Este texto tem bastante interesse e nos aspectos essenciais estou de acordo com tudo. No entanto, há algumas observações que gostaria de fazer, embora elas não tenham nada de novo:

- A dita "Direita" não ganha identidade ideológica apenas nos aspectos económicos e no relacionamento destes com o Estado. Há questões que colocam nos antípodas variados sectores do PSD e do CDS em relação ao PS, tais como o aborto, a lei da paridade, o casamento entre homossexuais entre outros assuntos relacionados com as liberdades individuais e a imposição do chamado progresso social imposto pelo Estado, bandeira de muitas franjas do PS e restante Esquerda;

- A actual lei do financiamento dos partidos e a lei eleitoral em si originam muita da mediocridade ideológica, uma vez que tornam mais propício que os partidos estejam mais preocupados com a elegibilidade e e satisfazer clientelas e patrocinadores do que com um projecto sério e alternativo para o País;

- A denominada extrema-direita, representada pelo PNR, embora seja de facto discriminada e mesmo maltratada pelos media e sectores de opinião, é mais socialista e estatista do que o CDS, PSD e mesmo que o PS. Eles diferem em assuntos relacionados com a autoridade e da imigração e relacionamento com a UE. Enquanto o socialismo dos outros é mais internacionalista, o PNR faz a diferença por ser nacionalista, e conservador nas questões sociais acima mencionadas.

Quanto ao resto, para retomar "o Norte", o caminho passa muito por se criar uma vaga de fundo - seja lá a forma que esta venha assumir - de ideias reformistas em relação à Constituição, sistema eleitoral e aparelho administrativo.
PF a 8 de Agosto de 2009 às 00:30

Obrigada pelo seu comentário que tenta acrescentar pontos de interesse para o texto. Respondendo em respeito pela ordem dos mesmos:

- Concordo que haja diferenças entre PSD e PS no que toca à simpatia expressa pelo “progresso social”, mas na prática os exemplos que referiu não são por si só definidores daquilo que o PSD e o PS representam em matéria social (há pessoas dentro do PSD a favor do aborto e no PS contra), nem essas diferenças são suficientes para falarmos de diferenças ideológicas de base.

- Apontar falhas do sistema eleitoral parece-me necessário à resolução do problema. Mas, como tentei explicar no texto, não creio que seja a causa do problema, mas sim apenas um dos vícios que ajuda a mantê-lo.

- Concordo que o PNR seja tão ou mais socialista de que os nossos grandes partidos. Não usei o exemplo do PNR como um partido não-socialista, mas sim como um exemplo de vítima da definição relativa dos partidos e dos tabus e preconceitos atribuídos à designação de “extrema-direita”.


Concordo com a sua conclusão e seria óptimo que o debate político português pudesse enveredar por essa reflexão de fundo (Constitucional) acerca das bases ideológicas que gerem a nossa vida política. Mas esse é já um estado de reflexão que requer uma prévia consciência do problema (o que tentei explicar no texto), problema esse que permanecerá camuflado, e logo não consciencializado, enquanto se continuarem a utilizar atributos sem referência ideológica como “direita” para mascarar partidos que são na verdade socialistas.