20
Set 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 12:37 | comentar | ver comentários (1)

 

 

 O colectivo "trotsko-estalinista" do alto-burguês BE, reagiu como se esperava às notícias da perda da nada credível virgindade colectiva tão ciosamente preservada diante de um público bastante mais atento. À má prestação de Louçã diante de Sócrates e Portas júnior, somam-se agora os "casos", os famosos podres colectivos que o Conducator tanto gosta de arremessar à cara dos seus rivais políticos. Não nos preocupando com a desmesurada e desproporcional presença em tudo o que é órgão de comunicação social - num comentadeirismo político ao estilo comicieiro -, nem sequer mencionando o alegado caso Salvaterra de Magos, as assessorias maternas e as colectivas mordomias que jamais rejeitaram como deputados da nação, os chefes do BE afinal pecam dos mesmos vícios pequeno-burgueses, da "imunda ralé exploradora e parasitária". Gostam de amealhar o dinheirinho em fundos de poupança - é legítimo e fazem muito bem - e pelo que parece, não resistem à tentação do jogo na Bolsa do capitalismo selvagem e neo-liberal. 

 

Louçã veio a terreiro desculpar-se com um gargalhável ..."não olho pelos meus interesses, mas sim pelos interesses colectivos" ( ou seja, um claro "vejam como sou bonzinho e altruísta), afirmando ainda que os ditos irrisórios trinta mil Euros são o fruto da poupança de uma vida inteira ..."como professor universitário, funções pelas quais não recebo um tostão!" (sic). Enfim, são as habituais "desconjunâncias colectivas" da coisa que ontem Jerónimo de Sousa risonhamente comentou.

 

kiki menina Joana Amaral nunca tentou enganar ninguém e basta olhar para a sua figura para nos apercebermos de um certo "cinhismo a Dias" de capa da Flash, Nova Gente ou Olá. Investiu nas acções dumas empresas ligadas ao Estado e em fase de privatização, "colectando" a mais-valiazita da praxe. Quanto à menina Ana Drago, aproveitou também para dragar uns cobres para arredondar o cofrezinho proletário do qual certamente aproveitará uns dividendos para "acções de solidariedade" na Bica do Sapato ou em qualquer outro local frequentado pelos marginais especuladores "colectivos" da nossa praça.

 

Os colectáveis dr. Rosas, Portas sénior e o outro senhor do Porto (não me recordo do nome), compõem o colorido e cheiroso  ramalhete que confirma aquele velho dito do vigário e que a todos aconselhava "fazerem o que eu digo, mas não fazerem o que eu faço".

 

É de facto, uma campanha indecente contra o BE, coitadinhos dos colectivos.

 

Tenho é de me dirigir à sede da Almirante Reis e solicitar uma audiência de aconselhamento económico, pois por ali não faltarão peritos na matéria.

 


14
Set 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 16:47 | comentar | ver comentários (1)

 

 

 A campanha eleitoral teve o seu verdadeiro início no debate de Sábado à noite e deste, apenas retivemos a tirada de Manuela Ferreira Leite, referindo-se ao TGV. Soou a desabafo que avisa os portugueses para um estado de coisas que os últimos anos apenas têm agravado. Em alguns segundos fez o pleno de uma certeza de séculos, hoje habilidosamente escondida  por detrás do biombo da integração europeia. Contestada na  Irlanda, França, Dinamarca e Holanda, a "integração" pressupõe aquilo que muitos - a maioria - dos Estados não querem ceder, ou seja, a soberania, por mais residual que esta se tenha tornado.Os sectores de distribuição, largas extensões de terra alentejana, o imobiliário e agora de forma mais visível os media, têm sido "integrados" ao sabor das conveniências económicas e políticas de um vizinho cuja própria unidade se encontra numa fase de evolução e incógnita. Ferreira Leite fez bem e a prova disso mesmo, consistiu na imediata reacção do governo de Madrid e na mal disfarçada estupefacção do nosso primeiro-ministro. O TGV não é uma prioridade que todos sintam como inexcusável e muito pelo contrário, coloca questões às quais ainda não houve uma resposta que tranquilize a parte portuguesa do negócio:

1. Qual o verdadeiro preço do empreendimento e a utilidade de uma linha de Lisboa ao Porto, na qual se pouparão escassos minutos de viagem? Qual os preços das mesmas? Poderão concorrer satisfatoriamente com os actuais vôos low-cost?

2. Que consequências essa súbita proximidade entre Lisboa e Madrid não provocará o êxodo de empresas e até de representações diplomáticas, concentradas na capital espanhola por evidente racionalização de gastos e gestão de serviços?

3. Se a linha para Madrid servirá sobretudo para argumentar politicamente com o almejado contacto com a Europa além-Pirinéus, qual a real utilidade de linhas internas portuguesas que ao contrário de países como o Japão, não irão servir para o transporte de pessoal aos centros de trabalho e pelo contrário, terão infalivelmente de ser subsidiadas pelo Estado?

4. Liquidada - com a indiferença do governo - a empresa Bombardier que podia ter contribuído poderosamente para a construção de material ferroviário para esse "TGV", que interesse representará tal empreendimento para a nossa cada vez mais reduzida indústria?

 

Este seria um tema que os principais contendores deveriam exaustivamente abordar durante a campanha, para uma cabal avaliação popular daquilo que o interesse nacional deverá ditar às urnas. Até hoje, permanece no ar a desconfiança popular por um empreendimento que aparenta consistir numa promessa de benefícios evidentes para certos sectores que fazem a "navegação triangular" entre a banca, betão e política. O regime que prove o contrário!

 

O segundo caso, este praticamente despercebido após a fragorosa derrota louçanista no debate com o primeiro-ministro, consiste na acusação feita "à direita", de estar a promover uma "campanha de ódio" contra o Bloco de Esquerda. Curiosa lamúria, quando provém precisamente do partido que se especializou na pior forma de populismo que tão maus resultados teve na Europa do século XX. Há já uma década, o BE iniciou um ininterrupto programa de acicate ao ódio, inveja, suspeição e acusação de todo o tipo de iniquidades aos seus imaginados inimigos que grosso modo, correspondem a todas as outras forças políticas concorrentes. Ainda estão bem presentes as imagens do dia do Regicídio em 2008, quando no Terreiro do Paço um bando de energúmenos que fazem as vezes de tropas de choque bloquista - as SA de Louçã -, tentaram sem sucesso, perturbar a cerimónia de reparação nacional à memória das vítimas do 1º de Fevereiro. Seguiu-se o caso "Verde Eufémia", com oviolento ataque à propriedade privada de um pequeno empresário, não se perdendo a oportunidade para a agressão física a quem corajosamente defendeu o seu trabalho. Seria curioso proceder ao visionamento dos videos disponíveis, para concluir até que ponto os "anarquistas do Bloco" e os "verde-eufemistas" coincidem na identidade. Já este ano, no 1º de Maio, assistiu-se ao deplorável e vergonhoso espectáculo do ataque a Vital Moreira, procurando um bem identificado membro da "juventude do BE", fazer cair o odioso da agressão sobre os sectores do PC presentes na manifestação da Intersindical. Caída a máscara - denunciada no 5 Dias e noutros blogues da esquerda -, regressou o silêncio comprometedor da imprensa colaboracionista, geralmente pertencente aos famigerados "grandes interesses" que Louçã tanto gosta de "denunciar".

 

O sr. Francisco A. Louçã diz-se vítima de ódio, procurando religiosamente alçar-se à categoria de mártir, talvez à semelhança dos seus compreensíveis "aliados tácticos e tácitos" do Médio Oriente. De facto, a última semana demonstrou que o Conducatordo BE não tem relevância para suscitar mortal antipatia, descoberto que foi o seu calcanhar de Aquiles. No debate com Sócrates, o país ficou finalmente ciente de um programa caquético de cem anos e que pressupõe a acelerada passagem de Portugal para um fatal regime de atraso, bestialidade legislativa e repressão de todas as liberdades. Nada de novo, nada que não soubéssemos desde sempre. Mas a máscara caiu e mais vale tarde que nunca. O ódio de que Louçã fala, de facto existe: não contra este ou aquele menino de ouro,  privilegiado das sinecuras que o BE julga sempiternamente suas, mas um ódio visceral, profundo e invencível a tudo aquilo que um "regime BE" possa significar. Nisto Louçã tem carradas de razão. Ainda bem.

 

Sr. Louçã, chegou a hora de Portugal inteiro lhe gritar um cosmopolita STOP HATE HERE!


10
Set 09
Por Samuel de Paiva Pires, às 15:30 | comentar

(imagem roubada ao 31 da Armada)

 

No seguimento das diversas reportagens que a SIC tem feito com os líderes dos principais partidos, viu-se ontem um Louçã pouco à vontade e preconceituoso como sempre. A dada altura a entrevistadora pediu-lhe para definir os vários líderes em uma palavra. Em relação a Manuela Ferreira Leite, afirmou que era a marca de uma governação falhada. E quanto a Paulo Portas, afirmou ser este um protagonista de uma forma de racismo social.

 

MFL até pode ser a marca de uma governação falhada, mas Louçã é a representação de uma ideologia genocida que tem mais de religião do que muitas religiões, e que não tem cabimento em qualquer mente sã. Sejam estalinistas (PCP) ou trotskistas (BE), o resultado da conquista do poder por qualquer um deles seria sempre o mesmo: uma sociedade aterrorizada e um país completamente miserável.

 

 

E o que será que Louçã queria dizer com racismo social? Confesso que não percebi. Louçã e os seus camaradas que são os protagonistas de uma forma de parasitismo social que vive à conta do erário público, que passa a vida a criticar o sector privado que gera o dinheiro à conta do qual vivem, que se arrogam de serem detentores da verdade absoluta e da suprema inteligência, um grupo de intelectuais que se acha no direito de controlar e manipular universidades, fundações, instituições públicas, ainda para mais com boa imprensa, sem prestar contas a ninguém das suas intenções que, como muito bem fez notar o Nuno, têm que ser trazidas à luz do dia.

 

Vivem numa eterna luta de classes completamente descontextualizada e desadequada da realidade vigente, sempre à espera de voltar ao tempo das nacionalizações, contra os odiosos "ricos", "burgueses", "meninos de bem", e outros epítetos que tais a que a esquerda caviar gosta de recorrer, sem se olhar ao espelho. Até quando vamos tolerar estes parasitas que realmente praticam esse tal racismo social?

 

(também publicado no Estado Sentido)


09
Set 09
Por Nuno Castelo-Branco, às 19:24 | comentar

 

 

O facto de alguém não ter qualquer intenção de votar num dos partidos do sistema, oferece-lhe a oportunidade única de proceder a uma análise imparcial dos debates para as legislativas.

 

Ontem à noite, o primeiro-ministro foi de longe, o vencedor num frente-a-frente que todos adivinhavam difícil, senão massacrante para o mesmo. Sócrates deve ter visionado outros debates nos quais o sempre aguerrido e provocador Louçã acabava por vencer, mercê da habitual catadupa de alegações, escândalos isolados - uns verdadeiros e outros imaginados, mas que fazem o todo - e apelo à básica inveja, sentimento de impotência e recalcamento que minam uma boa parte de uma sociedade cada vez mais empobrecida. Como dizíamos aqui e aqui, o BE é hoje uma emulação aparentemente contrária do Front National de Jean-Marie Le Pen, mas copiando-lhe a táctica e a estratégia tendente à conquista de posições. Seguindo a velha cartilha dos totalitarismos dos anos 20 e 30, o populista Conducator Francisco Anacleto Louçã tem o verbo fácil e aquela ousadia que o Dr. Goebbels tornou universalmente conhecida, ao repetir até à exaustão, suposições que se tornam indesmentíveis verdades num mundo que bastas vezes é apenas ficção criada pelo chefe extremista.

 

O primeiro-ministro parece ter compreendido aquilo que apenas a actual falta de cultura política dos nossos dirigentes deixava passar por timidez, ou pior ainda, devido a uma enraizada cobardia ditada pela coacção moral, arcaica de quarenta anos. Sócrates leu o programa do BE que no essencial, não será diferente daquele que os progenitores desta coligação - a UDP e a LCI (PSR) - propunham desde 1975. Na verdade, Louçã é um dos dirigentes mais vulneráveis à derrota em qualquer frente a frente com todos os outros chefes partidários, à excepção do simpático, prudente e rígido Jerónimo de Sousa, aliás incapaz - justiça lhe seja feita - da acintosa grosseria do seu detestado e rival companheiro de leninismo.

 

O chefe socialista apercebeu-se do essencial, ou seja, do sempre procurado objectivo de esmagamento da classe média - a famigerada burguesia -, passo primeiro para a conquista do poder total. No entanto, fica no ar a sensação de tal luz ter surgido da leitura das compilações contabilísticas e não do conhecimento da história e dos fundamentos ideológicos do universo comunizante. Sócrates não conseguiu ir mais além do que um apontar o dedo à "esquerda radical" e permitiu que Louçã tivesse ousado denominar-se como "um socialista". O Conducator do BE é um comunista dito trotsquista, a facção do PCUS derrotada pelo matreiro José Estaline e que para a história ficou como uma desvanecida possibilidade de uma diferente URSS. No essencial, a vitória do sr. Leon Trotsky pouco ou nada alteraria na construção totalitária do poder do Partido Comunista e apenas a patine intelectual emprestada pelo cosmopolita Bronstein faria a diferença. Uma marginal questão de imagem, habilmente orquestrada e branqueada num Ocidente bastante hipnotizado pela propaganda coactora da razão. Se a Louçã questionarem frontalmente se é um comunista e qual a sua opinião acerca da revolução soviética, não existirá a mais remota hipótese de fuga. O tergiversar apenas confirmará a verdade que no fundo, todos conhecem.

 

A obsessão que Louçã professa pelo aniquilar do sector bancário, obedece ao respeito canónico pelo pensamento de Lenine.  Na lógica da economia de mercado - o capitalismo a abolir -, o crédito deverá ser controlado pelo poder central, ou melhor dizendo, por aquilo que em sentido lato se designa por Partido. A táctica quase mitológica da conquista do poder por etapas - impossibilitada a "revolução" por um hoje bastante imaginário "proletariado" -, prevê o condicionamento estrangulador de todos os sectores da economia, através do simples recurso á secagem do manancial financiador da iniciativa. No nosso país, tal aconteceu logo após o 11 de março de 1975, quando a banca nacionalizada, possibilitou a  sucção dos seguros, da indústria e de boa parte do sector agrícola. Concentracionariamente controlados pelo Estado que se concebia como a face oficial do partido "do povo", os sectores de actividade viam-se despojados dos empresários, financiadores capitalistas e daquela essencial camada intermédia que organizava a produção e viabilizava o crescimento. Liquidada pela ruína, a economia capitalista passava então para a fase de adequação à quimera do Plano, essencial à padronização "por baixo" de toda a sociedade, agora refém de um ultra-minoritário sector de privilegiados "condutores das massas em direcção ao socialismo". 

 

O que se torna espantoso é o facto de nenhum dirigente - o culto e informado Paulo Portas incluído no rol - ter jamais confrontado o sr. Francisco Anacleto Louçã com o seu passado sempre tão orgulhosamente presente. O programa do BE é simples, linear e tão previsível como as fases da Lua. Uns arremedos de liberalismo da moda - as questões fracturantes que posteriormente se aniquilariam na fase de consolidação do poder e em nome da moral proletária,  tal como aconteceu na URSS, satélites do Leste, China -, servem perfeitamente para abstrair o eleitorado do núcleo duro do verdadeiro e disfarçado programa: a economia e finanças.  Louçã já imagina um país submetido ao ditame da concessão do crédito em troca da obediência e o actual estado de coisas na China aponta uma remota, mas possível via para o sucesso. De nada servirão as realidades teimosamente ditadas pelo diminuto poder de autonomia que um Portugal económica e territorialmente definhado hoje apresenta. Sonhando com a autarcia que se torna na derradeira possibilidade para um absolutismo que ainda parece ter algumas hipóteses de vigência noutras paragens de atraso social e económico  - Cuba, Coreia, Venezuela, etc - , os dirigentes do BE adoptam a pose burguesa que provisoriamente tranquiliza os da "sua classe" e elimina a inevitável suspeita que afasta o eleitorado. 

 

Pode ser  muito fácil derrotar Louçã, se houver a vontade de obter uma vitória clara, obrigando-o a dizer o que realmente pensa, quer e está escrito em páginas que testemunham uma caminhada ao longo de mais de trinta anos e impossível de esconder.  A incógnita consiste afinal, na preparação que cada dirigente terá do conhecimento da história - aquela famigerada factual serve perfeitamente -, a essencial e impenetrável armadura que garante um êxito que de tão fácil, remeterá o agressivo aspirante a ditador para o sótão das arrumações.

 


Por zedeportugal, às 12:45 | comentar | ver comentários (5)

Há que dizê-lo claramente: - Não me parece que tenham razão os meus colegas comentadores Vitor Jesus, Samuel Paiva Pires e António de Almeida, quando escrevem ali mais abaixo que Sócrates ganhou o debate.

 

Depois de ver com atenção a gravação do debate - yesterday, late at night - a minha opinião é que Louçã esteve o tempo todo a pôr-se a jeito para uma coligação com o PS. Transparece ali um Louçã cheio de ambição para chegar ao poder e a ver esta como uma oportunidade única.

 

Penso que estas afirmações de Louçã, quase no final, fazem prova da minha apreciação:

"Eu percebo que o engenheiro Sócrates apele à maioria absoluta: não sabe governar sem maioria absoluta. Mas a maioria absoluta foi o problema em Portugal. E eu dirijo-me - engenheiro Sócrates - aos eleitores socialistas, que lhe deram a maioria absoluta e que sabem que a guerra foi feita pelo governo contra eles."


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