09
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 13:41 | comentar | ver comentários (2)

Para além do que apontam o Jorge Assunção, Adolfo Mesquita Nunes e João Miranda, note-se a consideração quanto aos factores mais problemáticos para a realização de negócios. Os primeiros dois, destacadíssimos, são precisamente a ineficiência burocrática do governo e a restritiva regulamentação laboral. Nada que já não soubéssemos, atendendo a 35 anos de governação à esquerda no que diz respeito à política económica. E depois os liberais é que são perigosos para o país...

 

(também publicado no Estado Sentido)


08
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:08 | comentar

 

To act and produce, businessmen require knowledge, the possibility of rational calculation, not "faith" and "hope" - above all, not "faith" and "hope" concerning the umpredictable twistings within a bureaucrat's head.

 

Nathaniel Branden, in «Common Fallacies About Capitalism».

música: Sócrates no país das maravilhas

03
Set 09
Por P.F., às 02:05 | comentar

O Paulo é consultor imobiliário. O que significa que os seus ganhos dependem do seu sucesso profissional - comissões de suas vendas. O contrato que fez com seu "patrão", João, foi um contrato de prestação de serviços. Não tem subsídios de coisa nenhuma e as férias é ele quem planeia, em coordenação com outros consultores. Não têm um período definido, pois dependem também do seu desempenho durante o ano. Quantas mais comissões conseguiu, mais tempo e subsequentemente dinheiro ele poderá dispor. João não o obrigará a nada pois não quer perder um bom consultor que faz a agência ganhar bom dinheiro. Mas, nem tudo são opções, pois Paulo e João são obrigados a deduzir uma percentagem escandalosa para uma "segurança" social que não utilizam no momento presente e não sabem se irão usufruir no futuro, e têm obrigações fiscais superiores a outros trabalhadores por conta d'outrém. Inclusive daqueles que têm salário fixo independentemente do que produzem. Daqueles que fazem greve se alguém decide que devem ser avaliados, fazem greve se não têm o aumento que desejariam ou o que o sindicato indicou.

Ao fim de um ano Paulo e João trabalharam de sol a sol no mínimo seis dias por semana e descontaram de seus ganhos uma percentagem superior a todos os outros trabalhadores. Não fazem greve, não porque não possam mas sim porque não lhes serviria de nada. As férias e os seus cuidados de saúde - não me refiro ao SNS por razões óbvias - são pagos do seu próprio bolso, cujo conteúdo resultou do sucesso do seu trabalho.

Os outros recebem subsídios vários e têm acesso a estabelecimentos de saúde privados e de qualidade através da ADSE, porque muitos como João e o Paulo descontam balúrdios.

Nem todos os portugueses são nem poderiam ser consultores comerciais nem pofissionais liberais, é certo. Mas por que é que são sempre os mesmos a pagar as crises e as mordomias daqueles que nunca estão satisfeitos com nada que lhes cai do dinheiro dos outros?


24
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:31 | comentar | ver comentários (2)

No caso da derrocada numa praia algarvia, o discurso dos media, dos políticos, e das pessoas comuns, parece de acordo numa coisa: o que aconteceu foi uma fatalidade previsível, o resultado de uma combinação de causas que podiam e deviam ter sido neutralizadas. Provavelmente uma combinação que comporta o facto de haver construções perto do local, de ter havido um sismo há poucos dias, de ter havido maré cheia, chuva, etc. Se é certo que ninguém consegue, apesar dos esforços, apontar o dedo exclusivamente a uma causa, parece consensual que a causa complexa, tão complexa que permanece indeterminada, devia ter sido antecipada e controlada por alguém.

 

Apesar do sinal a enfatizar o perigo (que pelos vistos era expectável), uma família achou seguro deitar-se por baixo da arriba. Apesar desta evidência confirmada pelo acidente, outra família foi filmada no dia seguinte a fazer praia por baixo de uma arriba semelhante. Em resposta a se tinha medo de uma derrocada, a mulher entrevistada respondeu com ar temerário e de respeito pela natureza: “Claro que tenho medo! Ai sim, sim.”, acrescentando depois, com o ar fatalista de quem não foge à superstição: “Mas as coisas não acontecem todas ao mesmo tempo, no mesmo dia ou no mesmo ano”.

 

Centrar o debate no apurar da causa da queda da arriba, e indirectamente na responsabilidade de uma autoridade pela morte de pessoas, é uma espécie de tentativa de aplicação do Princípio da Precaução gone mad, que deveria originalmente servir como guia de não-acção (levando pessoas a não se expor a situações de perigo potencial), reformulando-o de modo a aniquilar fisicamente as oportunidades de perigo, o que só uma super-entidade gestora do espaço público pode fazer, aniquilando assim a própria  necessidade do Princípio de Precaução.

 

Para além do facto de que este tipo de raciocínio é fisicamente impossível de pôr em prática (seria necessário rebentar com todos os potenciais perigos nas praias, montanhas, florestas, etc), esta reformulação permite que não se responsabilize quem fez maus juízos, expondo-se a situações de perigo, mas sim o organismo que permitiu que as pessoas se confrontassem fisicamente com situações em que a avaliação de perigo é necessária. Trocado por miúdos, é a cedência de um dos mais primitivos raciocínios de sobrevivência a um organismo colectivo abstracto – o Estado.

 

Dizer que o Estado é incompetente por ter falhado em proteger fisicamente as pessoas das suas más decisões é retirar ao indivíduo a responsabilidade de zelar pela gestão da sua própria vida. É o mesmo tipo de raciocínio que acha necessário actuar fisicamente na quantidade de sal disponível aos consumidores de pão, retirando-lhes pelo meio a própria possibilidade do exercício de decisão em vista à gestão da sua segurança/saúde/qualidade de vida. E o que não é exercitado atrofia.

 


23
Ago 09
Por zedeportugal, às 23:00 | comentar

 

A propósito deste texto de Rui A. no Portugal Contemporâneo.


Por P.F., às 15:56 | comentar | ver comentários (3)
 

 

Eis os resultados da política fiscal socialista. Mas, como reage instintivamente um socialista nesta situação: propor cheio de fúria a proibição de tal envio de dinheiro e das ditas offshores e perseguição subsequente dos detentores do dinheiro enviado... desde que não seja o dele. Em relação a tudo o resto, nada é posto em causa, pois a culpa é de quem tem o dinheiro e das offshores.


20
Ago 09
Por zedeportugal, às 23:02 | comentar | ver comentários (1)

Fotos dos promotores da campanha de Obama em LisboaA pergunta vem a propósito da polémica aqui referida pelo João Miranda, do Blasfémias, a qual muita tinta tem feito correr por aí.

Este, clamado, profissionalismo dos colaboradores do Simplex não será já o resultado da prestação de serviços da tal Blue State Digital?

 

Just asking...

Agora, por favor, não me digam que o Novo Rumo não tem um art-director!

 

Nota: clique na imagem para ver a sua origem


10
Ago 09
Por P.F., às 17:44 | comentar | ver comentários (12)

The most fundamental difference between conservatism and libertarianism is one of ideology. Libertarianism is an ideology based upon abstract ideas and doctrines such as the free market, absolute liberty, and radical individualism. The libertarian foolishly believes that if his abstract ingredients are properly mixed within the social cauldron, an earthly utopia will bubble forth.

Conservatism, as H. Stuart Hughes declared, is the negation of ideology. Ideology is founded upon abstract ideas which possess no relation to reality, whereas conservatism is founded upon history, tradition, custom, convention, and prescription. As Russell Kirk put it, “[C]onservatism...is a state of mind, a type of character, a way of looking at civil social order. The attitude we call conservatism is sustained by a body of sentiments, rather than by a system of ideological dogmata.” The conservative puts his faith in the wisdom of his ancestors and the virtue of experience, rather than the abstract jargon of “sophisters, calculators, and economists.” He knows that there are no simple political formulas to solve all the world’s troubles.

Next, conservatives and libertarians disagree over what binds civil society. Libertarians view civil society as something artificial — a dissoluble agreement made to furnish individual self-interest. In their repugnant view, society is a “partnership in things subservient only to the gross animal existence of a temporary and perishable nature.” Society is merely a machine with interchangeable and separable parts, says the libertarian.

In contrast, the conservative declares that society is not a paltry economic agreement or a mechanical device, it is a spiritual and organic entity. The conservative, imbued with the spirit of Burke, sees society as a partnership between the living, the dead, and those yet to be born – a community of souls. Each social contract in each particular state “is but a clause in the great primeval contract of eternal society, linking the lower and higher natures...”

 

Independentemente da diferença das origens ideológicas e posicionamentos face a aspectos económicos e sociais, o que deve estar em causa quando se conjectura sobre um "Novo Rumo" para um país é a realidade desse mesmo país. Isto no sentido de identificar os problemas principais que o afectam: a máquina socialista que tomou conta do Estado e da economia portuguesas com respectiva teia de influências e de vícios. Neste sentido, faz sentido uma convergência entre liberais (ou libertários) e conservadores uma vez que há um adversário comum. Não é um modo de se ultrapassarem diferenças, pois essas existem e sempre existirão, mas sim virar-se uma página da história económica de Portugal que cisma em manter-se pois o sistema político eleitoral e as mentalidades estão acrioladas pelos princípios de Abril.


06
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 20:16 | comentar | ver comentários (7)

Estes dias pautados pelo debate político são sobretudo oportunos para perceber como é que os portugueses se auto-posicionam politicamente. Os momentos mais caricatos são aqueles em que o gatuno chama malandro ao ladrão, em que o perneta se gaba por correr mais rápido que o coxo, e, os meus preferidos, em que socialistas insultam outros com o epíteto de “esquerdista”.

 

Tomando as coisas mais a sério, não que ver dois loucos a diagnosticarem-se mutuamente não seja caso sério, convém chamar de uma vez por todas as coisas pelo nome: o que é «socialismo»? (Vamos esquecer as respostas fáceis com clichés de “esquerda” e “direita” que servem em grande parte, pelo menos em Portugal, para inaugurar uma frágil distinção entre socialismo e socialismo moderado.)

 

Podemos resumir brevemente «socialismo» como a doutrina que defende (pelo menos) que:

 

Moralmente o Estado tem o dever de zelar pelo bem-comum dos cidadãos, o que lhe confere o direito de, formalmente, praticar a redistribuição da riqueza produzida em ordem a possibilitar e manter estruturas sociais igualitárias para todos os cidadãos.

 

Aceitando esta definição, qual o partido de peso não-socialista em Portugal? Ainda de forma mais visível, o que tem sido a constante dança de poder PS versus PSD senão o alternar entre um socialismo assumido e um socialismo mitigado?

 

Parecendo-me que o exposto é evidente, onde buscar a explicação para o facto dos nossos chamados partidos de “direita” se recusarem a assumir a sua ideologia de base socialista?

 

Na prática a omissão resulta em estratégia eleitoral: a cisão artificial entre os partidos da dança dá aos eleitores uma falsa ilusão de escolha. E com os  partidários a coisa funciona numa espécie de clubismo / tradição política sem verdadeiro referente ideológico, um pouco à imagem dos sportinguistas que odeiam os benfiquistas (e vice-versa) precisamente por serem ambos de Lisboa e partilharam o mesmo território /tacho.

 

Que grande parte do eleitorado vá na cantiga como quem leva o cachecol à bola é assumido. Mas por mais que a esmagadora maioria da auto-proclamada elite intelectual faça uso de retórica, não disfarça o cachecol aos ombros.


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