A pergunta que se exige no momento e dado o contexto actual.

A Groundforce é o quê?

Privado ou Publico?

Só depois disto se pode discutir as ideias que aqui apresenta.
Daniel João Santos a 28 de Agosto de 2009 às 22:39

A Groundforce é uma empresa privada, cujo capital é detido pela TAP. A concorrente Portway é uma empresa privada, cujo capital pertence à ANA.

Muito bem. Desculpa lá, mas agora exige-se a pergunta seguinte:

Os funcionários pertencem ao sector publico ou ao privado?

Comentei mais a baixo (este esquema do Sapo de responder a comentários de comentários e/ou comentar o texto principal baralha-me frequentemente).

Como referi, não tinha esta greve especificamente em mente.

Em todo o caso, creio que há a ter em conta que a TAP é uma empresa de capitais públicos.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:05

Mas Groundforce é privada.

Realmente, não conheço a estrutura accionista da empresa. Mas, como referi, não tenho em mente este caso especificamente.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:18

A Groundforce, para todos os efeitos, está sob controlo estatal. Nomeadamente, está dominada pela TAP, que tem 49,9% e, a título provisório e para cumprir a lei que proíbe a TAP de controlar a Groundforce há um grupo, denominado, Europartners que controla os restantes 50,1% (é a título provisório porque os privados que dominavam esses 50,1% venderam o capital para a TAP, a TAP entretanto ainda não conseguiu encontrar nenhum privado que compra essa parte e foi encontrada uma solução provisória). Mas, como digo, é a TAP que controla efectivamente a Groundforce e a TAP é uma empresa pública. Não por acaso, os trabalhadores querem que seja o governo a segurar os postos de trabalho e manifestam-se especificamente contra a TAP.

Já agora, talvez isto ajude a explicar o que preocupa os trabalhadores da Groundforce:

http://www.ver.pt/conteudos/Detalhes_Clipping_Sector.aspx?Ev=5160

"TAP admite desmembrar Groundforce para atrair possíveis compradores. Transportadora quer alienar negócio do 'handling' e vai avaliar todas as propostas que surgirem. TAP não põe de parte vender a totalidade da empresa."

Obrigado pelos esclarecimentos.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:44

Apesar de esta tirada ter saído agora com a greve da Groundfource, tenho este ponto de vista há tempo considerável. Aliás, nem me estava a cingir especificamente à Groundfource. Tinha em mente as anuais greves nos transportes públicos, as inevitáveis greves da TAP no Natal, Páscoa e Verão e mais umas quantas habituais greves no sector público.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:01

Lembrara que fazer greve implica a perda desses dias na remuneração, tirando isso...

Ok, há perda de dias de remuneração. Mesmo assim, no panorama geral, quem faz greve? Não consigo apontar um número, mas a minha percepção - que pode estar errada, claro - é que é no sector público que a larga maioria das greves acontece.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:21

"a minha percepção - que pode estar errada, claro - é que é no sector público que a larga maioria das greves acontece."

Em Portugal não é uma percepção, é um facto. E há coisas verdadeiramente notáveis, por exemplo, na banca, a última greve foi feita pelos trabalhadores da CGD. Da CGD, que são só aqueles que, de todos os trabalhadores do sector, têm as melhores condições de trabalho.

Portanto só fazem greve as empresas que pertencem ao estado...
manuel gouveia a 28 de Agosto de 2009 às 23:19

Não tenho dados que fundamentem a minha percepção. Anualmente, quem faz greves com a precisão de um relógio suíço? Transportes públicos, função pública, educação, saúde.
jorge a 28 de Agosto de 2009 às 23:25

Os transportes públicos designam-se assim mas são privados, os seus funcionários estão no regime geral!

"Os transportes públicos designam-se assim mas são privados, os seus funcionários estão no regime geral!"

O Manuel importa-se de explicar quais são os transportes públicos a que se refere? Eu não me interessa em que regime estão os funcionários dessas empresas, interessa-me é quem detém o capital dessas empresas. Claro que, por exemplo, um trabalhador do Metropolitano de Lisboa não é um funcionário público, mas isso não faz com que a empresa deixe de ser gerida por capitais públicos e os seus prejuízos sejam suportados pelo contribuinte.

São tão privados como os funcionários do BPN, onde também os contribuintes pagaram os prejuízos de uma má gestão e provavelmente fraudulenta...

O país não tem um problema de regime mas de falta de justiça e de moral!

"São tão privados como os funcionários do BPN, onde também os contribuintes pagaram os prejuízos de uma má gestão e provavelmente fraudulenta..."

Eu adoro quando o Manuel começa a desconversar. E é um problema de regime, sim. Um problema de um Estado que tudo quer, tudo pode e em tudo manda. Nem devia nacionalizar o BPN, nem devia pagar prejuízo atrás de prejuízo das empresas públicas, desbaratando dinheiro do contribuinte. Quanto às greves nos sectores públicos são típicos de quem procura extrair rendas aos contribuintes. E os políticos por motivos eleitorais vão atrás.

Tu atacas o publico e não vês os mesmos defeitos no privado!
manuel gouveia a 29 de Agosto de 2009 às 00:07

Ponto da situação.

A discussão começou quando se defendeu que quem fazia greve era só os privados.

Foi a aqui colocada a situação da empresa groundforce, que é aos olhos do estado uma empresa privada, mais concretamente os trabalhadores são colocados pela lei como trabalhadores privados.

O que disseste mais acima é que eles fazem greve por querem ser equiparados a funcionários públicos, quando no texto é defendido que quem faz greve é o sector publico.

A transformação de uma cato legitimo como a greve num acto obsceno de quem faz greve por querer uma ponte ou farias prolongadas, é algo no mínimo indelicado.

"que é aos olhos do estado uma empresa privada"

Aos olhos do Estado é uma empresa privada, sob a qual o Estado tem controlo. Que bela empresa 'privada'. Não tarda estás como o porta voz do PS: a Portugal Telecom é uma empresa privada como tantas outras. Yeah, right. Viu-se. E nessa o Estado só tem acções douradas. Na Groundforce, o Estado controla efectivamente, através da TAP, a empresa.

"O que disseste mais acima é que eles fazem greve por querem ser equiparados a funcionários públicos, quando no texto é defendido que quem faz greve é o sector publico."

Foi isso que eu disse, Daniel? Quem vê com essa conversa sobre os funcionários públicos que não interessa a ninguém foi o Manuel. Eu digo que os trabalhadores da groundforce querem extrair rendas ao contribuinte, aproveitando o facto da empresa ser controlada pelo Estado. E, embora não diga, deixo subentendido que o que os trabalhadores têm receio é que a sua empresa passe a ser controlada por capitais privados. Porque é óbvio que sem uma reestruturação, que a empresa pública TAP, que controla a groundforce, está a tentar fazer, nenhum privado vai querer pegar na Groundforce, que dá prejuízo e tem uma estrutura de custos pesada.

Como digo ao Manuel, o que me interessa não é o enquadramento legal que é dado aos trabalhadores, mas sim que tipo de capitais, públicos ou privados, controlam a empresa. A maior parte das greves são feitas em empresas com capital público, ou seja, controladas pelo Estado. A Groundforce insere-se nesse quadro. E os trabalhadores gostarão certamente que assim se mantenha (repito: mantenha, não querem transformação nenhuma, nem querem ser funcionários públicos).

E eu vou dar a discussão como terminada por aqui, porque achei que tinha sido claro no primeiro comentário. Tu, como o Manuel, é que gostas muito de desconversar.

"Quem vê"

quem veio, queria eu dizer.

Eu não estou a desconversar, engano teu.

Para já, quando me referi ao texto, referia-me ao texto do post.

De seguida, o objectivo era tentar por em causa o facto, também lá escrito, que os funcionários públicos passam a vida em greves por dá cá aquela palha. Sem se referenciar que a greve implica a perda da remuneração.

De seguida, puxei o assunto da groundforce de forma a tentar provar que funcionários que são considerados privados aos olhos da lei, também fazem greve, como fazem outros em frente das fábricas de calçado aqui da minha região.

Depois, se respondeste ao Manuel, não sei, visto que eu respondo por aviso de mail, sem ter a obrigação de saber o que o Manuel disse ou não.

Por fim, tens de reconhecer que todo o texto é uma visão redutora da função publica. Além disso a defesa de direitos ou a tentativa de se lutar pelo que se acredita é legitima e fundamental numa democracia.



Também nunca fiz greve

http://novo-rumo.blogs.sapo.pt/55664.html
António de Almeida a 29 de Agosto de 2009 às 10:08