ministro que teve condições excepcionais de governabilidade e que desaproveitou esta legislatura para fazer reformas estruturais, não merece uma segunda oportunidade. Só é pena que não haja uma alternativa à altura.

 

Texto também disponível n' O Bom Gigante.

 


21
Ago 09
Por Jorge Assunção, às 19:10 | comentar

Nos Estados Unidos, Barack Obama também introduziu no pacote de estímulo à economia a construção de uma rede de comboios de alta velocidade (notícia aqui). O especialista em transportes Eric Morris e o economista Edward Glaeser andaram a fazer contas a propósito dessas ligações. Infelizmente, para os políticos empreendedores com o dinheiro dos outros, os dois peritos em causa também não ficaram muito convencidos com as potencialidades da coisa.


14
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:19 | comentar | ver comentários (5)

O cartaz diz "Avançar Portugal" (movimento para a frente), mas mostra pessoas paradas à volta de Sócrates, olhando para ele, algumas até de costas para nós.

 

Não é uma falha de comunicação. Pelo contrário, é uma excelente imagem da forma pela qual Sócrates se propõe fazer Avançar Portugal: é uma metáfora para centralização do poder num Estado Forte. Não é Portugal que está a avançar no cartaz, Portugal está paradinho a olhar para Sócrates e delegando nele, de forma muito satifeita, o seu poder de acção para que, ele sim, faça Avançar Portugal.

 

O cartaz pinta Sócrates como um Líder Iluminado que olha directamente para o futuro de Portugal (para cima); como Líder Forte, rodeado /apoiado pelos portugueses que focalizam nele as suas esperanças (olhares) para o futuro; e Líder idolatrado (rodeado de mulheres) que assume a sedução/marketing político como alavanca necessária ao exercício do poder.

 

E ainda o acusam de não ser transparente.

música: I'm too sexy for my country

11
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 11:13 | comentar | ver comentários (5)

José Sócrates escreveu um artigo de opinião no JN onde define esquerda à custa de direita, ou vice-versa, usando para tal a categoria de tempo e a dicotomia futuro/passado.

 

A palavra “futuro” aparece nove vezes no texto, igual número de vezes que palavras da família do “moderno”(/”modernização”), para definir a esquerda, em contraposição a expressões referentes ao tempo passado, também contadas nove vezes, que pretendem definir a direita. O que é novo é bonito, o que é velho cheira a mofo.

 

A esquerda moderna assume-se, com Sócrates de forma ainda mais visível, como uma corrente estética motivada pela “urgência” da acção, sem qualquer reflexão acerca da legitimidade, eficácia ou consequências da mesma: o que interessa é agir urgentemente de modo a trazer o futuro ao presente o mais rápido possível; andar para a frente por andar é ser moderno. Sócrates auto-proclama-se vanguardista, criador do novo, que os outros não acompanham por insensibilidade estética à força do futuro. Sei que insisto nas metáforas da Estética, mas tal é inevitável dado o vazio filosófico por trás de uma ideologia da bondade da acção em si mesma, que enaltece o novo por si só, independentemente das suas qualidades concretas.

 

Mas numa coisa Sócrates terá acertado: grande parte da direita é apenas o revés dessa estética de esquerda, enaltecendo a conservação em si mesma, independentemente da reflexão no valor moral daquilo que se pretende conservar.

 

Para ambos a categoria de tempo é essencial. Para um a ideia utópica de progresso, para outro a ideia romântica de paraíso perdido.

 


Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


pesquisar blog
 
Links
A arte da fuga
A barbearia do senhor luís
A cagarra
A casa de sarto
A casa dos comuns
A caveira vesga
A caverna obscura
A civilização do espectáculo
A destreza das dúvidas
A educação do meu umbigo
A grande alface
A janela do ocaso
A natureza do mal
A origem das espécies
A outra varinha mágica
A revolta das palavras
a ritinha
A terceira noite
A textura do texto
A voz do povo
A voz nacional
A voz portalegrense
As escolhas do beijokense
As penas do flamingo
Abrigo de pastora
Abrupto
Às duas por três
Activismo de sofá
Admirável mundo novo
Adufe
Água leve
Água lisa
Alcabrozes
Alianças
Aliança nacional
Alinhavos
Almocreve das petas
Apdeites v2
Arcadia
Arde lua
Arrastão
Aspirina b
Atuleirus
Avatares de um desejo

Bar do moe, nº 133
Blasfémias
Bem haja
Berra-boi
Bic laranja
Bicho carpinteiro
Binoculista
Bissapa
Blogo social português
Blogotinha
Blogs e política
Blogue de direita
Blogue da sedes
Blue lounge
Boca de incêndio
Boina frígia
Braga blog
Branco no branco
Busturenga

Cabalas
Caixa de petri
Caixa de pregos
Câmara corporativa
Campos da várzea
Canhoto
Cão com pulgas
Carreira da í­ndia
Causa liberal
Causa nossa
Centenário da república
Centurião
Certas divergencias
Chá preto
Charquinho
Cibertúlia
cinco dias
Classe polí­tica
Clube das repúblicas mortas
Clube dos pensadores
Cobrador da persia
Combustões
Confidências
Congeminações
Contingências
Controversa maresia
Corta-fitas
Criativemo-nos
Crónicas d'escárnio e mal dizer

Da condição humana
Da literatura
Da rússia
Dar à tramela
Dass
De vexa atentamente
Der terrorist
Delito de opinião
Desconcertante
Desesperada esperança
Do portugal profundo
Dois dedos de prosa e poesia
Dolo eventual
Duas cidades
Duas ou três coisas
2 rosas

Eclético
É curioso
e-konoklasta
Em 2711
Elba everywhere
Em directo
Encapuzado extrovertido
Entre as brumas da memória
Enzima
Ephemera
Esmaltes e jóias
Esquissos
Estrago da nação
Estudos sobre o comunismo
Espumadamente
Eternas saudades do futuro

Faccioso
Falta de tempo
Filtragens
Fôguetabraze
Foram-se os anéis
Fumaças

Gajo dos abraços
Galo verde
Gazeta da restavração
Geometria do abismo
Geração de 80
Geração de 60
Geração rasca
Gonio
Governo sombra

Há normal?!
Herdeiro de aécio?!
Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
Homem ao mar

In concreto
Ideal social
Ideias soltas
Ilha da madeira
Ilusão
Império lusitano
Impressões de um boticário de província
Insinuações
Inspector x
Intimista

Jacarandá
Janelar
Jantar das quartas
Jornal dos media
José antónio barreiros
José maria martins
Jose vacondeus
Judaic kehillah of portugal - or ahayim
Jugular
Julgamento público

Kontrastes

La force des choses
Ladrões de bicicletas
Largo da memória
Latitude 40
Liblog
Lisbon photos
Lobi do chá
Loja de ideias
Lusitana antiga liberdade
Lusofin

Ma-schamba
Macroscópio
Mais actual
Maquiavel & j.b.
Margem esquerda
Margens de erro
Mar salgado
Mas certamente que sim!
Mau tempo no canil
Memória virtual
Memórias para o futuro
Metafísica do esquecimento
Meu rumo
Miguel teixeira
Miniscente
Minoria ruidosa
Minudencias
Miss pearls
Moengas
Movimento douro litoral
Mundo disparatado
Mundus cultus
My guide to your galaxy

Não há pachorra
Não não e não
Nem tanto ao mar
Nocturno
Nortadas
Notícias da aldeia
Nova floresta
Nova frente
Num lugar à direita
Nunca mais

O afilhado
O amor nos tempos da blogosfera
O andarilho
O anónimo
O bico de gás
O cachimbo de magritte
O condomínio privado
O contradito
O diplomata
O duro das lamentações
O escafandro
O espelho mágico
O estado do tempo
O eu politico
O insubmisso
O insurgente
O islamismo na europa
O jansenista
O jumento
O observador
O país do burro
O país relativo
O pasquim da reacção
O pequeno mundo
O pravda ilhéu
O principe
O privilégio dos caminhos
O profano
O reaccionário
O saudosista
O severo
O sexo dos anjos
O sinaleiro da areaosa
O tempo das cerejas
O universo é uma casca de noz
Os convencidos da vida
Os veencidos da vida
Obrigado sá pinto
Oceano das palavras
Oeiras Local
Office lounging
Outubro

Palavra aberta
Palavrussaurus rex
Pangeia
Papa myzena
Paris
patriotas.info
Pau para toda a obra
Pensamentos
Pedro_nunes_no_mundo
Pedro rolo duarte
Pedro santana lopes
Pena e espada
Perguntar não ofende
Planetas politik
Planí­cie heróica
Playbekx
Pleitos, apostilhas e comentários
Politeia
Política pura e dura
Polí­tica xix
Polí­tica de choque
Politicazinha
Politikae
Polvorosa
Porcausasemodivelas
Porto das pipas
Portugal contemporâneo
Portugal dos pequeninos
Por tu graal
Povo de bahá
Praça da república em beja
Publicista

Quarta república
Quem dera que assim fosse

Registo civil
Relações internacionais
Retalhos de edith
Retórica
Retorno
Reverentia
Ricardo.pt
Rio sem regresso
Risco contínuo
Road book
Rua da judiaria

Salvaterra é fixe
Sem filtro
Sempre a produzir
Sentidos da vida
Serra mãe
Sete vidas como os gatos
Sobre o tempo que passa
Sociedade aberta
Sociologando
Sorumbático
Sou contra a corrente
Super flumina

Táxi
Tempo político
Teorias da cidade
Terras do carmo
Tese & antítese
Tesourinhos deprimentes
Tirem-me daqui
Tralapraki
Transcendente
Tribuna
31 da armada
Tristeza sob investigação
Triunfo da razão
Trova do vento que passa
Tubarão

Último reduto
Um por todos todos por um

Vale a pena lutar
Vasco campilho
Velocidade de cruzeiro
Viagens no meu sofá
Vida das coisas
25 centímetros de neve
Vento sueste
Voz do deserto

Welcome to elsinore

Xatoo

Zarp blog

 

Twingly BlogRank

blogs SAPO