28
Set 09
Por P.F., às 14:47 | comentar

Independentemente dos resultados dos partidos do arco parlamentar, em relação aos quais destaco o resultado muito positivo do CDS-PP em contraste com o enorme fiasco do PSD - o que vem a demonstrar que o eleitor à direita do PS está farto do discurso ambíguo, cinzentista e socialóide do "centrão" -, tenho sempre de dar uma palavra aos partidos de direita que estão fora do sistema. Apesar da precariedade de seus votos, não deixam de representar as preocupações e o pensamento de muitos portugueses, embora muitos destes, por desconhecimento ou opção em favor dos partidos do sistema, não lhes depositem os seus votos. O PND, o PNR, o PPM e, o mais recente, PPV possuem nas suas fileiras indivíduos com capacidades intelectuais e de trabalho consideráveis, embora, evidentemente, entre outros talvez menos valorosos. O voluntarismo pouco articulado e as "guerras de alecrim e manjerona" na partidarite portuguesa levam a uma dispersão de diversos indivíduos, muitas vezes com ideias bem definidas, em partidos sem meios nem representatividade suficientes para saírem da "cepa torta". Neste caso, há que dar o braço a torcer em relação ao Bloco de Esquerda, pois a partir de um aglomerado de partidos e grupos pequenos anteriormente dispersos e sem chances de progressão deu origem a um partido que tem vindo constantemente a crescer em termos de votação e ontem disputou taco a taco a terceira posição com o CDS-PP. Enquanto a direita anti-sistema não fizer isto, de pouco valerá andar pelos blogs a discutir nacionalismos, monarquia e revisão constitucional. Para mudar o sistema é preciso conhecê-lo de modo a saber aquilo que se pode e/ou deve mudar.


12
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 16:22 | comentar | ver comentários (8)

Ainda a propósito do puritanismo moral (que subitamente emerge do debate político português) ao serviço da difundida prática de chacinar pessoas publicamente, agora pergunta-se «qual é o interesse do PSD em ter um candidato suspeito (…) de actividades pouco recomendáveis?».

 

Numa lógica estadista em que aquilo que está certo fazer se mede em função de interesses internos, a lembrar a máfia que castiga quem não joga pelas suas regras, o PSD enquanto jogador no colectivo não tem de facto qualquer interesse em atirar para si esse tipo de atenções.

 

Manuela Ferreira Leite é precisamente criticada por não ceder às regras do politicamente correcto, por gerir as suas escolhas segundo critérios éticos e não segundo os critérios dos interesses que a máquina engendrou para se auto-sustentar.

  

Nessa lógica amoral, percebe-se que o apurar concreto da natureza das actividades do candidato seja irrelevante: não está em causa o princípio de justiça nem qualquer outro tipo de valor ético, o que está em causa é o desafio às regras da máquina, uma máquina mafiosa em que justiça e política se misturam e governam as vidas privadas ao ponto em que ser suspeito pela justiça é suficiente para entrar na categoria de ostracizado político. E dizer que a presunção de inocência (tratado como uma espécie de artifício sem alicerce ético) nada tem que ver com o caso é como assumir a inocuidade da bufaria como instrumento político.

 

Mesmo que não intencionalmente, esse raciocínio serve na prática uma técnica de defesa do status quo, desenhada para tornar impossível a qualquer pessoa não-amiga da máquina, qualquer pessoa sequer suspeita de infringir as regras, candidatar-se a um cargo político (potencialmente reformador da própria máquina), o que garante internamente a segurança da máquina tal como está, aceitando no seu interior apenas as pessoas que aceitam não a mudar. Mudar as regras por dentro é impossível quando essas estão protegidas por mecanismos de ostracização dos não-amigos.

 

Em nota, acrescento que, para a máquina política, crimes dependem apenas da definição de quem já está na máquina. Assim, por exemplo, o «financiamento partidário ilegal» não tem referente ético, é um eufemismo para “não respeitou as regras que inventámos para nós próprios logo não pode continuar no nosso jogo”, um eufemismo que define voluntariamente corrupção como o acto de não jogar pelas regras. Que problemas éticos adviriam de um financiamento privado de políticos? Ou ainda mais flagrantemente, será ético defender o financiamento estatal dos partidos?

 

ps: dado que o texto foi mal interpretado devido a imprecisões do mesmo, faço a seguinte nota pós-publicação: quando falo de ostracização de pessoas não-amigas à máquina não digo nem defendo que as actividades que António Preto supostamente fez sejam não-amigas da máquina (positivas). O objectivo era levar o raciocínio à última consequência e mostrar que serve os interesses do status quo. Se MFL tivesse cedido a pressões politicamente correctas teria de facto servido os interesses do PSD, mas teria traído a sua consciência ética. Para dar outro exemplo, se a lei de um país proíbe que se fira a sensibilidade de judeus, um cientista que chegue à conclusão de que câmaras de gás não existiram não tem qualquer defesa possível em tribunal, e por mais que tente ele e o seu advogado irão presos porque durante a própria tentativa de defesa incorreram novamente no crime pelo qual o cientista foi acusado. Quando esse país quisesse calar um historiador qualquer teria apenas de invocar que ele fere a sensibilidade de judeus, o que é um julgamento tão bárbaro quanto ostracizar alguém por "suspeitas".  Neste e no outro caso, o apuramento da verdade é sacrificado em prol da lógica de interesses internos à máquina no poder, atitude que desafia qualquer princípio ético. Claro que se se apurar que António Preto cometeu de facto crimes, a atitude de MFL terá de ser outra.


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