20
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 18:33 | comentar

 

No “Prós e Contras” da semana que passou digladiaram-se os pequenos partidos candidatos às eleições legislativas. Entre muita ideia de algumas mentes completamente alienadas e alheadas da realidade que as rodeia, um dos temas em cima da mesa acabou por ser a questão da sustentabilidade da segurança social, especialmente relacionado com o decréscimo em termos demográficos que assola a Europa e o nosso país.

Aproveito, por isso, para colocar “no papel” um raciocínio que já me vem atormentando há algum tempo. Desde já um aviso: os meus conhecimentos de economia são parcos, por isso alerto a quem esteja bem mais dentro da matéria para que corrija os erros em que decerto incorrerei, até porque os valores serão apenas ideais, teóricos e, portanto, o raciocínio será bastante grosseiro.

O raciocínio é muito simples. Consideremos para efeitos de hipótese meramente académica a máquina estatal portuguesa. Uma administração pública com funcionários e instituições em excesso, muitas destas com funções sobrepostas e em que os vasos comunicantes são poucos ou nenhuns. Uma pesada máquina burocrática que consome metade da riqueza gerada no país apenas em despesa corrente. Isto num Estado que maltrata os seus cidadãos, que não sente os problemas destes como seus, que tem evidentes falhas de funcionamento.

Consideremos ainda os funcionários públicos, em geral, num determinado momento no tempo. Consideremos que as reformas que estes auferirão, se baseiam num determinado tempo de serviço, nas suas qualificações e, correspondentemente no seu mérito que determina o valor dos salários auferidos ao longo da vida.

Se a tecnologia evolui a um ritmo alucinante, se de geração para geração a qualidade da educação também deverá evoluir, pelo menos do ponto de vista teórico, logicamente que a produtividade deverá aumentar. Assim, as reformas dos actuais funcionários públicos, serão sustentadas pela produtividade do país que ao longo das gerações deverá aumentar em função da evolução tecnológica e da maior qualificação dos indivíduos, em teoria contribuindo para um menor despesismo e maior eficácia do Estado. Desta forma, a questão da insustentabilidade da segurança social tornar-se-ia uma falsa questão, visto que a produtividade de um indivíduo num determinado momento será pelo menos 2 vezes superior à de um outro indivíduo há 20 ou 30 anos atrás. Assim, neste dado momento, a reforma de 2 ou 3 indivíduos é sustentada pela produtividade de apenas 1.

Claro que a questão do declínio demográfico tem impactos evidentes, e muitas variáveis deveriam ser acauteladas neste exercício. Uma delas a emigração e a imigração. Em traços gerais, a imigração para o nosso país serve para preencher postos de trabalho pouco qualificados e remunerados, que obviamente os indivíduos qualificados que se encontram entre os 20 e 30/35 anos, não preencheriam. Por outro lado, mantendo-se uma máquina estatal extremamente envelhecida, dado que os funcionários são obrigados a trabalhar até aos 65/67 anos, e, consequentemente, cada vez menos eficiente – evoluindo a tecnologia a um ritmo alucinante, a maior parte dos indivíduos não consegue acompanhar essa evolução - , estamos apenas a adiar o inevitável, uma profunda reforma da administração pública, enquanto grande parte dos nossos melhores e mais qualificados quadros, não encontrando soluções num país que os aprisionou entre os recibos verdes e rendas elevadas, como há tempos fazia notar o Henrique Raposo, acabam por emigrar.

E também as variáveis tecnologia e educação não são necessariamente constantes na sua evolução, basta olhar para o descalabro em que se tem vindo a tornar o sistema de ensino em Portugal. Já Popper afirmava que um dos objectivos primordiais da democracia era melhorar o nível educacional, o que na nossa democracia é cada vez mais duvidoso.

Para concluir, fica a pergunta: não seria melhor reduzir a administração pública, permitir que grande parte dos funcionários mais velhos se reformasse, já que a produtividade destes será de apenas metade ou menos em relação a um indivíduo mais qualificado e mais jovem, e recrutar indivíduos mais qualificados, cuja produtividade torna o Estado mais eficiente e assegura o pagamento de 2 ou 3 reformas?

 

(também publicado no Estado Sentido)


15
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 22:34 | comentar | ver comentários (1)

 

(imagem tirada daqui)

 

Salazar continua na boca de todos. E ou muito me engano ou ainda virá à baila o fássismo, feixismo ou lá o que é. Portas compara Louçã a Salazar, Sócrates e João Soares insinuam que Manuela Ferreira Leite será um sucedâneo do ditador. Parece-me é que os políticos muito pouco democráticos que nos têm (des)governado terão um qualquer desejo secreto de governar em condições idênticas às de Salazar, e de ver o seu nome inscrito nos anais da História, à semelhança deste. Deixo aqui apenas aquilo que António Barreto há tempos escrevia:


"Trinta e cinco anos depois de Abril, a democracia continua a viver à custa de Salazar e da sua queda. Parece que o regime democrático e a liberdade nada têm a oferecer ao povo para além do derrube do ditador. Que, aliás, não foi do próprio mas do sucessor. Aqueles partidos e aquela instituição vivem obcecados. Sentir-se-ão culpados? De quê? De não terem sabido governar o país com mais êxito e menos demagogia? De perceberem que a população está cada vez mais cansada da política e indiferente aos políticos? Preocupante é haver alguém que pense que aquelas imagens produzem algum efeito! A política contemporânea é de tal modo medíocre que o derrube do anterior regime é ainda mais importante do que o novo regime democrático. Essa é a mágoa! Trinta e cinco anos depois, a liberdade e tudo quanto se vive não são já mais importantes do que aquele dia de derrube."

 

Se de cada vez que o seu nome fosse invocado Salazar recebesse 1 euro, por esta altura  já seria dono do Céu. Ou do Inferno.

 

(também publicado no Estado Sentido)


12
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 17:03 | comentar

Do debate de Manuela Ferreira Leite com Paulo Portas, parece-me que há a ressalvar a defesa do indefensável por parte de MFL. Alberto João Jardim pode ter repetidamente excelentes resultados nas eleições regionais, mas isso não significa que a Região Autónoma da Madeira seja verdadeiramente democrática. MFL revelou a falta de conhecimento quanto à teoria e prática da democracia, legitmando-a com base apenas nos resultados das eleições. A isso chama-se democracia eleitoral e/ou iliberal. Para quem não saiba o que é, perguntem a Hugo Chávez.

 

Do debate de ontem retive algumas ideias que me parecem essenciais para entender os postulados que o Bloco de Esquerda defende. Logo a começar, Louçã fugiu à pergunta de Portas sobre a forma como conduziria as tão propagandeadas nacionalizações, nada referindo relativamente aos investidores estrangeiros e às indemnizações que teria (o contribuinte) que pagar. Nada referiu ainda em relação aos cerca de milhão e meio de pequenos investidores que têm participações na EDP ou na GALP. Louçã com o dinheiro dos outros era até fartar vilanagem!

 

Fugiu novamente à questão que Portas lhe colocou relativamente à nacionalização das patentes dos projectos de investigação científica. Na prática isto seria não reconhecer o mérito dos talentos que (ainda) temos em Portugal, impelindo-os a sair do país.

 

Quanto ao racismo social, de que dei conta aqui, a desculpa de Louçã para não fiscalizar os abusos na atribuição do RSI prendeu-se essencialmente com os abusos que se verificam na atribuição de subsídios à agricultura ou nas baixas médicas. Ou seja, só porque uns abusam, vamos deixar abusar todos, é isso não é? Entretanto continuamos a ter pessoas a viver em casas com rendas irrisórias, a receber o RSI e a ter actividades legais e/ou ilegais que lhes permitem ter grandes carros e outros sinais exteriores de riqueza, enquanto ao lado continuam pensionistas e reformados a viver na miséria, é isso não é? Fico sempre espantado de cada vez que oiço os argumentos bloquistas, não haja dúvida. Esteve bem Paulo Portas quando apontou as diversas medidas de apoio social criadas por governos de direita, desmontando o falacioso lugar comum de que a esquerda é que "tem o monopólio do coração e da solidariedade".

 

No tema que se seguiu, imigração, viu-se um Louçã desconhecedor das indicações provenientes de Bruxelas, e um Portas pragmático de acordo com essas mesmas recomendações. Em resumo, é necessário regular a imigração em função das oportunidades de trabalho e da exigência de deveres dos estados de acolhimento para com esses imigrantes, i.e., propiciando-lhes dignas condições de vida. De resto, esta política  vai de encontro ao que estados como o Canadá e Austrália praticam de há vários anos a esta parte.

 

O debate finalizou com o tema da segurança. Louçã defende uma polícia de proximidade e de integração na comunidade, embora esteja contra o aumento de efectivos e acredite na socratista teoria da melhor organização, assente na transferência de agentes que estão afectos à burocracia das forças de segurança para o terreno. Como apontou Portas, muitos já não têm idade para ser operacionais. São, por isso, necessários mais efectivos, e leis mais firmes no combate à criminalidade, especialmente quanto à reincidência.

 

Agora falta aguardar pelo último debate antes do início formal da campanha. Ou muito me engano, ou Sócrates vai sair a ganhar do embate com MFL.

 

(também publicado no Estado Sentido)


10
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 15:30 | comentar

(imagem roubada ao 31 da Armada)

 

No seguimento das diversas reportagens que a SIC tem feito com os líderes dos principais partidos, viu-se ontem um Louçã pouco à vontade e preconceituoso como sempre. A dada altura a entrevistadora pediu-lhe para definir os vários líderes em uma palavra. Em relação a Manuela Ferreira Leite, afirmou que era a marca de uma governação falhada. E quanto a Paulo Portas, afirmou ser este um protagonista de uma forma de racismo social.

 

MFL até pode ser a marca de uma governação falhada, mas Louçã é a representação de uma ideologia genocida que tem mais de religião do que muitas religiões, e que não tem cabimento em qualquer mente sã. Sejam estalinistas (PCP) ou trotskistas (BE), o resultado da conquista do poder por qualquer um deles seria sempre o mesmo: uma sociedade aterrorizada e um país completamente miserável.

 

 

E o que será que Louçã queria dizer com racismo social? Confesso que não percebi. Louçã e os seus camaradas que são os protagonistas de uma forma de parasitismo social que vive à conta do erário público, que passa a vida a criticar o sector privado que gera o dinheiro à conta do qual vivem, que se arrogam de serem detentores da verdade absoluta e da suprema inteligência, um grupo de intelectuais que se acha no direito de controlar e manipular universidades, fundações, instituições públicas, ainda para mais com boa imprensa, sem prestar contas a ninguém das suas intenções que, como muito bem fez notar o Nuno, têm que ser trazidas à luz do dia.

 

Vivem numa eterna luta de classes completamente descontextualizada e desadequada da realidade vigente, sempre à espera de voltar ao tempo das nacionalizações, contra os odiosos "ricos", "burgueses", "meninos de bem", e outros epítetos que tais a que a esquerda caviar gosta de recorrer, sem se olhar ao espelho. Até quando vamos tolerar estes parasitas que realmente praticam esse tal racismo social?

 

(também publicado no Estado Sentido)


09
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 13:41 | comentar | ver comentários (2)

Para além do que apontam o Jorge Assunção, Adolfo Mesquita Nunes e João Miranda, note-se a consideração quanto aos factores mais problemáticos para a realização de negócios. Os primeiros dois, destacadíssimos, são precisamente a ineficiência burocrática do governo e a restritiva regulamentação laboral. Nada que já não soubéssemos, atendendo a 35 anos de governação à esquerda no que diz respeito à política económica. E depois os liberais é que são perigosos para o país...

 

(também publicado no Estado Sentido)


08
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 22:55 | comentar | ver comentários (1)

José Sócrates ganhou claramente o debate a Francisco Louçã. Estava longe de imaginar que isto pudesse vir a acontecer, especialmente porque já esperava um debate centrado no tema da economia, área de eleição e especialização de Louçã. A irritação que fez Sócrates sair mal na fotografia em querelas parlamentares com Louçã no passado não se fez mostrar. Pelo contrário, um José Sócrates calmo desconcertou Louçã, algo nervoso. O segundo trunfo de Sócrates foi limitar-se a desmontar os preconceitos ideológicos patentes no programa do BE, que Louçã teve o displante de desmentir. À questão das nacionalizações Sócrates perguntou de forma muito clara, e que serve para todos quantos intelectualmente retrógados e apologistas do colectivismo: "No dia seguinte a nacionalizarmos a banca, os seguros, a energia, estaríamos melhor?". Pois não, não estaríamos. A prová-lo estão todas as experiências do comunismo real, exemplos gritantes do crasso erro de ter uma economia centralizada, planificada e totalmente dirigida pelo estado. Como Sócrates apontou, as nacionalizações levaram sempre à total miséria.

 

Já ontem Paulo Portas tinha feito o mesmo em relação a Jerónimo. O problema de Jerónimo e de Louçã são os exacerbados preconceitos ideológicos. Ambos preferem que o sistema de saúde seja inteiramente público, esquecendo-se da atrocidade que são as eternas listas de espera para cirurgias tão simples como a remoção de cataratas. Como muito bem colocou Portas, "Em nome de que ideologia deve um doente ficar à espera de uma consulta?"

 

Entretanto, quanto à visita de Ferreira Leite à Madeira, subscrevo na íntegra o Carlos Abreu Amorim: "Não é possível andar a representar convictamente o ‘Portugal de Verdade’, tentar ser a encarnação da democracia transparente, espalhar reclames em toda a parte acerca do respeito pelas pessoas, jurar que, ao contrário dos adversários, nunca irão asfixiar democraticamente ninguém e, acto contínuo, branquear aquela espécie de Chávez insular. Porque são precisos uns votitos. Porque, para ganhar, o PSD de Manuela Ferreira Leite é capaz de tudo. Como qualquer outro partido ou político profissional."

 

Hoje viu-se também, na SIC, uma peça jornalística que mostrou a faceta mais pessoal de Paulo Portas, um homem descontraído e à vontade em frente das câmaras, como é seu apanágio. E na sua visita ao mercado mensal de Évora, foi certeiro como sempre, criticando os caciquismos e o país onde o estado é o maior empregador, especialmente por intermédio das câmaras municipais, onde muitos têm medo de perder o seu emprego.

 

Aproveito ainda para, em relação ao post da Cristina, afirmar apenas que o único partido merecedor do meu voto, tal como o foi nas europeias, é o CDS, pelo que respondo "sim" ao mesmo apelo, subscrevendo ainda o André Azevedo Alves:

 

Concordo que o melhor do CDS está quase todo no Rua Direita (falta por exemplo o Michael Seufert, insurgente, líder da Juventude Popular e número 4 na lista pelo Porto) mas o ponto fraco do partido é o pior do CDS que, apesar de não estar no Rua Direita, continua a ter um peso decisivo na direcção nacional do partido e na respectiva agenda.

Quando o melhor do CDS determinar o rumo do partido talvez o partido possa ter o fio condutor que faz falta à direita em Portugal. Até lá, ficam os contributos de um excelente blogue que está bastantes furos acima da direcção do partido que apoia.

 

(também publicado no Estado Sentido)


18
Ago 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 02:19 | comentar | ver comentários (5)

 

Foreword de Anthem, escrito em Abril de 1946:

 

"The greatest guilt today is that of people who accept collectivism by moral default; the people who seek protection from the necessity of taking a stand, by refusing to admit to themselves the nature of that which they are accepting; the people who support plans specifically designed to achieve serfdom, but hide behind the empty assertion that they are lovers of freedom, with no concrete meaning attached to the word; the people who believe that the content of ideas need not be examined, that principles need not be defined, and that facts can be eliminated by keeping one's eyes shut. They expect, when they find themselves in a world of bloody ruins and concentration camps, to escape moral responsibility by wailing "But I didn't mean this!"

 

Those who want slavery should have the grace to name it by its proper name. They must face the full meaning of that which they are advocating or condoning; the full, exact, specific meaning of collectivism, of its logical implications, of the principles upon which it is based, and of the ultimate consequences to which these principles will lead.

 

They must face it, then decide whether this is what they want or not."

 

Como é normal na sua escrita, esta é mais uma daquelas passagens extremamente assertivas, envolventes e poderosíssimas. E tendo o acima exposto em mente, aplaudo quando defensores da escravidão como o PCP, mesmo que alegadamente combatentes pela liberdade - aquela que Cunhal queria tirar aos portugueses substituindo a ditadura salazarista por outra de cariz comunista -, estes nem sequer fazendo parte daqueles que se escapam à responsabilidade moral pelas atrocidades cometidas em nome da sua ideologia, mostram aquilo que realmente são ao defenderem a total nacionalização da banca comercial. Por outro lado, Sócrates e o actual Governo PS continuam a incessante caminhada rumo à crescente dependência de toda a sociedade em relação ao Estado que cada vez mais se confunde com o partido rosa. Todos eles grandes combatentes pela liberdade, anti-fascistas e que dispensam lições de democracia seja de quem for.

 

É tão simples quanto aquilo que Rui Ramos há tempos escrevia: "Os caminhos da liberdade são muitos e misteriosos. Mas talvez só à direita se possa perceber isso. Fui para a direita para ser livre".


(este é o 10.º post de uma série intitulada Em nome da liberdade, no Estado Sentido).


15
Ago 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 20:49 | comentar | ver comentários (1)

 

(imagem tirada do Politikae)

 

Os cartazes do CDS/PP são extremamente certeiros, colocando o dedo na ferida em questões essenciais que têm flagelado o nosso país. Será que alguém, do PS ou PSD, do Jamais ou do Simplex, se quer atrever a responder a estas 4 perguntas:

Há bom ensino sem autoridade dos professores?

É justo dar rendimento mínimo a quem não quer trabalhar?

Porque é que os criminosos têm mais direitos que os polícias?

É normal proteger o BPN e abandonar as PME'S?


14
Ago 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 00:42 | comentar

Um incisivo post de Henrique Raposo:

 

"Durante a campanha eleitoral, o QI desce a pique. Pessoas normalmente inteligentes perdem-se em discussões pouco dignas para a inteligência que mostram durante o resto do tempo. Campanha eleitoral é mesmo um time out na inteligência. Deve ser por isso que uns tipos no século XVIII começaram a construir o sistema "liberal", aquela coisa que põe uns freios na "democracia"."

 

É o mesmo de que já Schumpeter falava:


"O cidadão típico, por conseguinte, desce para um nível inferior de rendimento mental logo que entra no campo político. Argumenta e analise de uma maneira que ele mesmo imediatamente reconheceria como infantil na sua esfera de interesses reais. Torna-se primitivo novamente. O seu pensamento assume o carácter puramente associativo e afectivo."


12
Ago 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 00:07 | comentar | ver comentários (3)

Por razões que já explanei na minha casa original estive afastado da blogosfera na última semana, e o facto de estar a trabalhar no relatório de estágio / tese também não facilita, pelo que apresento as minhas desculpas por apenas agora poder iniciar a minha participação neste nosso Novo Rumo, restando-me, por último, agradecer o convite do António de Almeida e saudar os meus caríssimos e caríssimas colegas de blog.

 

Posto isto, inauguro a minha participação comentando brevemente um dos recentes desenvolvimentos relativos ao facto político mais importante dos últimos dias, a "Restauração da Monarquia" pelo 31 da Armada.

 

 

Ao que parece, querem responsabilizar judicialmente os autores da substituição da bandeira municipal pela bandeira azul e branca. Com BPN, BPP, BCP, Universidade Independente, Casa Pia, Freeport, Isaltino, Fátima Felgueiras, Vale e Azevedo e sei lá mais o quê bem mais premente e de que a justiça habilmente se vai esquecendo, parecem realmente decididos a dispender inutilmente dinheiro dos contribuintes. Ainda que de facto os autores do acto possam incorrer em crimes de furto e entrada em local vedado ao público  - quanto ao ultraje e símbolos nacionais, como já explicou o Nuno, a bandeira da CML não é nem nunca o foi, e é preciso não esquecer que ainda há uns anos era Mário Soares quem pisava a actual bandeira de Portugal, coisa que não me recordo de algum monárquico alguma vez ter feito, muito pelo contrário, muitos têm mais respeito por essa que os alegados republicanos - , se a justiça deve ser cega e eficaz deve sê-lo para todos e não utilizada conforme as circunstâncias políticas.

 

Se de facto avançarem com tal acção, a única coisa que vão provocar é aumentar a coesão em torno da causa monárquica e descredibilizar ainda mais o já de si frágil regime da III República - importa lembrar que os regimes democráticos devem ter no sistema de justiça um dos seus bastiões principais, e como todos sabemos, em Portugal vamos de mal a pior. Custa-me a crer que António Costa e as hostes do Largo da Rato não tenham o bom senso de escapar a tal armadilha...


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