Antecipando possíveis más interpretações: não estou com isto a defender actos ilegais ou a dizer que MFL esteja a fazê-lo ao defender o seu candidato. O texto fala apenas da sobreposição do plano de interesses com o plano ético na política.
Elisabete Joaquim a 12 de Agosto de 2009 às 16:35

"Que problemas éticos adviriam de um financiamento privado de políticos?"

No meu entender, nenhum. Mas não concordo com a forma como a Elisabete parece olhar para o caso de António Preto. A confirmar-se aquilo de que o acusam, este faz parte precisamente do status quo e não terá qualquer incentivo a mudar o actual sistema. Ele é o sistema, ele faz parte da máquina, ele é a pessoa amiga. Como digo mais abaixo, o sistema português não acabou com o financiamento privado de políticos, apenas o torna menos transparente e acessível, mas quem dele tira proveito (e tanto tira proveito dele o que recebe como o que entrega a mala), acha muito proveitoso a forma como as coisas estão. Os actos de que António Preto é acusado, em Portugal, não são praticados por quem discorda da lei, mas por quem concorda com esta, exactamente para obter proveito ao não cumpri-la.
Jorge Assunção a 12 de Agosto de 2009 às 16:50

Eu não estou a olhar para o caso de António Preto, estou a olhar para o racoicínio por trás da sua condenação pública. O texto pretende fazer análise formal de um certo tipo de raciocínio, e não defender a inocência de António Preto (a qual é irrelevante para o mesmo).

Princípios éticos têm de ser universais e não dobrar-se a exepcções, isto é, ainda que António Preto seja culpado isso não torna ético o raciocínio de que alguém deve ser ostracizado da esfera política por suspeitas não confirmadas.

"Eu não estou a olhar para o caso de António Preto"

Mas então porquê que é referido o "financiamento privado de políticos"?

Refiro-me ao caso "MFL criticada por não retirar António Preto da lista", traduzindo no texto por "MFL criticada por utilizar critérios éticos e não ceder à lógica da máquina".

Quando digo que não me refiro a António Preto em concreto quero dizer que é irrelevante se ele é inocente ou culpado, ou que poderia ser outro suspeito no seu lugar na lista.

Poderia não ter referido o financiamento privado de políticos. Fi-lo no fim para dar um exemplo das duas lógicas (ética e estadista) em concorrência. Mas admito que possa ter confundido o teor do texto.

Os actos de que António Preto é acusado, em Portugal, não são praticados por quem discorda da lei, mas por quem concorda com esta, exactamente para obter proveito ao não cumpri-la. - Jorge Assunção

Mas isso é precisamente o que se disputa no julgamento. Saber se o arguido praticou, de facto, tais actos e se, ao fazê-lo, cometeu os crimes de que é acusado. Ou seja, o Jorge Assunção está a partir do pressuposto de que os factos que constam da acusação são verdadeiros - o que ainda está por provar - para fazer o retrato político do candidato. Ora é exactamente isso que o post critica e bem, quanto a mim.

A escolha de António Preto é por isso inatacável do ponto de vista ético, porquanto atacá-la nesse prisma implica violar a presunção de inocência e, já agora, a separação de poderes, visto que o apuramento de responsabilidade cabe aos tribunais e não aos partidos.

Já do ponto de vista político, parece-me um tiro no pé, na medida em que se associa o partido ao destino do candidato, que pode ser o de condenação transitada em julgado.
José Barros a 12 de Agosto de 2009 às 18:08

"o Jorge Assunção está a partir do pressuposto de que os factos que constam da acusação são verdadeiros"

Talvez não tenha sido claro, mas só estou a tentar esclarecer que aquilo de que António Preto é acusado, não pode ser remetido para uma lógica de "financiamento privado de políticos". Só me refiro à avaliação dos actos em causa e ao retrato político que se deve traçar de qualquer candidato que cometa tais actos. Não faço qualquer avaliação sobre se António Preto tem esse perfil ou não, uma vez que não sei se cometeu os actos.

Tem razão em muito do que afirma.

No caso do preto julgo que pode ainda considerar-se um verdadeiro caso de racismo ;). Senão vejamos:
Como de costume, mandaram o preto ir buscar o dinheiro. O preto foi e, na sua pouca esperteza, deu nas vistas e foi apanhado. Agora a culpa é do preto... Não há direito: a culpa é sempre do preto, pá! (LOL)
zedeportugal a 12 de Agosto de 2009 às 16:58