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Ago 09
Por zedeportugal, às 17:06 | comentar | ver comentários (6)

 

Imagem obtida aqui via De Rerum Natura


Por Elisabete Joaquim, às 16:22 | comentar | ver comentários (8)

Ainda a propósito do puritanismo moral (que subitamente emerge do debate político português) ao serviço da difundida prática de chacinar pessoas publicamente, agora pergunta-se «qual é o interesse do PSD em ter um candidato suspeito (…) de actividades pouco recomendáveis?».

 

Numa lógica estadista em que aquilo que está certo fazer se mede em função de interesses internos, a lembrar a máfia que castiga quem não joga pelas suas regras, o PSD enquanto jogador no colectivo não tem de facto qualquer interesse em atirar para si esse tipo de atenções.

 

Manuela Ferreira Leite é precisamente criticada por não ceder às regras do politicamente correcto, por gerir as suas escolhas segundo critérios éticos e não segundo os critérios dos interesses que a máquina engendrou para se auto-sustentar.

  

Nessa lógica amoral, percebe-se que o apurar concreto da natureza das actividades do candidato seja irrelevante: não está em causa o princípio de justiça nem qualquer outro tipo de valor ético, o que está em causa é o desafio às regras da máquina, uma máquina mafiosa em que justiça e política se misturam e governam as vidas privadas ao ponto em que ser suspeito pela justiça é suficiente para entrar na categoria de ostracizado político. E dizer que a presunção de inocência (tratado como uma espécie de artifício sem alicerce ético) nada tem que ver com o caso é como assumir a inocuidade da bufaria como instrumento político.

 

Mesmo que não intencionalmente, esse raciocínio serve na prática uma técnica de defesa do status quo, desenhada para tornar impossível a qualquer pessoa não-amiga da máquina, qualquer pessoa sequer suspeita de infringir as regras, candidatar-se a um cargo político (potencialmente reformador da própria máquina), o que garante internamente a segurança da máquina tal como está, aceitando no seu interior apenas as pessoas que aceitam não a mudar. Mudar as regras por dentro é impossível quando essas estão protegidas por mecanismos de ostracização dos não-amigos.

 

Em nota, acrescento que, para a máquina política, crimes dependem apenas da definição de quem já está na máquina. Assim, por exemplo, o «financiamento partidário ilegal» não tem referente ético, é um eufemismo para “não respeitou as regras que inventámos para nós próprios logo não pode continuar no nosso jogo”, um eufemismo que define voluntariamente corrupção como o acto de não jogar pelas regras. Que problemas éticos adviriam de um financiamento privado de políticos? Ou ainda mais flagrantemente, será ético defender o financiamento estatal dos partidos?

 

ps: dado que o texto foi mal interpretado devido a imprecisões do mesmo, faço a seguinte nota pós-publicação: quando falo de ostracização de pessoas não-amigas à máquina não digo nem defendo que as actividades que António Preto supostamente fez sejam não-amigas da máquina (positivas). O objectivo era levar o raciocínio à última consequência e mostrar que serve os interesses do status quo. Se MFL tivesse cedido a pressões politicamente correctas teria de facto servido os interesses do PSD, mas teria traído a sua consciência ética. Para dar outro exemplo, se a lei de um país proíbe que se fira a sensibilidade de judeus, um cientista que chegue à conclusão de que câmaras de gás não existiram não tem qualquer defesa possível em tribunal, e por mais que tente ele e o seu advogado irão presos porque durante a própria tentativa de defesa incorreram novamente no crime pelo qual o cientista foi acusado. Quando esse país quisesse calar um historiador qualquer teria apenas de invocar que ele fere a sensibilidade de judeus, o que é um julgamento tão bárbaro quanto ostracizar alguém por "suspeitas".  Neste e no outro caso, o apuramento da verdade é sacrificado em prol da lógica de interesses internos à máquina no poder, atitude que desafia qualquer princípio ético. Claro que se se apurar que António Preto cometeu de facto crimes, a atitude de MFL terá de ser outra.


Por Jorge Assunção, às 15:24 | comentar | ver comentários (2)

O lóbi assume uma conotação negativa em Portugal, não estando regulamentado, nem sendo permitido. Nos EUA está generalizado e toda a gente sabe que existe e quem o pratica, quem pretende contribuir financeiramente a um congressista para ele levar ao Congresso um projecto de lei que é benéfico para o seu lado, pode fazê-lo, e tal contribuição virá depois expressa na declaração de rendimentos da campanha do congressista. Em Portugal, tal é expressamente proibido. A proibição portuguesa não evita o 'lobing', leva é a situações obscuras e a dinheiro/favores passados por baixo da mesa. No caso português só alguns, os que têm ligação com quem exerce o poder, é que podem fazer lóbi, e o eleitor nunca terá conhecimento de quem o praticou. O sistema actual é pouco transparente e incentiva a corrupção. Já era tempo de pensar em reformular o mesmo.


Por António de Almeida, às 13:02 | comentar

   -O governo bem pode apregoar aos quatro ventos a sua determinação em matéria de políticas sociais, os resultados não enganam. O país está a pagar a factura de opções erradas em matéria de impostos, fruto de complexos ideológicos da esquerda, asfixiando fiscalmente as empresas, várias foram obrigadas ao encerramento, diminuindo as receitas do Estado, aumentando a despesa pública, que já nem consegue acudir às necessidades.

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Por Cristina Ribeiro, às 00:41 | comentar | ver comentários (2)

a auto-estrada que faz a ligação da A 1, que vem do Norte a Lisboa, ao Algarve - Almeirim / Marateca, e fiquei muito impressionada com o facto de se ter gasto tanto dinheiro numa auto-estrada onde por nós só passaram 2, o máximo 3 carros; o  investimento só se justifica quando entramos na A 2, que liga Lisboa ao Algarve; e pensei nas estradas da Noruega, esse sim, um país rico.

 

           ( Isto, em pleno mês de Agosto! )


Por Jorge Ferreira, às 00:26 | comentar

Se Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições vou divertir-me a ver os críticos de hoje por causa de Passos Coelho, António Preto e tal contornarem as divergencias de "ontem" em nome do interesse nacional e da estabilidade governativa, institucional e tal e tal. Se perder as eleições vou divertir-me a ver os louvaminheiros de "ontem" a encher o curriculum com discordâncias atempadas e oportunas acerca das famosas listas que nunca lhes conheceramos até então. Vai começar a época do futebol...

 

(publicado também no Tomar Partido)

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Por Samuel de Paiva Pires, às 00:07 | comentar | ver comentários (3)

Por razões que já explanei na minha casa original estive afastado da blogosfera na última semana, e o facto de estar a trabalhar no relatório de estágio / tese também não facilita, pelo que apresento as minhas desculpas por apenas agora poder iniciar a minha participação neste nosso Novo Rumo, restando-me, por último, agradecer o convite do António de Almeida e saudar os meus caríssimos e caríssimas colegas de blog.

 

Posto isto, inauguro a minha participação comentando brevemente um dos recentes desenvolvimentos relativos ao facto político mais importante dos últimos dias, a "Restauração da Monarquia" pelo 31 da Armada.

 

 

Ao que parece, querem responsabilizar judicialmente os autores da substituição da bandeira municipal pela bandeira azul e branca. Com BPN, BPP, BCP, Universidade Independente, Casa Pia, Freeport, Isaltino, Fátima Felgueiras, Vale e Azevedo e sei lá mais o quê bem mais premente e de que a justiça habilmente se vai esquecendo, parecem realmente decididos a dispender inutilmente dinheiro dos contribuintes. Ainda que de facto os autores do acto possam incorrer em crimes de furto e entrada em local vedado ao público  - quanto ao ultraje e símbolos nacionais, como já explicou o Nuno, a bandeira da CML não é nem nunca o foi, e é preciso não esquecer que ainda há uns anos era Mário Soares quem pisava a actual bandeira de Portugal, coisa que não me recordo de algum monárquico alguma vez ter feito, muito pelo contrário, muitos têm mais respeito por essa que os alegados republicanos - , se a justiça deve ser cega e eficaz deve sê-lo para todos e não utilizada conforme as circunstâncias políticas.

 

Se de facto avançarem com tal acção, a única coisa que vão provocar é aumentar a coesão em torno da causa monárquica e descredibilizar ainda mais o já de si frágil regime da III República - importa lembrar que os regimes democráticos devem ter no sistema de justiça um dos seus bastiões principais, e como todos sabemos, em Portugal vamos de mal a pior. Custa-me a crer que António Costa e as hostes do Largo da Rato não tenham o bom senso de escapar a tal armadilha...


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