"Traduzido numa sistema político, o libertarianismo é compatível com um governo de funções minimalistas, uma minarquia, não advogando necessariamente a anarquia, desde que o "Estado cumpra estritamente as suas funções e «deixe as pessoas em paz»."

1- Não há consenso mesmo entre libertários que "funções minimalistas são estas".
2- "As pessoas", essa entidade muito complexa" não parecem nada querer "ser deixadas em paz". Resta saber o que farão elas com essa "paz" e daqui vem o tal pessimismo que ao contrário do que pensa a Elisabete não é "uma nuvem fatalista" mas sim o fardo eterno da existência humana derivado do sofrimento que causa o Homem entregue a si próprio e aos seus desejos.

"o «pessimismo» é deduzido a partir da premissa da necessidade de existência do Estado como se no contrato que se faz com esse prestador de serviço estivesse uma cláusula de cedência total dos poderes e deveres dos cidadãos na gestão das suas vidas privadas"

Não conheço nenhum "pessimista", no sentido antropológico do termo, que defendesse a intromissão do Estado na "vida privada das pessoas", precisamente por o pessimismo de um céptico ser dirigido primeiro ao poder vigente e só depois ao indivíduo (o qual também é uma fonte de poder...). Contudo, o problema começa precisamente naquela questão mais antiga do que a Sé de Braga de a a liberdade da vida privada de uns colidir com a do vizinho. Daí é que foi precisa a chatice da catrefada de leis e quejandos, para lá de muitas questões metafísicas, indissociáveis da política, que ultrapassam esta discussão.
P.F. a 5 de Setembro de 2009 às 18:00

«o fardo eterno da existência humana derivado do sofrimento que causa o Homem entregue a si próprio e aos seus desejos»

Continuamos no campo da poesia, portanto.

«Não conheço nenhum "pessimista", no sentido antropológico do termo, que defendesse a intromissão do Estado na "vida privada das pessoas"»

A sua noção de "vida privada" deve ser diferente na minha porque, contrariamente ao que diz, o que abunda por aí é a defesa ou pelo menos a resignação com a intromissão do Estado na mesma.

Quando a "poesia" dos outros não lhe é de feição, a Elisabete parte para a "prosa".
Faça de conta que eu não disse nada, tá bem. Bom fim-de-semana.
P.F. a 5 de Setembro de 2009 às 21:09

Para exemplificar o que escreveste no texto basta lembrar que o libertário Robert Nozick passa boa parte do livro “Anarchy, State and Utopia” a criticar os anarquistas em defesa de um estado mínimo. Nesse livro, antes de atacar o “esquerdismo” de Rawls ele fez questão de explicar aos anarquistas porque é que a existência de um estado mínimo (de direito) é necessária. E não era porque ele era necessariamente optimista...
Filipe Faria a 6 de Setembro de 2009 às 15:11

O argumento de Noziick foi desmontado por Murray N Rothbard (e outros) num artigo de nome: "A imaculada concepção do Estado" (disponível em mises.org).

A tentativa de refutação do anarquismo deverá começar por explicar como é que o mundo vive em anarquia internacional onde cada comunidade (Estado) estabelece o seu próprio direito e possui o seu próprio bando armado de violência e apesar disso sobrevive e o mundo avança.

Não era suposto ser absolutamente necessário existir uma entidade externa com o poder unilateral de violência par impedir que o caos descesse à civilização?

Esta é a realidade, a fantasia é pensar outra coisa qualquer,

PS. A definição de um Estado é ser um monopólio territorial da violência.
CN a 6 de Setembro de 2009 às 21:30

CN = Carlos Novais
CN a 6 de Setembro de 2009 às 21:30

acabei de comentar no FB da Elisabete na mesma linha :)

Gostei de achar este texto.
Bom saber que exista quem defenda o libertarianismo em Portugal.

Faço parte do grupo de pessoas que está fundando um partido libertário no Brasil.

Filosofia: www.libertarianismo.com
Partido: www.libertarios.com.br
filipe celeti a 14 de Setembro de 2009 às 04:13