08
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:08 | comentar

 

To act and produce, businessmen require knowledge, the possibility of rational calculation, not "faith" and "hope" - above all, not "faith" and "hope" concerning the umpredictable twistings within a bureaucrat's head.

 

Nathaniel Branden, in «Common Fallacies About Capitalism».

música: Sócrates no país das maravilhas

Por Elisabete Joaquim, às 13:37 | comentar | ver comentários (3)

Apesar do Ministro do Ambiente afirmar

 

isto: «Por mais intervenção que haja há sempre um risco potencial, porque um terço da costa portuguesa é arriba, mas não há nenhuma zona concessionada em situação de risco»,

 

isto: «Fora das zonas balneares há áreas assinaladas como de risco e as pessoas devem ser responsáveis»,

 

e isto: «margem de imprevisibilidade na natureza»,

 

conclui isto: 17 arribas vão ser demolidas



07
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:15 | comentar

Francisco Louçã disse ontem no debate com Manuela Ferreira Leite que os serviços privados de saúde, por serem privados, são de má qualidade.

 

_

 

 

*A isto Manuela Ferreira Leite optou por responder com factos, afirmando que muitas pessoas preferem serviços privados na saúde, e com contra-factos, dizendo que pessoas concordam em que em certas áreas o serviço nacional de saúde é mau, tem filas de espera, etc.

 

Louçã não foi e não é sensível a argumentos que subentendem que há racionalidade por detrás das escolhas e acções das pessoas. Manuela Ferreira Leite deveria ter directamente perguntado a Louçã o que torna um serviço privado intrinsecamente mau. A resposta de Louçã seria igualmente válida para explicar com que fundamento defende nacionalizações. Porque não a fez Manuela Ferreira Leite? É impossível que não tenha dado pela premissa escondida.

tags:

Por Elisabete Joaquim, às 18:59 | comentar

Acabou a Festa do Avante,

os comunistas estão de volta ao Trabalho.

 

(Foto tirada algures no Alentejo)

tags:

06
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 22:51 | comentar | ver comentários (2)

Para quem não seguiu hoje a Convenção Nacional do Partido Socialista, aqui fica a sinopse:

(Sócrates combatendo o monstro do retrocesso, usando tecnologia moderna e inovadora para o efeito)
Director: José Sócrates
Writer: Igreja Nacional do Reino de Sócrates

Genre: Fantasia, Drama, Comédia

Tagline: Avançar Portugal!

Plot: The Dark Side, também conhecido por PSD, ameaça envolver Portugal na triste penumbra de uma Era pré-Magalhães, levando o país numa «via verde para o retrocesso». Sócrates, o Salvador Vindo do Futuro, é o único com o poder da Esperança que pode fazer Avançar Portugal.

Fun Stuff

Trivia:
Era o dia de anos de Sócrates e todos cantaram os parabéns.
Goofs:
Em voz-off, Almeida Santos referiu-se ao Magalhães como «as modernidades inventadas aqui pelo primeiro-ministro».
Quotes:

Jaime Gama: «O PS tem a consciência de ter feito o país Avançar. Avançar sobre o presente e Avançar sobre o Futuro».

 

Teixeira dos Santos: «O PSD quer matar a esperança!».

 

Luís Amado: «O PS nunca teve medo do mundo, o PS reabriu o país ao mundo com o coração que bate e que transforma o Universo».

tags: ,
música: «When I Ruled the World»

05
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 12:27 | comentar | ver comentários (8)

Pedro Mexia pretende aqui pintar o libertarianismo como uma corrente estético-antropológica (optimismo), pela qual se pode ou não ter simpatia, mas que não pode ser levada a sério, e isso por motivos estético-antropológicos (pessimismo).

 

Saltando o problema da ausência de argumentação e do facto da adesão a ideias por sentimentos e simpatias, por visões do mundo optimistas ou pessimistas, serem em rigor equivalentes para o observador que não vê a política como uma subcategoria da Estética, há sobretudo no texto de Mexia o problema da ignorância acerca do que é o libertarianismo.

 

O libertarianismo é uma ideologia, e não um sistema político. Libertarianismo não “é” anarquia, como Mexia parece pensar, mas sim uma filosofia política da qual decorre na prática a necessidade de uma constante atenção e crítica ao poder, e isso, novamente contra a intuição de Mexia, precisamente porque os homens não são anjos. Daí a necessidade de controlo interno dos governos: if angels were to govern men, neither external nor internal controls on government would be necessary. Traduzido numa sistema político, o libertarianismo é compatível com um governo de funções minimalistas, uma minarquia, não advogando necessariamente a anarquia, desde que o Estado cumpra estritamente as suas funções e «deixe as pessoas em paz».

 

«Regras, códigos, restrições, procedimentos» não são apanágio exclusivo do «pessimista», daquele que está vergado pelo peso da realidade, qual anjo olhando com empatia para Sísifo, e olhando com condescendência o pateta alegre libertário incapaz de ver o cume da montanha. O libertário encara pelo contrário as «regras, códigos, restrições, procedimentos» como atributos inegáveis da realidade política e social humana, solidificando-os sem pudor no conceito de Lei e de Direito. O que o libertário não admite é a arbitrariedade dessas regras sociais politicamente estabelecidas, e muito menos umas regras contingentes que sejam na prática incompatíveis com regras e leis que este considera fundamentais.

 

Não querendo levar o texto de Pedro Mexia demasiado a sério, dado que é patente que é a estética e não a argumentação que comanda o ímpeto da escrita, uma coisa séria imana do mesmo: o «pessimismo» é deduzido a partir da premissa da necessidade de existência do Estado como se no contrato que se faz com esse prestador de serviço estivesse uma cláusula de cedência total dos poderes e deveres dos cidadãos na gestão das suas vidas privadas, e como se fosse impossível (fatalidade!) ter Estado e ter liberdade privada simultaneamente. Claro que comprometer-se com a atitude libertária de constante crítica ao poder político dá trabalho, e claro que ficar confortável na sua nuvem fatalista enquanto se vai observando resignado o teatro das vidas humanas como se dele não se fizesse parte é menos cansativo (e sempre se converte em material estético). «Mas fácil é a vida dos anjos.»

 


04
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 12:14 | comentar | ver comentários (3)

O Sindicato dos Jornalistas manifestou-se sobre aquilo que chama «a ingerência inaceitável da Administração da TVI» no caso do cancelamento do Jornal Nacional.

 

Na base da «indignação e repulsa» do Sindicato está o facto de não se aceitar que o poder económico tenha controlo directo sobre os conteúdos informativos, o que deveria ficar reservado ao Director de Informação. A Administração tem apenas um poder indirecto sobre a gestão dos conteúdos do seu canal, podendo apenas escolher que Direcção admitir ou demitir.

 

Estamos perante um repúdio da noção de que o jornalismo é um negócio como qualquer outro, e perante a premissa subentendida de que, pelo seu carácter  de pureza e neutralidade, o jornalismo não poder ser gerido por critérios de gestão económica sob pena de perder a sua aura de serviço imune às contingências humanas. Dito de outra maneira, a essência do jornalismo – o serviço público – merece um tratamento peculiar, daquele tipo de tratamento que em rigor pode apenas ser feito por uma Administração pública sem interesses económicos, o que explica a urgência com que o Sindicato exige uma intervenção da ERC (abstenho-me de comentar a irrazoabilidade de tal invasão da liberdade privada, o que o Carlos Novais já fez neste post), essa entidade que traduz a noção de que canais privados são admissíveis desde que respeitem a gestão que seria feita por uma administração pública, o que contraria a própria natureza da gestão privada, não necessariamente orientada para o «bem geral», mas sim para um mercado específico da procura.

 

Problemas esses que seriam evitáveis se neste país se assumisse que o jornalismo não é a santa virgem de olhar neutro e balança na mão. O jornalismo orienta-se naturalmente para um segmento de consumidores com propriedades específicas, as quais vão desde a simpatia por um certo tipo de opinião, a preferência por um certo estilo jornalístico, e a identificação com a predominância de um certo tipo de temas sob investigação. E nesta lógica de jornalismo livre, e subsequentemente necessariamente humano e direccionado, não faz sentido repudiar uma gestão orientada do mesmo. A TVI é um canal privado e deveria poder orientar livre e directamente os conteúdos que emite.

 


03
Set 09
Por Elisabete Joaquim, às 22:22 | comentar | ver comentários (2)

Francisco Louçã disse hoje na SIC que em ordem a combater os monopólios existentes em Portugal era necessária uma maior intervenção do Estado.


Por Elisabete Joaquim, às 22:19 | comentar

O debate entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa não foi um debate. O tipo de disputa do eleitorado que BE e PCP travam não se faz no campo das ideias mas sim no campo da imagética. A postura e tranquilidade dos dois líderes demonstrou a segurança com que sabem que o que os distingue está no estilo do eleitorado, estilisticamente moderno ou conservador, respectivamente. E sobre isso não há debate que valha, é tudo uma questão de imagem.

 


24
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:31 | comentar | ver comentários (2)

No caso da derrocada numa praia algarvia, o discurso dos media, dos políticos, e das pessoas comuns, parece de acordo numa coisa: o que aconteceu foi uma fatalidade previsível, o resultado de uma combinação de causas que podiam e deviam ter sido neutralizadas. Provavelmente uma combinação que comporta o facto de haver construções perto do local, de ter havido um sismo há poucos dias, de ter havido maré cheia, chuva, etc. Se é certo que ninguém consegue, apesar dos esforços, apontar o dedo exclusivamente a uma causa, parece consensual que a causa complexa, tão complexa que permanece indeterminada, devia ter sido antecipada e controlada por alguém.

 

Apesar do sinal a enfatizar o perigo (que pelos vistos era expectável), uma família achou seguro deitar-se por baixo da arriba. Apesar desta evidência confirmada pelo acidente, outra família foi filmada no dia seguinte a fazer praia por baixo de uma arriba semelhante. Em resposta a se tinha medo de uma derrocada, a mulher entrevistada respondeu com ar temerário e de respeito pela natureza: “Claro que tenho medo! Ai sim, sim.”, acrescentando depois, com o ar fatalista de quem não foge à superstição: “Mas as coisas não acontecem todas ao mesmo tempo, no mesmo dia ou no mesmo ano”.

 

Centrar o debate no apurar da causa da queda da arriba, e indirectamente na responsabilidade de uma autoridade pela morte de pessoas, é uma espécie de tentativa de aplicação do Princípio da Precaução gone mad, que deveria originalmente servir como guia de não-acção (levando pessoas a não se expor a situações de perigo potencial), reformulando-o de modo a aniquilar fisicamente as oportunidades de perigo, o que só uma super-entidade gestora do espaço público pode fazer, aniquilando assim a própria  necessidade do Princípio de Precaução.

 

Para além do facto de que este tipo de raciocínio é fisicamente impossível de pôr em prática (seria necessário rebentar com todos os potenciais perigos nas praias, montanhas, florestas, etc), esta reformulação permite que não se responsabilize quem fez maus juízos, expondo-se a situações de perigo, mas sim o organismo que permitiu que as pessoas se confrontassem fisicamente com situações em que a avaliação de perigo é necessária. Trocado por miúdos, é a cedência de um dos mais primitivos raciocínios de sobrevivência a um organismo colectivo abstracto – o Estado.

 

Dizer que o Estado é incompetente por ter falhado em proteger fisicamente as pessoas das suas más decisões é retirar ao indivíduo a responsabilidade de zelar pela gestão da sua própria vida. É o mesmo tipo de raciocínio que acha necessário actuar fisicamente na quantidade de sal disponível aos consumidores de pão, retirando-lhes pelo meio a própria possibilidade do exercício de decisão em vista à gestão da sua segurança/saúde/qualidade de vida. E o que não é exercitado atrofia.

 


21
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 10:49 | comentar | ver comentários (2)

Manuela Ferreira Leite provou ontem na Grande Entrevista RTP1 destacar-se grandemente, em qualidade, da onda de políticos que submerge (eufemismo para “afunda”) Portugal neste momento.

 

Deixando a sua entrevistadora, habituada à retórica dos políticos e a perguntas-respostas-maravilhas-vazias, pouco à vontade com o seu índice de ausência de maquilhagem do discurso, Manuela Ferreira Leite afirmou que preferiria perder votos do que ser infiel aos seus princípios. O que uma atitude desta, diremos de fundamentalismo ético, tem de bom é que é consciente de um grave problema que pode decorrer da cedência a interesses partidários ou a “calculismo político” (mesmo que com a boa intenção de união do partido ou  com o mitigado dever de sacrifício pelos votos): os partidos tornarem-se servis das suas próprias lógicas de interesses, isto é fechados, em detrimento de servirem o país. O fundamentalismo ético que Manuela Ferreira Leite adopta é a única forma, de certo drástica para muitos, de fazer política como um meio para servir as pessoas, e não o contrário.

 

Ainda na lógica os fins não justificam os meios, devíamos dar graças por termos neste momento pelo menos um político em Portugal que se recuse a apresentar propostas não exequíveis. Se o governo de Sócrates nos tinha habituado a algo era ao quebrar total das fronteiras entre realidade e ficção, até a um ponto em que muitos portugueses parecem de facto acreditar que o bom político é o bom psicólogo de massas, aquele cujo objectivo é dar alento, fantasia, esperança. “Avançar” é de facto uma palavra estimulante da psique humana, mas nalgum momento os portugueses teriam de acordar e ver que a fantasia de nada serve se não sabemos para onde/a que custo avançar.

 


16
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 20:20 | comentar | ver comentários (17)

No blogue Jamais, as querelas internas (entre “inimigos figadais”, como assume José Pacheco Pereira), e sub-internas (com o PS, na figura do blogue Simplex), pelo poder continuam.

 

A lógica de ataques/preferências pessoais em detrimento de argumentação ou razões teóricas tocou o seu máximo expoente neste texto em que um comentador do Jamais “comenta” um texto do Simplex não com contra-argumentos, mas sim com aquele que será talvez o maior golpe sujo a que se pode recorrer na política: denegrir a família (não a família política, a família real) de quem escreve, para depois inseri-lo no saco dessa raça desprezível que por nascimento não merece sequer debate.

 

O que é mais preocupante aqui nem é tanto que PS e PSD estejam com isto a esfregar nas nossas barbas que a luta que encetam pelo poder é para o poder, e que nessa luta não se valem de argumentos porque isso significaria que estamos a falar de uma luta política ou teórica, mas não estamos. O que se passa nos blogues dos partidos da chamada força política central é em grande parte uma recriação daquilo que acontece quotidianamente na AR: 90% discurso de guerrilha e insultos pessoais e muito poucas energias gastas na discussão de problemas exteriores, isto é, Portugal. E pelo tom que a coisa toma, tanto na AR como nos blogues, seríamos levados a crer que os nossos políticos se orgulham dessa fibra guerrilheira, como se as suas pequenas querelas interessassem aos cidadãos, fartos do autismo bélico dos seus políticos.

 

Mas o que mais preocupa é que golpes como aquele que está em causa sejam usados com tal leviandade, e que o debate político tenha chegado a este ponto em que a redução da política aos pessoalismos se tenha tornado recorrente e inócua (o que se confirma por muitas das reacções pós-post). Chegámos a um ponto em que o discurso acéfalo e amoral é sem dificuldade caracterizado de “político”.

 

Portugal pode ter muitos problemas estruturais politicamente falando, derivados da ditadura, da revolução, da Constituição, da própria matriz do sistema, mas o maior problema da política portuguesa deve-se  à sua falta de cultura Ética.

 


15
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:17 | comentar | ver comentários (7)

José Pacheco Pereira escreveu um texto sem tretas, leia-se sem argumentos políticos, preferindo um texto com realismo, leia-se com argumentos partidários.

 

No estilo vender a alma ao diabo para comprar um mal menor, José Pacheco Pereira constata que na campanha de Ferreira Leite «há erros, mesmo erros graves? Certamente que há. Tem que se engolir alguns sapos, para usar a terminologia culinário-diabólica que por aí anda? E depois?» E depois nada, não há argumentos que possam destruir o tom conformista-pessimista de JPP, aliás os militantes do PSD que têm levantado problemas só o têm feito, não por terem razões de fundo, mas sim porque «não estão cá os nossos amigos, não está cá a nossa tribo, estão cá alguns inimigos figadais?».

 

Reduzindo assim a actividade do seu partido a birras entre amigos e inimigos, JPP dirige-se directamente ao interior do partido, mostrando indirectamente ao exterior que até aos militantes do PSD é preciso convencer em votar em Manuela Ferreira Leite, e isso não pelas qualidades da mesma (às quais certos membros do PSD são aparentemente impermeáveis), mas sim por um raciocínio de mal menor: «Não gostam de  Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?».

 

Os estranhos às querelas do PSD não podem evitar de tirar a conclusão lógica de que não há razões em si para ter esperança em Manuela Ferreira Leite, mas apenas a certeza de que continuar com Sócrates seria pior.

 

No fundo não há diferença com o texto que Sócrates escreveu há dias dizendo que enfraquecer o PS era querer que a direita ganhasse. Num certo momento temos a sensação que PS e PSD discutem apenas entre si o poder, motivando internamente as tropas, e, neste caso, assumindo sem tretas que nesse combate «não há razões máximas, gloriosas, teoricamente atractivas».

música: tiro no pé

14
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:19 | comentar | ver comentários (5)

O cartaz diz "Avançar Portugal" (movimento para a frente), mas mostra pessoas paradas à volta de Sócrates, olhando para ele, algumas até de costas para nós.

 

Não é uma falha de comunicação. Pelo contrário, é uma excelente imagem da forma pela qual Sócrates se propõe fazer Avançar Portugal: é uma metáfora para centralização do poder num Estado Forte. Não é Portugal que está a avançar no cartaz, Portugal está paradinho a olhar para Sócrates e delegando nele, de forma muito satifeita, o seu poder de acção para que, ele sim, faça Avançar Portugal.

 

O cartaz pinta Sócrates como um Líder Iluminado que olha directamente para o futuro de Portugal (para cima); como Líder Forte, rodeado /apoiado pelos portugueses que focalizam nele as suas esperanças (olhares) para o futuro; e Líder idolatrado (rodeado de mulheres) que assume a sedução/marketing político como alavanca necessária ao exercício do poder.

 

E ainda o acusam de não ser transparente.

música: I'm too sexy for my country

13
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:22 | comentar | ver comentários (19)

Houve um roubo na empresa. Os empregados estão nervosos porque o chefe ficará furioso e temem que um deles seja despedido. Procuram o responsável para o obrigar a sair da empresa voluntariamente e desconfiam de uma pessoa que já no passado levantara suspeita sobre si. Você não sabe se essa pessoa está culpada desta vez.

 

Propõe/não se opõe a que obriguem a pessoa a sair para apaziguar os ânimos da empresa e não propiciar possíveis animosidades do chefe?

 

Nota: a empresa em questão trabalha em consultoria ética.


12
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 16:22 | comentar | ver comentários (8)

Ainda a propósito do puritanismo moral (que subitamente emerge do debate político português) ao serviço da difundida prática de chacinar pessoas publicamente, agora pergunta-se «qual é o interesse do PSD em ter um candidato suspeito (…) de actividades pouco recomendáveis?».

 

Numa lógica estadista em que aquilo que está certo fazer se mede em função de interesses internos, a lembrar a máfia que castiga quem não joga pelas suas regras, o PSD enquanto jogador no colectivo não tem de facto qualquer interesse em atirar para si esse tipo de atenções.

 

Manuela Ferreira Leite é precisamente criticada por não ceder às regras do politicamente correcto, por gerir as suas escolhas segundo critérios éticos e não segundo os critérios dos interesses que a máquina engendrou para se auto-sustentar.

  

Nessa lógica amoral, percebe-se que o apurar concreto da natureza das actividades do candidato seja irrelevante: não está em causa o princípio de justiça nem qualquer outro tipo de valor ético, o que está em causa é o desafio às regras da máquina, uma máquina mafiosa em que justiça e política se misturam e governam as vidas privadas ao ponto em que ser suspeito pela justiça é suficiente para entrar na categoria de ostracizado político. E dizer que a presunção de inocência (tratado como uma espécie de artifício sem alicerce ético) nada tem que ver com o caso é como assumir a inocuidade da bufaria como instrumento político.

 

Mesmo que não intencionalmente, esse raciocínio serve na prática uma técnica de defesa do status quo, desenhada para tornar impossível a qualquer pessoa não-amiga da máquina, qualquer pessoa sequer suspeita de infringir as regras, candidatar-se a um cargo político (potencialmente reformador da própria máquina), o que garante internamente a segurança da máquina tal como está, aceitando no seu interior apenas as pessoas que aceitam não a mudar. Mudar as regras por dentro é impossível quando essas estão protegidas por mecanismos de ostracização dos não-amigos.

 

Em nota, acrescento que, para a máquina política, crimes dependem apenas da definição de quem já está na máquina. Assim, por exemplo, o «financiamento partidário ilegal» não tem referente ético, é um eufemismo para “não respeitou as regras que inventámos para nós próprios logo não pode continuar no nosso jogo”, um eufemismo que define voluntariamente corrupção como o acto de não jogar pelas regras. Que problemas éticos adviriam de um financiamento privado de políticos? Ou ainda mais flagrantemente, será ético defender o financiamento estatal dos partidos?

 

ps: dado que o texto foi mal interpretado devido a imprecisões do mesmo, faço a seguinte nota pós-publicação: quando falo de ostracização de pessoas não-amigas à máquina não digo nem defendo que as actividades que António Preto supostamente fez sejam não-amigas da máquina (positivas). O objectivo era levar o raciocínio à última consequência e mostrar que serve os interesses do status quo. Se MFL tivesse cedido a pressões politicamente correctas teria de facto servido os interesses do PSD, mas teria traído a sua consciência ética. Para dar outro exemplo, se a lei de um país proíbe que se fira a sensibilidade de judeus, um cientista que chegue à conclusão de que câmaras de gás não existiram não tem qualquer defesa possível em tribunal, e por mais que tente ele e o seu advogado irão presos porque durante a própria tentativa de defesa incorreram novamente no crime pelo qual o cientista foi acusado. Quando esse país quisesse calar um historiador qualquer teria apenas de invocar que ele fere a sensibilidade de judeus, o que é um julgamento tão bárbaro quanto ostracizar alguém por "suspeitas".  Neste e no outro caso, o apuramento da verdade é sacrificado em prol da lógica de interesses internos à máquina no poder, atitude que desafia qualquer princípio ético. Claro que se se apurar que António Preto cometeu de facto crimes, a atitude de MFL terá de ser outra.


11
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 21:16 | comentar | ver comentários (4)

Acerca deste post, alguém me explica (já que o post não o faz) por que razões é que um arguido deva ser ostracizado antes do julgamento, e por que é evidente que tais pessoas são «más (escolhas)»?; tão evidente que quem defenda o contrário deva ser perseguido até ao pico mais alto da aldeia e aí queimado vivo para apaziguamento da histeria colectiva?

 

Contrariamente ao que é dito pelo autor do post, nas citações em causa Manuela Ferreira Leite não “justifica a inclusão” de António Preto na lista (nem tem de o fazer nesse contexto), optando sim pelo caminho inverso de dizer que não há razões para a não inclusão de António Preto na lista (dado não ter sido ainda condenado), apontando pelo caminho o dedo ao alarmismo.

 

Se não ceder ao politicamente correcto é uma coisa «intelectualmente tão boçal», o que chamar à preferência pela chacina pública com base em pessoalismos em vez do comentário de ideias e análise de conteúdos?


Por Elisabete Joaquim, às 11:13 | comentar | ver comentários (5)

José Sócrates escreveu um artigo de opinião no JN onde define esquerda à custa de direita, ou vice-versa, usando para tal a categoria de tempo e a dicotomia futuro/passado.

 

A palavra “futuro” aparece nove vezes no texto, igual número de vezes que palavras da família do “moderno”(/”modernização”), para definir a esquerda, em contraposição a expressões referentes ao tempo passado, também contadas nove vezes, que pretendem definir a direita. O que é novo é bonito, o que é velho cheira a mofo.

 

A esquerda moderna assume-se, com Sócrates de forma ainda mais visível, como uma corrente estética motivada pela “urgência” da acção, sem qualquer reflexão acerca da legitimidade, eficácia ou consequências da mesma: o que interessa é agir urgentemente de modo a trazer o futuro ao presente o mais rápido possível; andar para a frente por andar é ser moderno. Sócrates auto-proclama-se vanguardista, criador do novo, que os outros não acompanham por insensibilidade estética à força do futuro. Sei que insisto nas metáforas da Estética, mas tal é inevitável dado o vazio filosófico por trás de uma ideologia da bondade da acção em si mesma, que enaltece o novo por si só, independentemente das suas qualidades concretas.

 

Mas numa coisa Sócrates terá acertado: grande parte da direita é apenas o revés dessa estética de esquerda, enaltecendo a conservação em si mesma, independentemente da reflexão no valor moral daquilo que se pretende conservar.

 

Para ambos a categoria de tempo é essencial. Para um a ideia utópica de progresso, para outro a ideia romântica de paraíso perdido.

 


10
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:30 | comentar | ver comentários (8)

Uma intuição antiga, hoje plenamente confirmada, leva-me a crer que a política é sobretudo Estética para os portugueses. A tradição do poeta-político mantém-se (seguindo Antera de Quental, Teixeira de Pascoaes ou Almeida Garrett, conforme a casa política), e a esmagadora maioria da elite política (aquela que comenta ou faz política), guia-se mais por critérios estéticos do que racionais, o que explica em larga parte a dissonância cognitiva patente no debate político português.

 

A Estética, contrariamente aos assuntos científicos, não exige sistema nem coerência da parte do sujeito. Pode-se simpatizar com o Belo de dia para escrever sonetos do Abjecto à noite, nada que a complexidade sensitiva humana não comporte. Aderir a ideias políticas por motivos estéticos tem outro desfecho.

 

Não se pode, sem incoerência, defender um Estado que não se intrometa nas vidas privadas para depois defender a conservação de privilégios sociais; Não se pode, sem incoerência, criticar o socialismo para depois defender a necessidade de um gestor Forte das vidas públicas; Não se pode, sem incoerência, ser contra a intromissão do Estado na economia para de seguida defender que impostos sociais devam ser cobrados; Não se pode, sem incoerência, defender a liberdade individual para depois advogar a inocuidade do uso de força ilegítimo por parte do Estado. A lista poderia continuar e tocar todos os quadrantes políticos com expressão em Portugal.

 

O erro consiste em falhar em reconhecer quais os princípios morais adjacentes a ideias defendidas, sendo que é precisamente dos princípios morais que depende a construção de um sistema coerente de ideias. Aderir a ideias por motivos estéticos não só revela insensibilidade ética como permite que uma mesma pessoa defenda ideias contraditórias entre si, ideias às quais aderiu por questões emocionais, pelo prazer intelectual ou sentimental que lhe causam. Num contexto destes, o uso emocionado de bandeiras é frequente. Ser conservador ou liberal em Portugal resume-se a um combate vazio entre duas escolas estéticas. E o referente dos próprios conceitos de conservadorismo e liberalismo muda como os conceitos de belo ou sublime consoante a escola de pintura.

 

A aplicação na sociedade de tal mistela de ideias pode apenas dar em tragédia, o que, ironicamente, faz assim regressar a política portuguesa ao seu berço estético.


07
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 22:11 | comentar | ver comentários (2)

No seguimento do post anterior, (sobre porque é que partidos de auto-proclamada “direita” não se assumem como socialistas apesar de o serem), interessa-me mais perceber como é possível que não haja sobre isso uma consciência generalizada, e os efeitos que isso tem no debate político em Portugal.

 

Não pode haver “novos rumos” sem que isso dependa do conhecimento das actuais coordenadas daquilo que se pretende mover para outro ponto, tal como mudanças na direcção dos assuntos políticos em Portugal não se podem fazer sem a consciência da ideologia de que partimos.

 

Ora, o que acontece é que os partidos (incluo militantes e simpatizantes) de direita portugueses estabelecem as suas coordenadas de forma relativa a outro partido-irmão (o PS), tendo acabado por esquecer a consanguinidade ideológica para se referirem a si mesmos como (relativamente mais à) “direita”. Com esta estratégia de definição, o PSD posiciona-se no mercado partidário português seguindo os critérios da elegibilidade, em concorrência com um produto semelhante a si próprio, aumentando assim a probabilidade de seduzir habituais consumidores insatisfeitos.

 

Mas o problema de perder referências absolutas à ideologia de base acarreta um grave empobrecimento do debate político, logo da riqueza da democracia. Copiando o raciocínio da definição através de coordenadas relativas, os media qualificam de extrema-direita (com todos os tabus associados à designação), qualquer espectro político (relativamente) mais à direita que o PSD (nota para o desconforto com que a TVI 24 desconvidou o presidente do PNR para um debate, sem falar da ausência generalizada do partido na maior parte dos medias), estimulando a tendência para uma cada vez maior uniformização do leque ideológico em Portugal, com partidos como o CDS cada vez mais preocupados com a mão do Estado no social, e com a infertilidade do terreno político português em criar e fazer crescer partidos de ideologias diferentes.

 

Termos perdido o Norte no que toca à auto e hetero definição dos partidos revela um Portugal pouco filosófico e pouco preocupado com questões de fundo ético-políticas.

 

Retomar o Norte, isto é, assumir as coordenadas ideológicas dos partidos em absoluto e não relativamente à oferta já existente, é um passo necessário para que possamos tomar consciência da oferta ideológica em Portugal (muito pouco rica), o que só por si recolocaria o debate político naquilo em que ele deve estar essencialmente centrado: a livre concorrência entre morais.


06
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 20:16 | comentar | ver comentários (7)

Estes dias pautados pelo debate político são sobretudo oportunos para perceber como é que os portugueses se auto-posicionam politicamente. Os momentos mais caricatos são aqueles em que o gatuno chama malandro ao ladrão, em que o perneta se gaba por correr mais rápido que o coxo, e, os meus preferidos, em que socialistas insultam outros com o epíteto de “esquerdista”.

 

Tomando as coisas mais a sério, não que ver dois loucos a diagnosticarem-se mutuamente não seja caso sério, convém chamar de uma vez por todas as coisas pelo nome: o que é «socialismo»? (Vamos esquecer as respostas fáceis com clichés de “esquerda” e “direita” que servem em grande parte, pelo menos em Portugal, para inaugurar uma frágil distinção entre socialismo e socialismo moderado.)

 

Podemos resumir brevemente «socialismo» como a doutrina que defende (pelo menos) que:

 

Moralmente o Estado tem o dever de zelar pelo bem-comum dos cidadãos, o que lhe confere o direito de, formalmente, praticar a redistribuição da riqueza produzida em ordem a possibilitar e manter estruturas sociais igualitárias para todos os cidadãos.

 

Aceitando esta definição, qual o partido de peso não-socialista em Portugal? Ainda de forma mais visível, o que tem sido a constante dança de poder PS versus PSD senão o alternar entre um socialismo assumido e um socialismo mitigado?

 

Parecendo-me que o exposto é evidente, onde buscar a explicação para o facto dos nossos chamados partidos de “direita” se recusarem a assumir a sua ideologia de base socialista?

 

Na prática a omissão resulta em estratégia eleitoral: a cisão artificial entre os partidos da dança dá aos eleitores uma falsa ilusão de escolha. E com os  partidários a coisa funciona numa espécie de clubismo / tradição política sem verdadeiro referente ideológico, um pouco à imagem dos sportinguistas que odeiam os benfiquistas (e vice-versa) precisamente por serem ambos de Lisboa e partilharam o mesmo território /tacho.

 

Que grande parte do eleitorado vá na cantiga como quem leva o cachecol à bola é assumido. Mas por mais que a esmagadora maioria da auto-proclamada elite intelectual faça uso de retórica, não disfarça o cachecol aos ombros.


05
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 12:58 | comentar | ver comentários (4)

Na caixa de comentário, um gentil socialista acabou de fazer, em nome do Grande Pai Nosso o Estado (sujeito não identificado da primeira pessoa do plural - “nós”), uma altruísta oferta a todos os liberais: «Cedemo-vos as Berlengas. Tendo em conta o vosso número, serve perfeitamente.»

 

Agradecendo antes de mais o bom gesto, em meu nome e no dos parcos “liberais” que por aí andam a contaminar o país, aproveito esta óptima oportunidade para sublinhar a diferença essencial entre o raciocínio socialista e o raciocínio liberal:

 

- o socialista dá. Dá o que não é dele é certo, mas o que interessa?, a nobreza do gesto suplanta esses pequenos pormenores do Direito tal como o ”nós” suplanta sempre os difusos “eles” que o raciocínio socialista nunca consegue ver como um concreto “tu/teu”.

 

- o liberal pensa. Pensa sobre a legitimidade do acto de dar e contextualiza-o no concreto da situação: as Berlengas pertencem ao Concelho de Peniche, o que confere outra realidade ao acto de dar um território que em rigor não pode sequer ser legitimamente dado pelo sujeito que a tal se arroga.

 

Ouvindo isto, passa pela mente do socialista, por breves segundos apenas, que existem de facto pessoas em Peniche que habitam as Berlengas. Mas o “come e cala” (e de preferência agradece depois) logo retoma o seu devido lugar e o socialista responde: os penichenses que se amanhem.

 


Por Elisabete Joaquim, às 11:54 | comentar

 

Um deles disse ontem não concordar “com o modelo de primárias, porque assim Isaltino seria presidente do PSD, com franqueza, ou a Fátima Felgueiras do PS”, afirmando com toda a ligeireza o seu repúdio por um sistema eleitoral livre, como se fosse tão evidente que as bases são uma coisa suja que nem vale a pena argumentar sobre o facto, “com franqueza”.

 

O outro não o disse claramente mas actua de modo autoritário sobre a formação de listas distritais, como se a centralização do poder no auto-proclamado núcleo decisor – a elite –, e as suas marionetas de uma só voz, não fossem sequer uma opção questionável.

 

Quanto maior o ímpeto autoritário, mais leviana (ou ausente) a explicação e fundamentação das escolhas que constroem os corredores do poder.

 


04
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 21:18 | comentar | ver comentários (3)

A blogue-conferência com Francisco Louçã decorreu durante quase três horas num cenário palaciano, com o próprio a assumir: «o nosso objectivo é ganhar as eleições na Internet».

 

Apesar do habitual apelo à necessidade de regras, mais regras, eu quero regras, Louçã  fez um evidente esforço de seduçao da blogosfera, mostrou-se particularmente aberto, de um tal bom humor que chegou até a aceitar ser rotulado de «esquerda não democrática», tendo a abertura roçado a simpatia pelo liberalismo aquando o uso da expressão “muito estatal” com conotação negativa a propósito do estado das coisas na cultura (se bem que logo a seguir tenha dado exemplos de boas intervenções do Ministério da Cultura).

 

Mas a verdade é que a operação-sedução que Louçã montou não lhe era necessária. O confronto mais intenso que ocorreu veio da esquerda (motivada pela defesa do PS), sendo que a participação dos blogues de direita (salvo excepções) se resumiu a pessoalismos e a um tom de provocação/ gozo, e isso em detrimento de um confronto sério de ideias e de questionamento sobre a legitimidade das propostas do Bloco de Esquerda para estas eleições.

 

Assistir ao debate leva qualquer observador a pensar que as diferenças entre grande parte da “direita” portuguesa e o Bloco de Esquerda são sobretudo de estilos, pormenores e ajustes, e não de ideologia, de fundo socialista.

 

É em momentos destes que Portugal parece um grande concurso de quem é realmente de esquerda (revolucionária), (democrática), (liberal)? – [riscar o que não interessa].

 


03
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:31 | comentar

Há dias, 25 intelectuais portugueses lançaram um manifesto com uma «agenda de prioridades» por estarem insatisfeitos com o actual estado político existente no país, e com o objectivo de estimular o debate político que terá lugar durante a campanha eleitoral.

 

Por «agenda» os intelectuais em causa entendem «questões prementes», não dirigidas à sociedade civil mas sim aos próprios partidos políticos, em cujas mãos assenta o «nosso presente e o nosso futuro».

 

Os problemas do manifesto são vários. As «prioridades» do manifesto começam (ponto 1.) com questões de cariz internacional – globalização, Europa, forças armadas exclusivamente internacionais –, e acabam (ponto 8.) com a necessidade de “combate às alterações climáticas”. Escusando-me comentar este idealismo missionário do qual os nossos intelectuais portugueses sempre fizeram prova (não tivesse Santo António nascido em Lisboa mas dedicado a sua vida a salvar vidas fora dela pois “ser português é ser do mundo”, mais precisamente de Pádua, Itália), existe uma atitude que sobressai de todo o manifesto: a desresponsabilização assumida da sociedade civil e da sua chamada “classe intelectual” no actual e no futuro estado político do país, e o subsequente peso esmagador do Estado que daí decorre.

 

“Apoios” à juventude, aos idosos, à educação, à cultura, à diversidade cultural (aparentemente até a diversidade precisa de muletas políticas para existir, os políticos tem de a “promover”, “estimular”, “multiplicar”: temos a sensação de ouvir falar de um moribundo alimentado a soro que precisa de constantes choques eléctricos para se manter vivo): a esfera civil como um grande laboratório no qual os políticos são exclusivos cirurgiões.

 

Ler o manifesto é quase uma viagem a Cuba: imaginamos um país em que a fronteira entre espaço público e espaço privado deixou de existir; um país no qual problemas típicos da esfera privada, familiar ou social são entregues à classe política; no qual os próprios fazedores de opinião, os “intelectuais”, renegam a via directa da acção pela crítica aos problemas e pela chamada de consciência da sociedade civil, passando a tratar indirectamente com a classe política, a quem perguntam com um tom arrepiantemente cândido ‘como vão os senhores políticos gerir a nossa vida – todos os campos da nossa vida?’

 

A «alegria para todos os homens e mulheres que habitam este País», pegando nas palavras do manifesto, não pode depender exclusivamente da classe política e da reflexão que os partidos políticos estejam dispostos a fazer sobre os males que afligem os portugueses. Um Novo Rumo para Portugal implica sobretudo uma radical mudança de paradigma quanto ao papel activo do cidadão na sociedade portuguesa. Um Novo Rumo depende dos portugueses e da sua capacidade em aceitar como contrapartida, pesada mas necessária, maior responsabilidade.


subscrever feeds
Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


pesquisar blog
 
Links
A arte da fuga
A barbearia do senhor luís
A cagarra
A casa de sarto
A casa dos comuns
A caveira vesga
A caverna obscura
A civilização do espectáculo
A destreza das dúvidas
A educação do meu umbigo
A grande alface
A janela do ocaso
A natureza do mal
A origem das espécies
A outra varinha mágica
A revolta das palavras
a ritinha
A terceira noite
A textura do texto
A voz do povo
A voz nacional
A voz portalegrense
As escolhas do beijokense
As penas do flamingo
Abrigo de pastora
Abrupto
Às duas por três
Activismo de sofá
Admirável mundo novo
Adufe
Água leve
Água lisa
Alcabrozes
Alianças
Aliança nacional
Alinhavos
Almocreve das petas
Apdeites v2
Arcadia
Arde lua
Arrastão
Aspirina b
Atuleirus
Avatares de um desejo

Bar do moe, nº 133
Blasfémias
Bem haja
Berra-boi
Bic laranja
Bicho carpinteiro
Binoculista
Bissapa
Blogo social português
Blogotinha
Blogs e política
Blogue de direita
Blogue da sedes
Blue lounge
Boca de incêndio
Boina frígia
Braga blog
Branco no branco
Busturenga

Cabalas
Caixa de petri
Caixa de pregos
Câmara corporativa
Campos da várzea
Canhoto
Cão com pulgas
Carreira da í­ndia
Causa liberal
Causa nossa
Centenário da república
Centurião
Certas divergencias
Chá preto
Charquinho
Cibertúlia
cinco dias
Classe polí­tica
Clube das repúblicas mortas
Clube dos pensadores
Cobrador da persia
Combustões
Confidências
Congeminações
Contingências
Controversa maresia
Corta-fitas
Criativemo-nos
Crónicas d'escárnio e mal dizer

Da condição humana
Da literatura
Da rússia
Dar à tramela
Dass
De vexa atentamente
Der terrorist
Delito de opinião
Desconcertante
Desesperada esperança
Do portugal profundo
Dois dedos de prosa e poesia
Dolo eventual
Duas cidades
Duas ou três coisas
2 rosas

Eclético
É curioso
e-konoklasta
Em 2711
Elba everywhere
Em directo
Encapuzado extrovertido
Entre as brumas da memória
Enzima
Ephemera
Esmaltes e jóias
Esquissos
Estrago da nação
Estudos sobre o comunismo
Espumadamente
Eternas saudades do futuro

Faccioso
Falta de tempo
Filtragens
Fôguetabraze
Foram-se os anéis
Fumaças

Gajo dos abraços
Galo verde
Gazeta da restavração
Geometria do abismo
Geração de 80
Geração de 60
Geração rasca
Gonio
Governo sombra

Há normal?!
Herdeiro de aécio?!
Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
Homem ao mar

In concreto
Ideal social
Ideias soltas
Ilha da madeira
Ilusão
Império lusitano
Impressões de um boticário de província
Insinuações
Inspector x
Intimista

Jacarandá
Janelar
Jantar das quartas
Jornal dos media
José antónio barreiros
José maria martins
Jose vacondeus
Judaic kehillah of portugal - or ahayim
Jugular
Julgamento público

Kontrastes

La force des choses
Ladrões de bicicletas
Largo da memória
Latitude 40
Liblog
Lisbon photos
Lobi do chá
Loja de ideias
Lusitana antiga liberdade
Lusofin

Ma-schamba
Macroscópio
Mais actual
Maquiavel & j.b.
Margem esquerda
Margens de erro
Mar salgado
Mas certamente que sim!
Mau tempo no canil
Memória virtual
Memórias para o futuro
Metafísica do esquecimento
Meu rumo
Miguel teixeira
Miniscente
Minoria ruidosa
Minudencias
Miss pearls
Moengas
Movimento douro litoral
Mundo disparatado
Mundus cultus
My guide to your galaxy

Não há pachorra
Não não e não
Nem tanto ao mar
Nocturno
Nortadas
Notícias da aldeia
Nova floresta
Nova frente
Num lugar à direita
Nunca mais

O afilhado
O amor nos tempos da blogosfera
O andarilho
O anónimo
O bico de gás
O cachimbo de magritte
O condomínio privado
O contradito
O diplomata
O duro das lamentações
O escafandro
O espelho mágico
O estado do tempo
O eu politico
O insubmisso
O insurgente
O islamismo na europa
O jansenista
O jumento
O observador
O país do burro
O país relativo
O pasquim da reacção
O pequeno mundo
O pravda ilhéu
O principe
O privilégio dos caminhos
O profano
O reaccionário
O saudosista
O severo
O sexo dos anjos
O sinaleiro da areaosa
O tempo das cerejas
O universo é uma casca de noz
Os convencidos da vida
Os veencidos da vida
Obrigado sá pinto
Oceano das palavras
Oeiras Local
Office lounging
Outubro

Palavra aberta
Palavrussaurus rex
Pangeia
Papa myzena
Paris
patriotas.info
Pau para toda a obra
Pensamentos
Pedro_nunes_no_mundo
Pedro rolo duarte
Pedro santana lopes
Pena e espada
Perguntar não ofende
Planetas politik
Planí­cie heróica
Playbekx
Pleitos, apostilhas e comentários
Politeia
Política pura e dura
Polí­tica xix
Polí­tica de choque
Politicazinha
Politikae
Polvorosa
Porcausasemodivelas
Porto das pipas
Portugal contemporâneo
Portugal dos pequeninos
Por tu graal
Povo de bahá
Praça da república em beja
Publicista

Quarta república
Quem dera que assim fosse

Registo civil
Relações internacionais
Retalhos de edith
Retórica
Retorno
Reverentia
Ricardo.pt
Rio sem regresso
Risco contínuo
Road book
Rua da judiaria

Salvaterra é fixe
Sem filtro
Sempre a produzir
Sentidos da vida
Serra mãe
Sete vidas como os gatos
Sobre o tempo que passa
Sociedade aberta
Sociologando
Sorumbático
Sou contra a corrente
Super flumina

Táxi
Tempo político
Teorias da cidade
Terras do carmo
Tese & antítese
Tesourinhos deprimentes
Tirem-me daqui
Tralapraki
Transcendente
Tribuna
31 da armada
Tristeza sob investigação
Triunfo da razão
Trova do vento que passa
Tubarão

Último reduto
Um por todos todos por um

Vale a pena lutar
Vasco campilho
Velocidade de cruzeiro
Viagens no meu sofá
Vida das coisas
25 centímetros de neve
Vento sueste
Voz do deserto

Welcome to elsinore

Xatoo

Zarp blog

 

Twingly BlogRank

blogs SAPO