Na Suíça, por exemplo, isto não seria construído na capital. (clique na imagem para ver de que se trata)
![Centro de Investigação da Fundação Champalimaud]()
Escolher-se-ia um lugar tranquilo, numa bela encosta, a cerca de meia hora de automóvel de uma cidade grande. De preferência, nas proximidades de uma pequena vila ou aldeia com uma estação de caminho de ferro. (clique na imagem)
![Paul Scherrer Institut, CH-5232 Villigen]()
(Posso afirmar isto porque lá trabalhei e tive contactos com gente responsável pelo ordenamento do território que conduzia processos de decisão de empreendimentos deste género.)
Por cá planta-se mesmo à beira do Tejo, junto à barulhenta Doca-Pesca, num lugar com trânsito intenso, justificando essa localização com paleio deste teor:
O Centro Champalimaud ficará implantado na zona ribeirinha de Pedrouços. É um local privilegiado, perto da Torre de Belém, e onde o rio se encontra com o Oceano Atlântico e de onde os navegadores portugueses partiram há cinco séculos em busca do ‘desconhecido’. A presença de um centro de investigação científica de excelência e de reputação internacional alavanca o legado histórico desta zona e estabelece uma ponte inspiradora entre as “Descobertas” e a sempre actual epopeia das descobertas científicas.
São inúmeros os locais onde este Centro de Investigação poderia localizar-se alternativamente e com vantagens.
A observação original de Pareto (antes da generalização, por vezes absurda, que alguns lhe deram) era a de que 80% da riqueza mundial estava na posse de 20% da população. Ele referia-se à riqueza medida pelo Produto Nacional Bruto. Mas a mesma proporção se aplicará, por certo e infelizmente, às riquezas mental, cultural e espiritual.
O particular problema português relativamente a esta invariância é o da esperteza. Os 80% que não possuem qualquer espécie de riqueza são todos espertos e, por isso, dão muito poucas oportunidade aos mental, cultural e espiritualmente ricos para usarem essa riqueza a favor do bem comum, acabando sempre por dar a escolha e o poder aos seus modelos sociais de esperteza – os ricos de dinheiro e àqueles que o parecem, por se pavonearem bem vestidos e bem falantes.
(fim)
Este texto foi publicado primeiro aqui.
Nota final: Este postal constitui o último de uma série de textos contendo propostas para um melhor ordenamento demográfico, económico e territorial em Portugal. Ficam aqui em baixo os linques de todos os postais anteriores, para permitir o acesso rápido à série completa.
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (1)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (2)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (3)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (4)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (5)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (6)
Pareto e a saída do pântano económico em Portugal (7)