29
Set 09
Por Carlos Novais, às 12:27 | comentar | ver comentários (1)

"A economia de casino está longe de ter sido ultrapassada (...). E, sem isso, não será possível ultrapassar a crise." Mário Soares, "Diário de Notícias", 29-9-2009

 

O pior das recorrentes bolhas seguidas de crises financeiras é a facilidade com que se atribui culpas ao suposto capitalismo financeiro. Mas a realidade é outra: Os Bancos Centrais por natureza estimulam o crédito por pura criação de moeda em vez transferência de poupança prévia e voluntária de aforradores para investidores (e hoje em dia, até consumidores a crédito).

 

A "economia de casino" (vamos definir como: bolhas de preços fomentadas artificialmente por crédito dando lugar a especulação não sustentada) a existir subsiste só pela crendice (académica e política: é uma relação de simbiose) que o crédito barato (barato por puro intervencionismo, dado que num sistema livre, todo o crédito monetário teria de resultar do acto consciente de poupança prévia monetária e isso conduziria a taxas de juro reais mais elevadas) do que assim resulta é positivo para o investimento, o que demonstra bem a disfunção cognitiva que é falar-se sempre de "crédito versus investimento" em vez de "poupança versus investimento" como se o crédito fosse uma variável independente.

 

Com o facilitismo do crédito que assim tem lugar, nascem as bolhas (mais visíveis nos preços imobiliários, ou acções, ou de matérias -primas, etc..). Pelo caminho tem lugar o chamado "efeito Cantillon" (economista, 1680 - 1734) onde os primeiros recebedores das novas quantidades de dinheiro (sob a forma de novo crédito) são beneficiados em relação ao resto da economia por poderem gastar essa nova moeda ainda antes de esta se adaptar com preços relativos mais altos. É um certo efeito que apenas por instinto autores de esquerda articulam de forma desordenada sem conhecer as causas mas que um liberal deve identificar sem pudor: um certo complexo financeiro-industrial que beneficia por estar mais perto da fonte de novas quantidades de moeda e crédito que não resultam de pagar a taxa de juro natural (uma que resultaria de um sistema monetário livre) aos aforradores.

 

A raiz do problema:

 

Todos sabemos que os Bancos têm a quase totalidade dos depósitos à ordem concedidos a crédito ou investidos. O que faz com que qualquer movimento de pedidos de transferência ou levantamentos em maior valor se transforme em insolvência de parte do sistema bancário (primeiro um banco, depois os outros).

 

Esta disfunção jurídica e económica onde se quer que por um lado moeda seja moeda (um meio de pagamento imediato) e por outro seja crédito é a prova que o actual sistema monetário é insolvente por natureza e apenas devido aos ... Reguladores.

 

Além disso, no acto de expansão por concessão de crédito, os bancos limitam-se a creditar a conta de depósitos à ordem do novo credor, criando assim moeda, em vez de transferir poupança monetária de aforradores.

 

Este simples facto providencia:

 

- taxas de juro mais baixas que a taxa "natural"

- a ilusão de poupança que não existe

- a ilusão da sustentabilidade do investimento em curso

 

Dando assim lugar ao erro económico generalizado (como sempre acontece quando a função de informação providenciada pelos preços relativos é deturpada).

 

Quando a bolha rebenta, toda moeda criada no acto de concessão de crédito que induziu a ilusão de prosperidade e sustentabilidade do investimento em curso (real, acções, imobiliário, etc.) transforma-se em má moeda porque o crédito concedido passa a mal parado, e os bancos deixam de deter reservas de moeda suficientes para fazer face a movimentos de depósitos à ordem o que conduz a corridas aos bancos.

 

Dá-se assim o acto perfeitamente racional e justificado de depositantes a querer transformar os seus depósitos à ordem de má qualidade em moeda.

 

Depois surgem os economistas e políticos a atribuir culpa ... à economia de casino, à maior poupança e falta de investimento privado a ao fenómeno que apelidam de "armadilha de liquidez"  trocando por completo causas com consequências e propõem:

 

- injecções massivas de ainda mais moeda e crédito

- aumento da despesa e investimento público para se substituir à queda do investimento privado

 

Mas a crise quando tem lugar é na verdade o processo de cura da doença caracterizada por excessos e ilusões.

 

Nota: para bibliografia do ponto vista da Escola Austríaca (Mises, Hayek, Rothbard e muitos outros) ver aqui.


26
Ago 09
Por P.F., às 18:13 | comentar | ver comentários (3)

O texto que se segue, acessível a ultraleigos como eu, desmonta bem a falácia da ideia do consumo como propulsor da economia e da poupança como elemento retardador e obstáculo do avanço económico e resolução de crises a médio-longo prazo. Por sua vez, esta desmitificação, que vem ao encontro de muitas outras ao longo dos tempos, acaba por deitar por terra o propósito de muitos programas governamentais de fomento do consumo, mesmo aqueles que pretendem impulsionar um sector de modo específico.

 

In The Freeman Online

 

Most saving takes the form of financial instruments, including everything from basic checking accounts to the fanciest investment tools. If people are keeping higher checking account balances or putting more in savings accounts or money market mutual funds, then that wealth is not withdrawn from the economy. It is simply channeled elsewhere than into consumer goods. Financial institutions that accept such deposits lend them to customers who invest in their businesses. This is the process of creating the capital that is the sine qua non of sustainable, long-term economic growth.

In Bastiat’s terms, we see the lost expenditures at the retail store, but we mostly don’t see the “backdoor” way the savings are channeled to other businesses. More precisely, an increase in the savings rate represents a change in consumers’ time preferences: They are saying they are less interested in current consumption and more interested in future consumption. The beauty of financial markets is that they translate that change in preferences into a change in the flow of resources. Those investments will take time to become consumption goods, but that’s what consumers want.


22
Ago 09
Por zedeportugal, às 12:32 | comentar

ou a velha (e nunca aprendida) lição de que os problemas não se resolvem pela aparência, mas apenas agindo na essência.


Regulators close 2 banks in Florida, 1 in Oregon, marking 72 US bank failures this year
Associated Press
Last update: August 7, 2009 - 10:46 PM

 

U.S. regulators close three banks
Fri Aug 14, 2009 10:08pm EDT

 

US regulators close Colonial
By Julie MacIntosh, Henny Sender and Saskia Scholtes in New York
Published: August 15 2009 00:52 | Last updated: August 15 2009 00:52

 

Aug 14, 2009 6:47 pm US/Eastern
Regulators Close Dwelling House Savings & Loan

 

Mas não nos fiquemos por alguns artigos mais recentes e vejamos a lista completa das falências de bancos e outras instituições financeiras nos EUA, aqui.

 

O que terá a dizer sobre isto o simplório simplex que escreveu esta simplexidade*.
E, havido este singelo momento de devaneio, passemos ao essencial.

 

A pergunta lógica a fazer em seguida é: Porque acontece isto nos Estados Unidos da América e não na Europa?

 

Exploremos algumas das razões que podem dar respostas plausíveis:
Algumas dessas razões podem encontrar-se neste artigo da BBC News publicado em 5 de Outubro do ano passado, German bank at risk of collapse:

 

The leaders also issued a joint call for a G8 summit "as soon as possible" to review the rules governing financial markets.
They decided instead to seek a relaxation of the EU rules governing the amount of money individual states can borrow.
...
UK Prime Minister Gordon Brown, meanwhile, called on European leaders to send the message that "no sound, solvent bank should be allowed to fail through lack of liquidity".

 

Traduzindo e topicalizando:
1. Ignorar as regras da UE que determinam o montante máximo de empréstimos que cada país pode contrair;
2. Alterar as regras dos mercados financeiros;
3. Injectar liquidez em qualquer banco considerado solvente (mas não verificado, como se viu no caso do BPN).

 

Contudo, só isto não poderia explicar a quase absoluta ausência de falências bancárias nos países da UE. Como mantém a Europa esta liquidez, que aparentemente excede a produção de moeda pelo BCE?
A resposta a estas perguntas poderá estar subjacente a esta notícia que se reporta ao conhecido caso do departamento de justiça dos EUA contra o banco suíço UBS:

 

Putting figures on the secret banking industry is as precise a business as the old game of pinning the tail on the donkey, but experts reckon that Switzerland is home to about a third of the world's $11 trillion or so in clandestine wealth.
What this week's announcement adds up to is a small but significant crack in the giant black box that is Swiss banking.

 

Como se pode ler em cima, as autoridades norte americanas calculam em 11 triliões de dólares – pela escala numérica europeia, 11 biliões de dólares – os montantes depositados em contas reservadas de bancos europeus para fugir aos impostos nos EUA. Desses, calculam que apenas 1/3 esteja em contas suíças, o que significa que muito deste dinheiro estará em contas de outros países, que não forçosamente paraísos fiscais, como por exemplo o Liechtenstein, o Luxemburgo e a Bélgica (para só mencionar os suspeitos do costume).

 

Mas... que problema pode estar por detrás desta constatação?

 

UBS clients can report their accounts to the IRS until Sept. 23. Those voluntary disclosures helped widen the IRS net.
“As more Americans voluntarily come into compliance and face their financial obligations, more leads are being developed and new investigations are initiated,’’ acting US Attorney Jeffrey Sloman said.

 

É muito simples. À medida que o dinheiro for ficando visível, o interesse dos seus proprietários em mantê-lo na Europa desaparece. A maior parte destas contas europeias, que estavam em bancos ainda não acusados pela administração norte americana, já terão por esta altura zarpado para outros lugares e continentes, ou estarão em vias disso.
Ora, o resultado imediato desta acção será um decréscimo muito rápido e acentuado da liquidez nos países da Europa, agravado pelo facto de, em muitos casos, os bancos estarem a esconder este sangramento para não se colocarem à mercê das questões judiciais que daí resultariam.

 

E, a crise financeira voltará a agravar-se. Ou pensam que é por acaso que, ao contrário dos socretinos por aí andam (ainda), o senhor Trichet recomenda prudência (mesmo pressionado por Bernanke ao contrário) e a senhora Merkel faz estas declarações. Ora ora...

 

Nota: Este texto foi publicado primeiro aqui.

---

*O mau neologismo simplex - ṭo ao gosto destes maviosos e loquazes nerd-socialistas Рexpressa muito bem a qualidade do que vai nas suas elementares cabecinhas.


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