20
Ago 09
Por Jorge Assunção, às 16:10 | comentar | ver comentários (13)

 

(Via: Maria João Pires)

 

Não concordo com a metodologia usada e a validade destas coisas é muito pouca, mas quem pretende divertir-se, experimente. Só por curiosidade, no meu resultado dizem que é do CDS/PP que estou mais próximo, mas no que toca à concordância dá-me 75% com o PND; 67,9% com o CDS/PP; e 62,5% com PSD. CDU e BE aparecem no fim da lista.


19
Ago 09
Por António de Almeida, às 17:47 | comentar | ver comentários (1)

  -O PS pretende gastar 5,54 milhões de Euros na campanha eleitoral, dos quais 3,13 são provenientes de subvenção estatal. O PSD estima subtrair 2,85 milhões ao contribuinte, o CDS/PP 807,7 mil, BE 900 mil e CDU 1 milhão. Na totalidade os nossos impostos, que o governo afirma não existir margem para reduzir, irão financiar em cerca de 9 milhões de Euros a campanha eleitoral, número apenas respeitante às legislativas, contabilizando os partidos sem assento parlamentar. Foi esta matéria que conseguiu a quase unanimidade dos deputados na Assembleia da República, à excepção de António José Seguro, recorde-se. Pessoalmente preferia ver os partidos tratarem de conseguir o seu financiamento, através de quotizações e eventos de angariação de fundos, e também de donativos, o que nos remete para a questão do lóbi, levantada aqui pelo Jorge Assunção.

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15
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 19:17 | comentar | ver comentários (7)

José Pacheco Pereira escreveu um texto sem tretas, leia-se sem argumentos políticos, preferindo um texto com realismo, leia-se com argumentos partidários.

 

No estilo vender a alma ao diabo para comprar um mal menor, José Pacheco Pereira constata que na campanha de Ferreira Leite «há erros, mesmo erros graves? Certamente que há. Tem que se engolir alguns sapos, para usar a terminologia culinário-diabólica que por aí anda? E depois?» E depois nada, não há argumentos que possam destruir o tom conformista-pessimista de JPP, aliás os militantes do PSD que têm levantado problemas só o têm feito, não por terem razões de fundo, mas sim porque «não estão cá os nossos amigos, não está cá a nossa tribo, estão cá alguns inimigos figadais?».

 

Reduzindo assim a actividade do seu partido a birras entre amigos e inimigos, JPP dirige-se directamente ao interior do partido, mostrando indirectamente ao exterior que até aos militantes do PSD é preciso convencer em votar em Manuela Ferreira Leite, e isso não pelas qualidades da mesma (às quais certos membros do PSD são aparentemente impermeáveis), mas sim por um raciocínio de mal menor: «Não gostam de  Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?».

 

Os estranhos às querelas do PSD não podem evitar de tirar a conclusão lógica de que não há razões em si para ter esperança em Manuela Ferreira Leite, mas apenas a certeza de que continuar com Sócrates seria pior.

 

No fundo não há diferença com o texto que Sócrates escreveu há dias dizendo que enfraquecer o PS era querer que a direita ganhasse. Num certo momento temos a sensação que PS e PSD discutem apenas entre si o poder, motivando internamente as tropas, e, neste caso, assumindo sem tretas que nesse combate «não há razões máximas, gloriosas, teoricamente atractivas».

música: tiro no pé

14
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:19 | comentar | ver comentários (5)

O cartaz diz "Avançar Portugal" (movimento para a frente), mas mostra pessoas paradas à volta de Sócrates, olhando para ele, algumas até de costas para nós.

 

Não é uma falha de comunicação. Pelo contrário, é uma excelente imagem da forma pela qual Sócrates se propõe fazer Avançar Portugal: é uma metáfora para centralização do poder num Estado Forte. Não é Portugal que está a avançar no cartaz, Portugal está paradinho a olhar para Sócrates e delegando nele, de forma muito satifeita, o seu poder de acção para que, ele sim, faça Avançar Portugal.

 

O cartaz pinta Sócrates como um Líder Iluminado que olha directamente para o futuro de Portugal (para cima); como Líder Forte, rodeado /apoiado pelos portugueses que focalizam nele as suas esperanças (olhares) para o futuro; e Líder idolatrado (rodeado de mulheres) que assume a sedução/marketing político como alavanca necessária ao exercício do poder.

 

E ainda o acusam de não ser transparente.

música: I'm too sexy for my country

13
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 13:22 | comentar | ver comentários (19)

Houve um roubo na empresa. Os empregados estão nervosos porque o chefe ficará furioso e temem que um deles seja despedido. Procuram o responsável para o obrigar a sair da empresa voluntariamente e desconfiam de uma pessoa que já no passado levantara suspeita sobre si. Você não sabe se essa pessoa está culpada desta vez.

 

Propõe/não se opõe a que obriguem a pessoa a sair para apaziguar os ânimos da empresa e não propiciar possíveis animosidades do chefe?

 

Nota: a empresa em questão trabalha em consultoria ética.


06
Ago 09
Por Elisabete Joaquim, às 20:16 | comentar | ver comentários (7)

Estes dias pautados pelo debate político são sobretudo oportunos para perceber como é que os portugueses se auto-posicionam politicamente. Os momentos mais caricatos são aqueles em que o gatuno chama malandro ao ladrão, em que o perneta se gaba por correr mais rápido que o coxo, e, os meus preferidos, em que socialistas insultam outros com o epíteto de “esquerdista”.

 

Tomando as coisas mais a sério, não que ver dois loucos a diagnosticarem-se mutuamente não seja caso sério, convém chamar de uma vez por todas as coisas pelo nome: o que é «socialismo»? (Vamos esquecer as respostas fáceis com clichés de “esquerda” e “direita” que servem em grande parte, pelo menos em Portugal, para inaugurar uma frágil distinção entre socialismo e socialismo moderado.)

 

Podemos resumir brevemente «socialismo» como a doutrina que defende (pelo menos) que:

 

Moralmente o Estado tem o dever de zelar pelo bem-comum dos cidadãos, o que lhe confere o direito de, formalmente, praticar a redistribuição da riqueza produzida em ordem a possibilitar e manter estruturas sociais igualitárias para todos os cidadãos.

 

Aceitando esta definição, qual o partido de peso não-socialista em Portugal? Ainda de forma mais visível, o que tem sido a constante dança de poder PS versus PSD senão o alternar entre um socialismo assumido e um socialismo mitigado?

 

Parecendo-me que o exposto é evidente, onde buscar a explicação para o facto dos nossos chamados partidos de “direita” se recusarem a assumir a sua ideologia de base socialista?

 

Na prática a omissão resulta em estratégia eleitoral: a cisão artificial entre os partidos da dança dá aos eleitores uma falsa ilusão de escolha. E com os  partidários a coisa funciona numa espécie de clubismo / tradição política sem verdadeiro referente ideológico, um pouco à imagem dos sportinguistas que odeiam os benfiquistas (e vice-versa) precisamente por serem ambos de Lisboa e partilharam o mesmo território /tacho.

 

Que grande parte do eleitorado vá na cantiga como quem leva o cachecol à bola é assumido. Mas por mais que a esmagadora maioria da auto-proclamada elite intelectual faça uso de retórica, não disfarça o cachecol aos ombros.


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