«The libertarian foolishly believes...» não se qualifica como uma análise neutra das diferenças entre conservadores e "libertários" (duvido que haja sequer um "liberal"ou "libertário" que se reveja nessa definição).

Mas fiquei surpreendida por ver que o texto assume que o conservadorismo é a negação da ideologia, pois sempre encontrei conservadores que se ofendiam quando eu o afirmava.
Elisabete Joaquim a 10 de Agosto de 2009 às 20:02

Ideologia no sentido de um enunciado de um sistema abstracto que se tenta impor a um determinado espaço e população. Não obstante isto, o Conservadorismo pode ser descrito com base em princípios filosóficos e morais, tal como Russel Kirk e Hughes (citados pelo autor) porcuram fazer.
PF a 10 de Agosto de 2009 às 22:43

"Neste sentido, faz sentido uma convergência entre liberais (ou libertários) e conservadores uma vez que há um adversário comum."

Também acho que faz. Mas faz sentido se o papel do Estado for o denominador comum que une liberais e conservadores.

Mas, quanto ao texto linkado, o autor, que faz por citar alguns pensadores conservadores para sustentar o que é o conservadorismo, mas não cita um único liberal, defende precisamente o contrário.
Jorge Assunção a 10 de Agosto de 2009 às 21:20

Eu sei, Jorge. Acontece que esse autor, pelos vistos, não conhece a realidade política de Portugal...
PF a 10 de Agosto de 2009 às 22:40

O autor não conhece a realidade política de Portugal, nem sabe o que é o liberalismo, o que é mais grave dado a análise que procura promover.

Talvez não saiba, Jorge. Mas há várias noções de liberalismo e esse debate tem dado origem a muita discussão na blogosfera e fora dela. Ele provavelmente terá a noção dos libertários dos EUA, os quais por sua vez também não são homogéneos. Contudo acho interessante o modo objectivo e veemente que ele caracteriza o conservadorismo. No que toca a liberais penso que ele tem razão quanto à sistematização ideológica abstracta. Apesar de tudo, admito que não terá sido um texto bem escolhido pela agressividade do estilo.
PF a 11 de Agosto de 2009 às 01:15

"Mas há várias noções de liberalismo e esse debate tem dado origem a muita discussão na blogosfera e fora dela."

Pois, é esse mesmo o problema do texto linkado. E o facto do autor do texto falar no liberalismo como se fosse um só, sem enunciar pensadores desse mesmo liberalismo para perceber o que contesta deixa-me logo de pé atrás. Por exemplo, F. Hayek disse de Burke que "foi um bom exemplo de libertário. De certa forma, porém, ele não era igualmente teórico. Foi um grande orador e, provavelmente, fez mais do que qualquer outra pessoa para expandir as ideias liberais. Ele não tinha ideias firmes, pois era levado pela emoção, mas, mesmo assim, creio que pode ser inserido entre os que cultivam a tradição da verdadeira liberdade.". E tinha má opinião de Rousseau, uma vez que este era "um descendente de Descartes, um racionalista, que desprezava toda a tradição e queria libertar os instintos primitivos do Homem, já que todas as leis tradicionais eram suspeitas e, deste modo, era preciso livrar-se delas.".

Caro Pedro,
1. qual foi o objectivo político deste texto? O artigo é um ataque frontal aos liberais. Depois alegas que tem de haver convergência de objectivos.
2. O artigo também é intelectualmente desonesto. A que se segue não é uma pergunta retórica - quem são esses "libertarians"? Ou será mais adequado dizer que não há ali caracterização que não seja homem-de-palha?
3. "ideology is founded upon abstract ideas which possess no relation to reality" - a ideologia é o sistema de valores que permite a um indivíduo diferenciar o Bem e o Mal na vida política. Boa ou mal, todos temos alguma ideologia. Negar a ideologia é negar que a natureza humana distingue entre Bem e Mal. Parece-me muito pouco conservador.
AntónioCostaAmaral (AA) a 12 de Agosto de 2009 às 20:13

"qual foi o objectivo político deste texto?"

Caro AA,
Permita-me declarar que não tenho objectivos políticos. Por vezes tenho a veleidade de divagar sobre ideias políticas e neste mesme espaço já houve tentativas, embora muito desastradas, de me negar credenciais de "coerência ideológica". Como não admito censuras de quem não reconhecço autoridade nem legitimidade moral de me dar credenciais continuo por cá.
Quanto ao artigo, foi sim uma provocação para pessoas mentalmente disponíveis para responderem a preceito mas sem indignações escravas das circunstâncias das ideologias da moda.
P.F. a 12 de Agosto de 2009 às 23:45

Caro Pedro,
Ninguém é obrigado a ser coerente, como não é coerente atacar os liberais e depois estender a mão; nem é coerente escrever contra o socialismo no seguimento de um texto que exorta a falta de ideologia. Quanto à provocação, enfim, não é possível provar uma negativa - neste caso, tantos e tamanhos homens-de-palha.
Cumprimentos
AntonioCostaAmaral (AA) a 12 de Agosto de 2009 às 23:55

Caro AA

Cito alguém que estabelece as diferenças entre liberais e conservadores. Tratando-se de alguém com uma ideologia definida, e por isso produzindo material algo parcial e não neutral e portanto com matéria mais interessante para uma discussão, não lhe pode ser exigido distanciamento científico. Por esse mesmo motivo, eu mencionei no título "Apesar de todas as diferenças..." que é o mesmo que dizer de posições antagónicas como esta.
Não estendi a mão a ninguém, pois não vivo disto. Dei uma sugestão de algo em que acredito: uma convergência de opinião, sob a forma do que quer que seja, de ideias políticas que se oponham à situação actua, desde que adversas à constituição de Esquerda e o exagerado papel do Estado na economia e sociedade..
Ganho com isto tanto ou menos do que outro português comum, pois eu não tenho agenda política nem represento ninguém. Por isso acho o termo "estender de mão" algo exagerado para o contexto em questão.
P.F. a 13 de Agosto de 2009 às 00:14

Point taken!